Publicação
O ressurgir da temocilina
| Resumo: | O aumento da resistência em bactérias Gram-negativo é uma preocupação emergente. Nestas bactérias, as β-lactamases são o principal mecanismo e aquele que mais tem contribuído para o aumento da resistência, nomeadamente as β-lactamases de espectro alargado e as β-lactamases do tipo AmpC, cuja prevalência tem aumentado significativamente. Para além disso, devido ao uso cada vez maior de carbapenemes, também tem havido um aumento na prevalência das carbapenemases, o que reflete a necessidade de “poupar” estes antibióticos para as situações estritamente necessárias. Devido a este aumento da resistência aos β-lactâmicos, surgiu a necessidade de voltar a examinar velhos antibióticos, como é o caso da temocilina, um β-lactâmico que tinha sido abandonado pela sua fraca atividade contra microrganismos Gram-positivo, anaeróbios e Pseudomonas aeruginosa, mas que, apesar disso, mantinha um espectro restrito a Enterobacteriaceae e atividade contra bactérias produtoras de β-lactamases de espectro alargado, β-lactamases de tipo AmpC e carbapenemases do tipo KPC.A temocilina tem um efeito bactericida rápido e pouco efeito de inóculo para Enterobacteriaceae, características que se alteram ligeiramente quando as bactérias expressam uma β-lactamase de tipo AmpC cromossómica. O tratamento com temocilina deve ser orientado pela concentração inibitória mínima, sugerindo-se um breakpoint de 8 mg/L em doentes graves, em choque, e um breakpoint de 32 mg/L para infeções do trato urinário, devido às grandes concentrações de antibiótico que chegam à urina. A longa semivida da temocilina parece ainda compatível com a administração apenas em dias de hemodiálise, ideal para o tratamento de infeções em doentes com doença renal terminal. Atualmente, a temocilina já faz parte das opções terapêuticas em países como o Reino unido, Bélgica e França, estando recomendada para o tratamento das infeções causadas por bactérias Gram-negativo multirresistentes, particularmente infeções do trato urinário e bacteriemias associadas causadas por Enterobacteriaceae produtoras de β-lactamases de espectro alargado ou do tipo AmpC, propondo-se o seu enquadramento entre os antibióticos poupadores de carbapenemes. No Reino Unido e na Bélgica, a temocilina já tem sido utilizada para tratamento de outras infeções, como septicemia e infeções das vias respiratórias inferiores. |
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| Autores principais: | Lourinho, João Bernardo Guerreiro |
| Assunto: | Temocilina B-lactamases Enterobacteriaceae Infeções do trato urinário |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O aumento da resistência em bactérias Gram-negativo é uma preocupação emergente. Nestas bactérias, as β-lactamases são o principal mecanismo e aquele que mais tem contribuído para o aumento da resistência, nomeadamente as β-lactamases de espectro alargado e as β-lactamases do tipo AmpC, cuja prevalência tem aumentado significativamente. Para além disso, devido ao uso cada vez maior de carbapenemes, também tem havido um aumento na prevalência das carbapenemases, o que reflete a necessidade de “poupar” estes antibióticos para as situações estritamente necessárias. Devido a este aumento da resistência aos β-lactâmicos, surgiu a necessidade de voltar a examinar velhos antibióticos, como é o caso da temocilina, um β-lactâmico que tinha sido abandonado pela sua fraca atividade contra microrganismos Gram-positivo, anaeróbios e Pseudomonas aeruginosa, mas que, apesar disso, mantinha um espectro restrito a Enterobacteriaceae e atividade contra bactérias produtoras de β-lactamases de espectro alargado, β-lactamases de tipo AmpC e carbapenemases do tipo KPC.A temocilina tem um efeito bactericida rápido e pouco efeito de inóculo para Enterobacteriaceae, características que se alteram ligeiramente quando as bactérias expressam uma β-lactamase de tipo AmpC cromossómica. O tratamento com temocilina deve ser orientado pela concentração inibitória mínima, sugerindo-se um breakpoint de 8 mg/L em doentes graves, em choque, e um breakpoint de 32 mg/L para infeções do trato urinário, devido às grandes concentrações de antibiótico que chegam à urina. A longa semivida da temocilina parece ainda compatível com a administração apenas em dias de hemodiálise, ideal para o tratamento de infeções em doentes com doença renal terminal. Atualmente, a temocilina já faz parte das opções terapêuticas em países como o Reino unido, Bélgica e França, estando recomendada para o tratamento das infeções causadas por bactérias Gram-negativo multirresistentes, particularmente infeções do trato urinário e bacteriemias associadas causadas por Enterobacteriaceae produtoras de β-lactamases de espectro alargado ou do tipo AmpC, propondo-se o seu enquadramento entre os antibióticos poupadores de carbapenemes. No Reino Unido e na Bélgica, a temocilina já tem sido utilizada para tratamento de outras infeções, como septicemia e infeções das vias respiratórias inferiores. |
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