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Estado atual das populações de berbigão (Cerastoderma spp.) no estuário do Sado

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Resumo:O berbigão está entre os bivalves mais explorados na Europa, assumindo, por isso, uma elevada importância ecológica e socioeconómica. Em Portugal, existem duas espécies de berbigão, Cerastoderma edule (Linnaeus, 1758) e Cerastoderma glaucum (Bruguière, 1789) que habitam nos estuários e lagoas costeiras, onde podem co-ocorrer e formar populações mistas. O principal objetivo deste estudo consistiu em avaliar o estado atual das populações de berbigão (Cerastoderma spp.) no estuário do Sado. Com esse fim foi realizada uma amostragem com recurso a arrastos com ganchorra, cobrindo toda a área potencial de ocorrência do berbigão. O objetivo desta operação foi determinar a distribuição espacial e abundância do berbigão e da comunidade de bivalves e identificar quais os fatores ambientais que condicionam as mesmas. Adicionalmente, determinou-se a estrutura populacional do berbigão e analisou-se as potenciais interações ecológicas entre as espécies em estudo e os outros bivalves. Os resultados mostraram que a espécie mais abundante no estuário do Sado, foi a ostra-anã (Ostrea stentina) representado cerca de 76,4% de todos os indivíduos pertencentes ao grupo taxonómico dos bivalves. A comunidade de bivalves revelou ser bastante heterogénea, não sendo possível identificar padrões espaciais muito evidentes, no entanto, estruturou-se sobretudo em função da salinidade, granulometria média do sedimento e temperatura. Verificou-se que o berbigão se distribui pela Zona Inferior do Canal de Alcácer e pela Zona Intermédia do estuário do Sado, não ocorrendo na Zona Superior do Canal de Alcácer nem na Zona da Foz, e os fatores ambientais que parecem explicar a probabilidade de ocorrência destes organismos foram a salinidade, a profundidade e a granulometria média dos sedimentos. Quando se analisaram as possíveis interações ecológicas entre as espécies em estudo e a restante comunidade de bivalves do estuário do Sado, verificou-se uma possível competição por espaço e por alimento com a espécie exótica amêijoa-japonesa (Ruditapes philippinarum). A análise da estrutura populacional revelou indícios de mortalidade natural ou por pesca das populações de berbigão, dada a baixa representatividade de indivíduos adultos com tamanho comercializável. Como tal, este trabalho evidencia assim a necessidade de medidas de gestão adequadas para garantir a sustentabilidade dos mananciais destas populações que assumem um importante papel socioeconómico.
Autores principais:Santos, Cátia Sofia Pedro Caetano
Assunto:Distribuição espacial Fatores ambientais Interações ecológicas Estrutura populacional Comunidade de bivalves Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O berbigão está entre os bivalves mais explorados na Europa, assumindo, por isso, uma elevada importância ecológica e socioeconómica. Em Portugal, existem duas espécies de berbigão, Cerastoderma edule (Linnaeus, 1758) e Cerastoderma glaucum (Bruguière, 1789) que habitam nos estuários e lagoas costeiras, onde podem co-ocorrer e formar populações mistas. O principal objetivo deste estudo consistiu em avaliar o estado atual das populações de berbigão (Cerastoderma spp.) no estuário do Sado. Com esse fim foi realizada uma amostragem com recurso a arrastos com ganchorra, cobrindo toda a área potencial de ocorrência do berbigão. O objetivo desta operação foi determinar a distribuição espacial e abundância do berbigão e da comunidade de bivalves e identificar quais os fatores ambientais que condicionam as mesmas. Adicionalmente, determinou-se a estrutura populacional do berbigão e analisou-se as potenciais interações ecológicas entre as espécies em estudo e os outros bivalves. Os resultados mostraram que a espécie mais abundante no estuário do Sado, foi a ostra-anã (Ostrea stentina) representado cerca de 76,4% de todos os indivíduos pertencentes ao grupo taxonómico dos bivalves. A comunidade de bivalves revelou ser bastante heterogénea, não sendo possível identificar padrões espaciais muito evidentes, no entanto, estruturou-se sobretudo em função da salinidade, granulometria média do sedimento e temperatura. Verificou-se que o berbigão se distribui pela Zona Inferior do Canal de Alcácer e pela Zona Intermédia do estuário do Sado, não ocorrendo na Zona Superior do Canal de Alcácer nem na Zona da Foz, e os fatores ambientais que parecem explicar a probabilidade de ocorrência destes organismos foram a salinidade, a profundidade e a granulometria média dos sedimentos. Quando se analisaram as possíveis interações ecológicas entre as espécies em estudo e a restante comunidade de bivalves do estuário do Sado, verificou-se uma possível competição por espaço e por alimento com a espécie exótica amêijoa-japonesa (Ruditapes philippinarum). A análise da estrutura populacional revelou indícios de mortalidade natural ou por pesca das populações de berbigão, dada a baixa representatividade de indivíduos adultos com tamanho comercializável. Como tal, este trabalho evidencia assim a necessidade de medidas de gestão adequadas para garantir a sustentabilidade dos mananciais destas populações que assumem um importante papel socioeconómico.