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Resposta de carnívoros generalistas à abundância e padrão de atividade dos pequenos mamíferos em ambientes mediterrânicos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A distribuição dos animais na natureza é influenciada por fatores fisiológicos (e.g. relógio biológico), ambientais (e.g. condições climáticas, disponibilidade de abrigos e de recursos tróficos) e de perturbação antrópica. Assim, a ocorrência de mamíferos carnívoros numa determinada região depende das adaptações ecológicas que desenvolvem como resposta à dinâmica dos recursos disponíveis e preferenciais (e.g. presas). O presente estudo avaliou a resposta dos mesocarnívoros em ambientes mediterrânicos à variação de abundância e padrão de atividade dos pequenos mamíferos, suas presas, tendo por base a armadilhagem fotográfica. Os resultados apontam para a existência de uma sincronia durante o período noturno entre os padrões de atividade diária do texugo e da geneta e os dos murídeos (roedores). Detetámos variações sazonais e associadas à abundância das presas no grau de sobreposição dos padrões de atividade de predadores e presas. A sobreposição da atividade poderá ser uma resposta dos predadores, que, ao estarem ativos nos períodos em que as presas também o estão, conseguem otimizar o consumo de energia por unidade de tempo. Contudo, na relação texugo-murídeos, a sincronia poderá estar associada a causas indiretas, dado que os pequenos mamíferos perfazem uma proporção pequena do seu espectro alimentar. A ausência de sincronia nos padrões de atividade da raposa e do sacarrabos com as presas pode dever-se à sua estratégia alimentar generalista, preferindo consumir alimentos que requerem menos gastos energéticos na captura e manuseamento (e.g. frutos). As alterações nas horas de luminosidade, a reduzida precipitação e a redução da disponibilidade de recursos tróficos podem ter causado as variações dos padrões de atividade diária e diminuição da abundância dos murídeos na primavera. Este estudo permitiu aumentar o conhecimento sobre os mecanismos ecológicos que podem estar a regular as relações predadorpresa em ambientes mediterrânicos, e sobre o efeito das variações sazonais de recursos tróficos nessas relações.
Autores principais:Raposo, Diogo Filipe Belchior
Assunto:Mesocarnívoros Pequenos mamíferos Foto-armadilhagem Sazonalidade Ritmo circadiano Teses de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A distribuição dos animais na natureza é influenciada por fatores fisiológicos (e.g. relógio biológico), ambientais (e.g. condições climáticas, disponibilidade de abrigos e de recursos tróficos) e de perturbação antrópica. Assim, a ocorrência de mamíferos carnívoros numa determinada região depende das adaptações ecológicas que desenvolvem como resposta à dinâmica dos recursos disponíveis e preferenciais (e.g. presas). O presente estudo avaliou a resposta dos mesocarnívoros em ambientes mediterrânicos à variação de abundância e padrão de atividade dos pequenos mamíferos, suas presas, tendo por base a armadilhagem fotográfica. Os resultados apontam para a existência de uma sincronia durante o período noturno entre os padrões de atividade diária do texugo e da geneta e os dos murídeos (roedores). Detetámos variações sazonais e associadas à abundância das presas no grau de sobreposição dos padrões de atividade de predadores e presas. A sobreposição da atividade poderá ser uma resposta dos predadores, que, ao estarem ativos nos períodos em que as presas também o estão, conseguem otimizar o consumo de energia por unidade de tempo. Contudo, na relação texugo-murídeos, a sincronia poderá estar associada a causas indiretas, dado que os pequenos mamíferos perfazem uma proporção pequena do seu espectro alimentar. A ausência de sincronia nos padrões de atividade da raposa e do sacarrabos com as presas pode dever-se à sua estratégia alimentar generalista, preferindo consumir alimentos que requerem menos gastos energéticos na captura e manuseamento (e.g. frutos). As alterações nas horas de luminosidade, a reduzida precipitação e a redução da disponibilidade de recursos tróficos podem ter causado as variações dos padrões de atividade diária e diminuição da abundância dos murídeos na primavera. Este estudo permitiu aumentar o conhecimento sobre os mecanismos ecológicos que podem estar a regular as relações predadorpresa em ambientes mediterrânicos, e sobre o efeito das variações sazonais de recursos tróficos nessas relações.