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Contributo para o conhecimento da falha de Pinhal Novo-Alcochete, no âmbito da neotectónica do vale inferior do Tejo

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Resumo:A Zona de Falha de Pinhal Novo-Alcochete (ZFPNA) localiza-se na região do Vale Inferior do Tejo, no sector oriental da Península de Setúbal, na Bacia Sedimentar Cenozóica do Baixo Tejo (BCBT), correspondendo a uma das principais macro-estruturas tectónicas da região de Lisboa. O registo de alguns eventos sísmicos históricos importantes ocorridos nesta área revela a presença de falhas activas sismogénicas, caracterizadas por apresentarem taxas de movimentação baixas, na ordem de 0,05 a 0,1 mm/ano, características de zonas intraplaca. Estas estruturas estão ainda deficientemente conhecidas, pelo que o seu estudo é fundamental na avaliação do risco sísmico da região de Lisboa, densamente povoada e urbanizada. O presente trabalho pretende ser uma contribuição para esse conhecimento ao abordar a sismotectónica regional, e a ZFPNA em particular. Neste contexto, começa-se por fazer um breve enquadramento geológico regional, com ênfase na estrutura e enchimento sedimentar da BCBT, de modo a enquadrar a ZFPNA na evolução tectónica da região, particularmente do Neogénico à actualidade. A ZFPNA terá funcionado como bordo da Bacia Lusitânica, o que implica o seu enraizamento profundo, no soco paleozóico, tendo sofrido reactivação em tectónica pelicular durante a inversão tectónica miocénica. Constitui uma das principais estruturas tectónicas provavelmente activas da região (entendida como a actividade no regime tectónico actual, abrangendo aproximadamente os últimos 3,5 Ma). Identificada essencialmente por dados de sub-superfície, tem uma direcção aproximada NNW-SSE, de geometria complexa, ramificada, abarcando uma zona larga de deformação de cerca de 1,5 km. Evidencia condições para um comprimento de ruptura de pelos menos 20 km, podendo ultrapassar os 30 km, e uma largura de ruptura entre 9 km e 18 km, compreendida na crosta sismogénica inferida pelos dados de sismicidade instrumental. O deslocamento sistemático dos horizontes estratigráficos mais superficiais (com idades estimadas de cerca de 3 Ma) e da superfície basal dos sedimentos pliocénicos, reconhecidos em perfis de reflexão sísmica e em sondagens efectuadas para fins diversos, aponta para actividade tectónica recente na ZFPNA, que é corroborada pelas evidências geomorfológicas, ainda que escassas. As estimativas do sismo máximo expectável indicam capacidade para a ZFPNA gerar sismos de magnitude entre 6 e 7, com intervalos médios de recorrência longos, na ordem de 3.000 a 11.000 anos. Estes longos períodos de retorno poderão justificar a ausência nos registos da sismicidade histórica e instrumental de actividade sísmica significativa associada a esta zona de falha, salvaguardando-se, contudo, a possibilidade de o importante sismo histórico de Setúbal, em 1858, ter ocorrido num segmento meridional desta estrutura. Interpreta-se assim a ZFPNA como a uma estrutura tectónica activa com movimentação dominante transpressiva esquerda desde o Pliocénico superior, que se tem comportado como sismicamente “silenciosa”, mas capaz de gerar sismos fortes, em intervalos de recorrência longos, desconhecendo-se em que fase do ciclo sísmico se encontra actualmente.
Autores principais:Moniz, Catarina Maria de Figueiredo Bettencourt
Assunto:Neotectónica Sismotectónica Zona de falha de Pinhal Novo-Alcochete Bacia Cenozóica do Baixo Tejo Região de Lisboa Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Zona de Falha de Pinhal Novo-Alcochete (ZFPNA) localiza-se na região do Vale Inferior do Tejo, no sector oriental da Península de Setúbal, na Bacia Sedimentar Cenozóica do Baixo Tejo (BCBT), correspondendo a uma das principais macro-estruturas tectónicas da região de Lisboa. O registo de alguns eventos sísmicos históricos importantes ocorridos nesta área revela a presença de falhas activas sismogénicas, caracterizadas por apresentarem taxas de movimentação baixas, na ordem de 0,05 a 0,1 mm/ano, características de zonas intraplaca. Estas estruturas estão ainda deficientemente conhecidas, pelo que o seu estudo é fundamental na avaliação do risco sísmico da região de Lisboa, densamente povoada e urbanizada. O presente trabalho pretende ser uma contribuição para esse conhecimento ao abordar a sismotectónica regional, e a ZFPNA em particular. Neste contexto, começa-se por fazer um breve enquadramento geológico regional, com ênfase na estrutura e enchimento sedimentar da BCBT, de modo a enquadrar a ZFPNA na evolução tectónica da região, particularmente do Neogénico à actualidade. A ZFPNA terá funcionado como bordo da Bacia Lusitânica, o que implica o seu enraizamento profundo, no soco paleozóico, tendo sofrido reactivação em tectónica pelicular durante a inversão tectónica miocénica. Constitui uma das principais estruturas tectónicas provavelmente activas da região (entendida como a actividade no regime tectónico actual, abrangendo aproximadamente os últimos 3,5 Ma). Identificada essencialmente por dados de sub-superfície, tem uma direcção aproximada NNW-SSE, de geometria complexa, ramificada, abarcando uma zona larga de deformação de cerca de 1,5 km. Evidencia condições para um comprimento de ruptura de pelos menos 20 km, podendo ultrapassar os 30 km, e uma largura de ruptura entre 9 km e 18 km, compreendida na crosta sismogénica inferida pelos dados de sismicidade instrumental. O deslocamento sistemático dos horizontes estratigráficos mais superficiais (com idades estimadas de cerca de 3 Ma) e da superfície basal dos sedimentos pliocénicos, reconhecidos em perfis de reflexão sísmica e em sondagens efectuadas para fins diversos, aponta para actividade tectónica recente na ZFPNA, que é corroborada pelas evidências geomorfológicas, ainda que escassas. As estimativas do sismo máximo expectável indicam capacidade para a ZFPNA gerar sismos de magnitude entre 6 e 7, com intervalos médios de recorrência longos, na ordem de 3.000 a 11.000 anos. Estes longos períodos de retorno poderão justificar a ausência nos registos da sismicidade histórica e instrumental de actividade sísmica significativa associada a esta zona de falha, salvaguardando-se, contudo, a possibilidade de o importante sismo histórico de Setúbal, em 1858, ter ocorrido num segmento meridional desta estrutura. Interpreta-se assim a ZFPNA como a uma estrutura tectónica activa com movimentação dominante transpressiva esquerda desde o Pliocénico superior, que se tem comportado como sismicamente “silenciosa”, mas capaz de gerar sismos fortes, em intervalos de recorrência longos, desconhecendo-se em que fase do ciclo sísmico se encontra actualmente.