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Preços de transferência, reporte informações financeiras entre jurisdições e tributação à economia digital : o caso português

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Resumo:O contexto económico-financeiro global apresentou, nas últimas décadas, uma forte evolução em torno dos movimentos de capitais transnacionais. Este facto, resultante de um quadro evolutivo de globalização, liberalização de circulação de capitais à escala internacional, e de transição para uma economia digital tem impactos inerentes nos factores capital e trabalho. Empresas multinacionais passaram a alocar os seus recursos, através de filiais e subsidiárias, globalmente consoante o setor de atividade em que se inserem. Diversos modelos de negócio passaram a ser desenvolvidos com base em mecanismos digitais, alterando não só a forma como bens e serviços são produzidos, mas também a forma como são mensurados. A alocação de lucros daí resultantes em diferentes jurisdições ganhou crescente relevância e implica dificuldades acrescidas às autoridades fiscais. Em muitos casos, face a um progresso digital mais célere do que acontece em termos de legislação fiscal, começam-se a levantar questões relativas à classificação de determinados tipos de ativos, nomeadamente relacionados com intangíveis. A OCDE, enquanto organismo internacional de cooperação em matéria política e económica tem apresentado evoluções e possíveis soluções no que a esta matéria diz respeito, dos quais se deve salientar o projeto BEPS. Nesta dissertação são abordados alguns pontos relativos a este projeto, principalmente no que diz respeito a matéria de Tributação à Economia Digital. No âmbito deste setor de atividade, pretendem-se investigar quais as correlações entre a matéria de Preços de Transferência e de reporte de informações financeiras/fiscais enquanto mecanismo de controlo ao planeamento fiscal agressivo. Adicionalmente, pretende-se também avaliar a forma como estes conceitos podem evoluir de modo a tornar a tributação mais efetiva e coerente face ao dinamismo específico deste setor. Para tal, pretende-se refletir como o conjunto específico deste tipo de atividades tem evoluído nas últimas décadas, a respetiva mensuração, no que respeita ao conceito de criação de valor, e qual o dinamismo da adaptação tributária ao longo do mesmo período. Por fim, abordam-se questões de prospeção futura, face à necessidade de adaptação destas matérias num contexto de “Revolução Digital” em que vivemos e cujo progresso se encontra em permanente evolução. Pretendem-se analisar os avanços no espectro da UE e particularmente no caso português, quais as suas limitações e a forma como estas poderão ser superadas. As principais ilações a retirar deste estudo prendem-se com a lenta evolução dos mecanismos inerentes à matéria de tributação quando comparativamente com o ritmo de evolução do setor tecnológico; a inexistência de enquadramento fiscal para determinadas operações empresariais e a falta de interligação entre os mecanismos de Preços de Transferência e de reporte de informações financeiras.
Autores principais:Valente, Pedro Filipe Azevedo Nunes
Assunto:Economia Digital Preços de Transferência Reporte de Informações Financeiras OCDE Tributação Empresarial Tributação Internacional Comércio Internacional Digital Economy Transfer Pricing Financial Information Report OECD Corporate Taxation International Taxation International Commerce
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O contexto económico-financeiro global apresentou, nas últimas décadas, uma forte evolução em torno dos movimentos de capitais transnacionais. Este facto, resultante de um quadro evolutivo de globalização, liberalização de circulação de capitais à escala internacional, e de transição para uma economia digital tem impactos inerentes nos factores capital e trabalho. Empresas multinacionais passaram a alocar os seus recursos, através de filiais e subsidiárias, globalmente consoante o setor de atividade em que se inserem. Diversos modelos de negócio passaram a ser desenvolvidos com base em mecanismos digitais, alterando não só a forma como bens e serviços são produzidos, mas também a forma como são mensurados. A alocação de lucros daí resultantes em diferentes jurisdições ganhou crescente relevância e implica dificuldades acrescidas às autoridades fiscais. Em muitos casos, face a um progresso digital mais célere do que acontece em termos de legislação fiscal, começam-se a levantar questões relativas à classificação de determinados tipos de ativos, nomeadamente relacionados com intangíveis. A OCDE, enquanto organismo internacional de cooperação em matéria política e económica tem apresentado evoluções e possíveis soluções no que a esta matéria diz respeito, dos quais se deve salientar o projeto BEPS. Nesta dissertação são abordados alguns pontos relativos a este projeto, principalmente no que diz respeito a matéria de Tributação à Economia Digital. No âmbito deste setor de atividade, pretendem-se investigar quais as correlações entre a matéria de Preços de Transferência e de reporte de informações financeiras/fiscais enquanto mecanismo de controlo ao planeamento fiscal agressivo. Adicionalmente, pretende-se também avaliar a forma como estes conceitos podem evoluir de modo a tornar a tributação mais efetiva e coerente face ao dinamismo específico deste setor. Para tal, pretende-se refletir como o conjunto específico deste tipo de atividades tem evoluído nas últimas décadas, a respetiva mensuração, no que respeita ao conceito de criação de valor, e qual o dinamismo da adaptação tributária ao longo do mesmo período. Por fim, abordam-se questões de prospeção futura, face à necessidade de adaptação destas matérias num contexto de “Revolução Digital” em que vivemos e cujo progresso se encontra em permanente evolução. Pretendem-se analisar os avanços no espectro da UE e particularmente no caso português, quais as suas limitações e a forma como estas poderão ser superadas. As principais ilações a retirar deste estudo prendem-se com a lenta evolução dos mecanismos inerentes à matéria de tributação quando comparativamente com o ritmo de evolução do setor tecnológico; a inexistência de enquadramento fiscal para determinadas operações empresariais e a falta de interligação entre os mecanismos de Preços de Transferência e de reporte de informações financeiras.