Publicação
Utilização de plasma autólogo no tratamento de úlceras da córnea no cão : estudo retrospetivo de 30 casos
| Resumo: | O plasma sanguíneo apresenta características semelhantes às da película lacrimal. Contém componentes que, quando aplicados topicamente, promovem a regeneração do tecido corneal e asseguram a sua integridade e viabilidade. Colírios formulados a partir de sangue do paciente são relativamente fáceis de obter e normalmente bem tolerados, sendo usados no tratamento de diversas doenças oculares. Em úlceras de córnea complicadas, para além de potenciar a cura, diminui ainda a atividade das colagenases envolvidas no processo. O presente estudo teve como objetivo realizar uma avaliação retrospetiva sobre a utilização de plasma autólogo no tratamento de úlceras da córnea em cães. Para isso, foram avaliados pacientes diagnosticados com úlceras corneais no HRVM num período de seis meses. Foi feita a caracterização da amostra, da doença e do tratamento. Para determinar a eficácia da plasmaterapia, foram comparados os tempos medianos de cicatrização das lesões superficiais tratadas com e sem plasma. Para defeitos graves (indolentes e profundos), estes tempos foram correlacionados de acordo com a frequência da administração. Recorreu-se a uma análise de sobrevivência para tratamento estatístico destes dados. A amostra incluiu 30 cães de 14 raças distintas, maioritariamente braquicéfalas (70%). A idade média foi de 6.69 ± 4.03 anos (compreendida entre 0.17-14 anos). 43.33% (n=13) das lesões eram estromais e 56.67% (n=17) afetaram apenas o epitélio. Destas, 40% (n=12) responderam ao tratamento e 16.67% (n=5) tiveram um comportamento indolente. A maioria das úlceras superficiais não era extensa (n=6; 50%) e as profundas eram predominantemente vastas e malácicas (n=4; 30.77%). O tratamento variou, tendo sido aplicado plasma autólogo em 5 das 12 lesões superficiais e em todas as graves (n=18). Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os tempos medianos de recuperação das lesões superficiais tratadas com e sem plasma (Kaplan Meier; p=0.9), nem entre os tempos de cura dos defeitos graves de acordo com a frequência de administração (Kaplan Meier; p=0.9). No presente estudo não foram observados efeitos adversos decorrentes da utilização de colírios de plasma autólogo, tendo sido demonstrado ser um produto bem tolerado pelos pacientes. Não foi possível obter resultados estatisticamente significativos que comprovem a sua eficácia, devido à heterogeneidade da amostra, diferenças nos protocolos terapêuticos adotados e ausência de grupos controlo. Estudos adicionais poderão contribuir para evidenciar os seus benefícios terapêuticos. |
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| Autores principais: | Ferreira, Leonor Amarelo |
| Assunto: | Úlcera da córnea Plasma autólogo Cão Corneal ulcer Autologous plasma Dog |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O plasma sanguíneo apresenta características semelhantes às da película lacrimal. Contém componentes que, quando aplicados topicamente, promovem a regeneração do tecido corneal e asseguram a sua integridade e viabilidade. Colírios formulados a partir de sangue do paciente são relativamente fáceis de obter e normalmente bem tolerados, sendo usados no tratamento de diversas doenças oculares. Em úlceras de córnea complicadas, para além de potenciar a cura, diminui ainda a atividade das colagenases envolvidas no processo. O presente estudo teve como objetivo realizar uma avaliação retrospetiva sobre a utilização de plasma autólogo no tratamento de úlceras da córnea em cães. Para isso, foram avaliados pacientes diagnosticados com úlceras corneais no HRVM num período de seis meses. Foi feita a caracterização da amostra, da doença e do tratamento. Para determinar a eficácia da plasmaterapia, foram comparados os tempos medianos de cicatrização das lesões superficiais tratadas com e sem plasma. Para defeitos graves (indolentes e profundos), estes tempos foram correlacionados de acordo com a frequência da administração. Recorreu-se a uma análise de sobrevivência para tratamento estatístico destes dados. A amostra incluiu 30 cães de 14 raças distintas, maioritariamente braquicéfalas (70%). A idade média foi de 6.69 ± 4.03 anos (compreendida entre 0.17-14 anos). 43.33% (n=13) das lesões eram estromais e 56.67% (n=17) afetaram apenas o epitélio. Destas, 40% (n=12) responderam ao tratamento e 16.67% (n=5) tiveram um comportamento indolente. A maioria das úlceras superficiais não era extensa (n=6; 50%) e as profundas eram predominantemente vastas e malácicas (n=4; 30.77%). O tratamento variou, tendo sido aplicado plasma autólogo em 5 das 12 lesões superficiais e em todas as graves (n=18). Não se encontraram diferenças estatisticamente significativas entre os tempos medianos de recuperação das lesões superficiais tratadas com e sem plasma (Kaplan Meier; p=0.9), nem entre os tempos de cura dos defeitos graves de acordo com a frequência de administração (Kaplan Meier; p=0.9). No presente estudo não foram observados efeitos adversos decorrentes da utilização de colírios de plasma autólogo, tendo sido demonstrado ser um produto bem tolerado pelos pacientes. Não foi possível obter resultados estatisticamente significativos que comprovem a sua eficácia, devido à heterogeneidade da amostra, diferenças nos protocolos terapêuticos adotados e ausência de grupos controlo. Estudos adicionais poderão contribuir para evidenciar os seus benefícios terapêuticos. |
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