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Acontecimentos traumáticos relacionados com a perda por morte : personalidade depressiva e sintomatologia psicopatológica

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Resumo:A presente dissertação insere-se no domínio da Psicologia Clínica e foca-se nos traços depressivos da personalidade e na sintomatologia psicopatológica em indivíduos que viveram uma perda traumática relacionada com a morte e em indivíduos que não reportaram ter vivido este tipo de perda. A amostra é composta por um total de 378 participantes de nacionalidade portuguesa, distribuídos por um grupo denominado de Grupo com Perda (n = 158) e um grupo denominado de Grupo sem Perda (n = 220), sendo que no Grupo com Perda as idades variam entre os 18 e os 85 anos (M = 41.69; DP = 14.08) e no Grupo sem Perda entre os 18 e os 83 anos (M = 39.1; DP = 13.94). Os principais objetivos consistem em: (1) analisar as relações entre traços depressivos da personalidade e sintomatologia psicopatológica em ambos os grupos; (2) comparar os resultados médios dos traços depressivos da personalidade e da sintomatologia psicopatológica entre os grupos; (3) explorar que traços depressivos da personalidade predizem a sintomatologia psicopatológica, em cada um dos grupos. São utilizados três instrumentos de autorrelato: o Life Event Checklist for DSM-5 (LEC-5); o Inventário de Traços Depressivos (ITD); e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI). Os resultados confirmam a existência de relações positivas entre as dimensões do ITD e do BSI, em ambos os grupos, embora de forma geral com dimensões de efeito mais fortes no Grupo sem Perda. Observa-se que o Grupo sem Perda apresenta resultados médios mais elevados de traços depressivos da personalidade no seu resultado total e nas dimensões Depressão de Fracasso e Depressão Relacional, e de sintomatologia psicopatológica no seu indicador geral e nos sintomas de Ansiedade Fóbica e Ideação Paranóide. Os modelos preditivos salientam a Depressão Essencial como preditora geral da maioria da sintomatologia psicopatológica, em ambos os grupos, embora conjugada com uma maior variedade de traços depressivos no Grupo sem Perda. Estes resultados evidenciam uma dimensão depressiva da personalidade menos acentuada em indivíduos que viveram uma perda traumática ao longo da sua vida, bem como um menor índice geral de sintomas psicopatológicos, o que sugere, à luz da literatura discutida, a existência de mudanças positivas no funcionamento psicológico e relacional destes indivíduos.
Autores principais:Lino, Carolina Franco Vieira
Assunto:Traços de personalidade Sintomas depressivos Psicopatologia Morte Luto Trauma Intervenção clínica Dissertações de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente dissertação insere-se no domínio da Psicologia Clínica e foca-se nos traços depressivos da personalidade e na sintomatologia psicopatológica em indivíduos que viveram uma perda traumática relacionada com a morte e em indivíduos que não reportaram ter vivido este tipo de perda. A amostra é composta por um total de 378 participantes de nacionalidade portuguesa, distribuídos por um grupo denominado de Grupo com Perda (n = 158) e um grupo denominado de Grupo sem Perda (n = 220), sendo que no Grupo com Perda as idades variam entre os 18 e os 85 anos (M = 41.69; DP = 14.08) e no Grupo sem Perda entre os 18 e os 83 anos (M = 39.1; DP = 13.94). Os principais objetivos consistem em: (1) analisar as relações entre traços depressivos da personalidade e sintomatologia psicopatológica em ambos os grupos; (2) comparar os resultados médios dos traços depressivos da personalidade e da sintomatologia psicopatológica entre os grupos; (3) explorar que traços depressivos da personalidade predizem a sintomatologia psicopatológica, em cada um dos grupos. São utilizados três instrumentos de autorrelato: o Life Event Checklist for DSM-5 (LEC-5); o Inventário de Traços Depressivos (ITD); e o Inventário de Sintomas Psicopatológicos (BSI). Os resultados confirmam a existência de relações positivas entre as dimensões do ITD e do BSI, em ambos os grupos, embora de forma geral com dimensões de efeito mais fortes no Grupo sem Perda. Observa-se que o Grupo sem Perda apresenta resultados médios mais elevados de traços depressivos da personalidade no seu resultado total e nas dimensões Depressão de Fracasso e Depressão Relacional, e de sintomatologia psicopatológica no seu indicador geral e nos sintomas de Ansiedade Fóbica e Ideação Paranóide. Os modelos preditivos salientam a Depressão Essencial como preditora geral da maioria da sintomatologia psicopatológica, em ambos os grupos, embora conjugada com uma maior variedade de traços depressivos no Grupo sem Perda. Estes resultados evidenciam uma dimensão depressiva da personalidade menos acentuada em indivíduos que viveram uma perda traumática ao longo da sua vida, bem como um menor índice geral de sintomas psicopatológicos, o que sugere, à luz da literatura discutida, a existência de mudanças positivas no funcionamento psicológico e relacional destes indivíduos.