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A Real Fábrica das Sedas e o comércio têxtil com o Brasil: 1734-1822

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Resumo:Na presente dissertação estudou-se a história da Real Fábrica das Sedas e da sua relação com o Brasil. Criada em Lisboa, em 1734, sob protecção régia, por um grupo de mercadores abastados, cedo a fábrica começou a experimentar problemas de ordem técnica e financeira, em resultado de um mercado deficiente e da concorrência dos tecidos ingleses de melhor qualidade e mais baixo preço. Em 1757, a fábrica recuperaria posição no mercado nacional e ultramarino por iniciativa do Secretário de Estado do Reino e Mercês, Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e futuro marquês de Pombal, devido às novas regras de gestão, designadamente: uma maior intervenção da Coroa, dependência administrativa da Junta do Comércio, promulgação de estatutos relativos às várias facetas da fábrica, tais como e, de entre outras, laboração, preparação técnica e protecção social dos empregados e suas famílias. O empreendimento acabou por funcionar como uma escola e uma corporação de ofícios. Paralelamente, ocorreu o alargamento da produção a outros sectores industriais, além dos têxteis, a contratação de artífices estrangeiros especializados, a articulação com as companhias monopolistas do comércio com o Brasil e a criação de normas creditícias para facilitar pagamentos. Deuse ainda um incentivo à plantação de amoreiras. Após a retirada do marquês de Pombal do governo, a alteração da política industrial não beneficiou a fábrica, que não soube enfrentar o incremento da concorrência inglesa nem a difusão mais acentuada do algodão no mercado. Finalmente, a retirada da família real e de parte da nobreza para o Brasil, devido às invasões francesas (1807), a abertura dos portos brasileiros (1808), a permissão de fabrico de sedas no Brasil (1808) e o tratado de comércio com a Inglaterra (1810), ditariam uma nova fase de decadência da fábrica, que culminaria com a sua venda em hasta pública, decretada pela portaria de 27 de Julho de 1835, do Ministro do Reino
Autores principais:Magalhães, Alberto da Conceição
Assunto:Real Fábrica das Sedas - Portugal Indústria textil - Portugal - séc.18-19 Condições económicas - Portugal - séc.18-19 Comércio - Brasil - séc.18-19 Teses de mestrado - 2011
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na presente dissertação estudou-se a história da Real Fábrica das Sedas e da sua relação com o Brasil. Criada em Lisboa, em 1734, sob protecção régia, por um grupo de mercadores abastados, cedo a fábrica começou a experimentar problemas de ordem técnica e financeira, em resultado de um mercado deficiente e da concorrência dos tecidos ingleses de melhor qualidade e mais baixo preço. Em 1757, a fábrica recuperaria posição no mercado nacional e ultramarino por iniciativa do Secretário de Estado do Reino e Mercês, Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e futuro marquês de Pombal, devido às novas regras de gestão, designadamente: uma maior intervenção da Coroa, dependência administrativa da Junta do Comércio, promulgação de estatutos relativos às várias facetas da fábrica, tais como e, de entre outras, laboração, preparação técnica e protecção social dos empregados e suas famílias. O empreendimento acabou por funcionar como uma escola e uma corporação de ofícios. Paralelamente, ocorreu o alargamento da produção a outros sectores industriais, além dos têxteis, a contratação de artífices estrangeiros especializados, a articulação com as companhias monopolistas do comércio com o Brasil e a criação de normas creditícias para facilitar pagamentos. Deuse ainda um incentivo à plantação de amoreiras. Após a retirada do marquês de Pombal do governo, a alteração da política industrial não beneficiou a fábrica, que não soube enfrentar o incremento da concorrência inglesa nem a difusão mais acentuada do algodão no mercado. Finalmente, a retirada da família real e de parte da nobreza para o Brasil, devido às invasões francesas (1807), a abertura dos portos brasileiros (1808), a permissão de fabrico de sedas no Brasil (1808) e o tratado de comércio com a Inglaterra (1810), ditariam uma nova fase de decadência da fábrica, que culminaria com a sua venda em hasta pública, decretada pela portaria de 27 de Julho de 1835, do Ministro do Reino