Publicação
O estatuto da matemática em Portugal nos séculos XVI e XVIII
| Resumo: | Em Itália, no ano de 1547, Alessandro Piccolomini relançou uma discussão antiga sobre o estatuto epistemológico das ciências matemáticas e a sua relação com os outros ramos do conhecimento humano. Estes tópicos, que assentavam numa análise contrastiva entre a teoria da ciência aristotélica e a geometria euclidiana, já eram discutidos na Antiguidade Clássica, acabando por ser introduzidos nos currículos de filosofia das principais universidades europeias durante a Idade Média. Mais tarde, foram retomados no século XVI, com novo vigor e sob uma nova perspectiva renascentista. Nasceu assim um debate que ficou conhecido como a Quaestio de certitudine mathematicarum e enquadrou o processo de revisão da filosofia aristotélica e a construção da moderna cultura científica ocidental. Este trabalho pretende alcançar dois objectivos. Em primeiro lugar, procura-se reinterpretar a ideia que se tem do debate histórico sobre o estatuto científico da matemática; para tal, analisa-se o desenvolvimento do debate desde Aristóteles até ao século XVIII, procedendo-se a uma reorganização e reinterpretação de ideias que se encontram dispersas em diversos estudos modernos. Em segundo lugar, procura-se determinar o contributo dos autores nacionais para o debate. Ao longo do estudo, mostra-se que foram os Jesuítas os responsáveis pela divulgação do debate em Portugal, no final do século XVI, embora houvesse já uma discussão genérica e não sistemática sobre o estatuto científico da matemática no meio universitário e letrado português. Mostra-se, além disso, que o debate teve grande difusão no nosso país e estava presente nas mais reputadas estruturas de ensino jesuítas locais, como o Colégio das Artes (Coimbra), a Universidade de Évora ou ainda a Aula de Esfera (Lisboa). Esta última tem uma importância particular na construção do debate português, porque criou o único núcleo de matemáticos que pôde sustentar socialmente a oposição à argumentação antimatemática vinda de alguns filósofos. Finalmente, faz-se notar a significativa contribuição para a discussão a nível nacional e a nível internacional por parte dos Jesuítas portugueses. |
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| Autores principais: | Mota, Bernardo M., 1977- |
| Assunto: | Matemática - Portugal - séc.16-18 História da ciência - Portugal - séc.16-18 Epistomologia Teses de doutoramento - 2008 |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em Itália, no ano de 1547, Alessandro Piccolomini relançou uma discussão antiga sobre o estatuto epistemológico das ciências matemáticas e a sua relação com os outros ramos do conhecimento humano. Estes tópicos, que assentavam numa análise contrastiva entre a teoria da ciência aristotélica e a geometria euclidiana, já eram discutidos na Antiguidade Clássica, acabando por ser introduzidos nos currículos de filosofia das principais universidades europeias durante a Idade Média. Mais tarde, foram retomados no século XVI, com novo vigor e sob uma nova perspectiva renascentista. Nasceu assim um debate que ficou conhecido como a Quaestio de certitudine mathematicarum e enquadrou o processo de revisão da filosofia aristotélica e a construção da moderna cultura científica ocidental. Este trabalho pretende alcançar dois objectivos. Em primeiro lugar, procura-se reinterpretar a ideia que se tem do debate histórico sobre o estatuto científico da matemática; para tal, analisa-se o desenvolvimento do debate desde Aristóteles até ao século XVIII, procedendo-se a uma reorganização e reinterpretação de ideias que se encontram dispersas em diversos estudos modernos. Em segundo lugar, procura-se determinar o contributo dos autores nacionais para o debate. Ao longo do estudo, mostra-se que foram os Jesuítas os responsáveis pela divulgação do debate em Portugal, no final do século XVI, embora houvesse já uma discussão genérica e não sistemática sobre o estatuto científico da matemática no meio universitário e letrado português. Mostra-se, além disso, que o debate teve grande difusão no nosso país e estava presente nas mais reputadas estruturas de ensino jesuítas locais, como o Colégio das Artes (Coimbra), a Universidade de Évora ou ainda a Aula de Esfera (Lisboa). Esta última tem uma importância particular na construção do debate português, porque criou o único núcleo de matemáticos que pôde sustentar socialmente a oposição à argumentação antimatemática vinda de alguns filósofos. Finalmente, faz-se notar a significativa contribuição para a discussão a nível nacional e a nível internacional por parte dos Jesuítas portugueses. |
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