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Por este mar adentro: êxitos e fracassos de mareantes e emigrantes algarvios na América Hispânica

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Resumo:No Algarve, no contexto da Carreira das Índias Ocidentais, primeiro ao longo do século XVI, depois, durante a União Ibérica, é notória a permeabilidade da fronteira, resultante da mobilidade partilhada por algarvios e andaluzes. Legal ou ilegalmente, a gente do mar do Algarve participava ativamente nesta rota fornecendo barcos, apetrechos e mão-de-obra qualificada ou abrigo para as Armadas da Guarda, sobretudo no porto de Portimão, contribuindo para uma inevitável interdependência económica e estratégica. Os algarvios que se aventuraram mar adentro, quando este se abriu ao mundo e se tornou um caminho por onde circulavam mercadorias, gente de toda a condição e ideias, não podiam imaginar o mundo sem água, movidos por uma certa euforia. O confronto com a novidade, a ousadia de enfrentar os medos, gerir a frágil existência, criar mecanismos de defesa contra toda a ordem de dificuldades e constrangimentos naturais, sociais, económicos e legislativos, vencer a disforia, adaptar-se e render-se à necessária versatilidade para sobreviver com sucesso, inovar para vencer as resistências, constituiu o repto dos mareantes, mercadores e emigrantes que os lançou na construção da Modernidade e no processo de globalização. Desta vaga gente recuperámos percursos de vida representativos do fluxo migratório entre as principais vilas e portos do Algarve e a América do Sul. Portimão, Lagos, Faro, Loulé e Tavira foram lugares de partida, de contrabando, de descaminhos, mas também de elos de uma teia de afetos entre os que partiram e os que ficaram. Por este mar adentro pretende, sob o ponto de vista historiográfico, recolocar o Algarve na sua dinâmica económica no espaço atlântico, por via da integração das suas gentes no processo expansionista espanhol nas Índias Ocidentais na Época Moderna.
Autores principais:Ventura, Maria Da Graça A. Mateus
Assunto:Algarve O Algarve na Carreira das Índias Ocidentais América Hispânica Emigração Mareantes Comércio Navegação
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:livro
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:No Algarve, no contexto da Carreira das Índias Ocidentais, primeiro ao longo do século XVI, depois, durante a União Ibérica, é notória a permeabilidade da fronteira, resultante da mobilidade partilhada por algarvios e andaluzes. Legal ou ilegalmente, a gente do mar do Algarve participava ativamente nesta rota fornecendo barcos, apetrechos e mão-de-obra qualificada ou abrigo para as Armadas da Guarda, sobretudo no porto de Portimão, contribuindo para uma inevitável interdependência económica e estratégica. Os algarvios que se aventuraram mar adentro, quando este se abriu ao mundo e se tornou um caminho por onde circulavam mercadorias, gente de toda a condição e ideias, não podiam imaginar o mundo sem água, movidos por uma certa euforia. O confronto com a novidade, a ousadia de enfrentar os medos, gerir a frágil existência, criar mecanismos de defesa contra toda a ordem de dificuldades e constrangimentos naturais, sociais, económicos e legislativos, vencer a disforia, adaptar-se e render-se à necessária versatilidade para sobreviver com sucesso, inovar para vencer as resistências, constituiu o repto dos mareantes, mercadores e emigrantes que os lançou na construção da Modernidade e no processo de globalização. Desta vaga gente recuperámos percursos de vida representativos do fluxo migratório entre as principais vilas e portos do Algarve e a América do Sul. Portimão, Lagos, Faro, Loulé e Tavira foram lugares de partida, de contrabando, de descaminhos, mas também de elos de uma teia de afetos entre os que partiram e os que ficaram. Por este mar adentro pretende, sob o ponto de vista historiográfico, recolocar o Algarve na sua dinâmica económica no espaço atlântico, por via da integração das suas gentes no processo expansionista espanhol nas Índias Ocidentais na Época Moderna.