Publicação
Evolução do teor de metais pesados em ambientes marginais e subtidais do estuário do Sado
| Resumo: | O ser humano tem vindo a ocupar as regiões marginais estuarinas em todo o mundo, sendo a maioria das grandes metrópoles situadas nos estuários. No entanto estes ambientes são frágeis e têm vindo a ser alvo de fortes pressões ambientais. Um dos contaminantes de interesse são os metais pesados, estes elementos estão presentes naturalmente nos sedimentos, as propriedades dos sedimentos bem como a atividade biota influenciam a adsorção destes elementos pelos sedimentos. A atividade antropogénica pode introduzir metais pesados no ambiente influenciando as suas concentrações naturais. Este trabalho tem como objetivos: (1) a recolha bibliográfica de dados geoquímicos existentes sobre a bacia hidrográfica do Sado, (2) o tratamento estatístico desses dados, (3) recolha e análise de uma sondagem recolhida na região da Mitrena (Setúbal), (4) interpretação de resultados, (5) definir valores de fundo para os contaminantes e (6) a avaliação do grau de contaminação dos sedimentos segundo a Portaria 1450/2007, 12 de novembro e outras metodologias. A percentagem de fração fina, alumínio e matéria orgânica, presentes nos sedimentos influenciam a sua capacidade de adsorção de metais, observando-se que nem todos os metais respondem da mesma forma a cada parâmetro: o Pb apresenta uma maior adsorção pela matéria orgânica enquanto o Cr apresenta uma maior adsorção pelo Al. Os maiores valores de concentração ocorrem maioritariamente associados a sedimentos finos, com uma grande percentagem de argilas e matéria orgânica. Observa-se que os sedimentos de fundo estuarino apresentam as maiores correlações entre a concentração de metais e a percentagem de matéria orgânica, fração fina e alumínio, comparativamente aos sedimentos mais marginais. Os elementos Cu, Pb e Zn apresentam algum grau de contaminação na sondagem MIT2 na zona mais superficial da sondagem, enquanto os restantes elementos estudados não apresentam contaminação. Aplicando o método Igeo, a idade de início de contaminação dos sedimentos é de 1909 para o Zn, 1924 para o Pb com o pico de contaminação em 1971 e o Cu em 1959. O pico de contaminação de Pb e o início de contaminação de Cu podem estar associados com o forte desenvolvimento que a região de Setúbal teve nas décadas de 60 e 70. O nível de contaminação do Zn apresenta-se estável praticamente desde o início do registo de contaminação, indicando que a fonte de contaminação seja anterior ao desenvolvimento de Setúbal e que tenha sido constante em mais de 100 anos. Com base nos dados bibliográficos foram identificadas 3 regiões ao longo da bacia hidrográfica do Sado com concentrações consideráveis de metais: a margem direita estuarina, a região de Grândola e o segmento do rio Sado entre Grândola e Alcácer do Sal. A nível da geologia regional as maiores concentrações de metais observadas estão situadas nas regiões proximais à Faixa Piritosa ibérica. Com base nos métodos aplicados, a bacia hidrográfica do Sado apresenta-se com níveis de contaminação no mínimo residual, à exceção dos seus afluentes Marateca e Comporta onde não apresenta contaminação. Os sedimentos com maior nível de contaminação estão associados a níveis elevados de sedimentos finos, alumínio e matéria orgânica. |
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| Autores principais: | Patrocínio, André Alberto dos Santos |
| Assunto: | Metais pesados contaminação estuário geoquímica valores de fundo Teses de mestrado - 2023 |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O ser humano tem vindo a ocupar as regiões marginais estuarinas em todo o mundo, sendo a maioria das grandes metrópoles situadas nos estuários. No entanto estes ambientes são frágeis e têm vindo a ser alvo de fortes pressões ambientais. Um dos contaminantes de interesse são os metais pesados, estes elementos estão presentes naturalmente nos sedimentos, as propriedades dos sedimentos bem como a atividade biota influenciam a adsorção destes elementos pelos sedimentos. A atividade antropogénica pode introduzir metais pesados no ambiente influenciando as suas concentrações naturais. Este trabalho tem como objetivos: (1) a recolha bibliográfica de dados geoquímicos existentes sobre a bacia hidrográfica do Sado, (2) o tratamento estatístico desses dados, (3) recolha e análise de uma sondagem recolhida na região da Mitrena (Setúbal), (4) interpretação de resultados, (5) definir valores de fundo para os contaminantes e (6) a avaliação do grau de contaminação dos sedimentos segundo a Portaria 1450/2007, 12 de novembro e outras metodologias. A percentagem de fração fina, alumínio e matéria orgânica, presentes nos sedimentos influenciam a sua capacidade de adsorção de metais, observando-se que nem todos os metais respondem da mesma forma a cada parâmetro: o Pb apresenta uma maior adsorção pela matéria orgânica enquanto o Cr apresenta uma maior adsorção pelo Al. Os maiores valores de concentração ocorrem maioritariamente associados a sedimentos finos, com uma grande percentagem de argilas e matéria orgânica. Observa-se que os sedimentos de fundo estuarino apresentam as maiores correlações entre a concentração de metais e a percentagem de matéria orgânica, fração fina e alumínio, comparativamente aos sedimentos mais marginais. Os elementos Cu, Pb e Zn apresentam algum grau de contaminação na sondagem MIT2 na zona mais superficial da sondagem, enquanto os restantes elementos estudados não apresentam contaminação. Aplicando o método Igeo, a idade de início de contaminação dos sedimentos é de 1909 para o Zn, 1924 para o Pb com o pico de contaminação em 1971 e o Cu em 1959. O pico de contaminação de Pb e o início de contaminação de Cu podem estar associados com o forte desenvolvimento que a região de Setúbal teve nas décadas de 60 e 70. O nível de contaminação do Zn apresenta-se estável praticamente desde o início do registo de contaminação, indicando que a fonte de contaminação seja anterior ao desenvolvimento de Setúbal e que tenha sido constante em mais de 100 anos. Com base nos dados bibliográficos foram identificadas 3 regiões ao longo da bacia hidrográfica do Sado com concentrações consideráveis de metais: a margem direita estuarina, a região de Grândola e o segmento do rio Sado entre Grândola e Alcácer do Sal. A nível da geologia regional as maiores concentrações de metais observadas estão situadas nas regiões proximais à Faixa Piritosa ibérica. Com base nos métodos aplicados, a bacia hidrográfica do Sado apresenta-se com níveis de contaminação no mínimo residual, à exceção dos seus afluentes Marateca e Comporta onde não apresenta contaminação. Os sedimentos com maior nível de contaminação estão associados a níveis elevados de sedimentos finos, alumínio e matéria orgânica. |
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