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Breve história da descoberta e evolução da anestesia

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos dias de hoje, em pleno século XXI, seria impensável submeter-nos a um procedimento mais invasivo sem antes nos assegurarmos, através do uso de anestésicos, que o mesmo seria indolor. No entanto, nem sempre foi assim – antes da descoberta da anestesia, os procedimentos cirúrgicos assemelhavam-se a verdadeiros cenários de tortura para o doente. Felizmente, atualmente essa não é uma preocupação, graças à curiosidade, inteligência e estudo dos clínicos que desenvolveram a utilização de anestésicos inalados para este fim. Mantém-se ainda hoje a controvérsia de a quem seria de atribuir a autoria dessa descoberta – se ao dentista Dr. Morton, que foi o primeiro a demonstrar publicamente e posteriormente publicar os resultados da utilização com sucesso anestésico do gás éter durante um procedimento cirúrgico, ou ao médico de família rural Dr. Long, que conseguiu provar que, anos antes de Dr. Morton, já ele teria usado o mesmo anestésico com sucesso em pequenos procedimentos cirúrgicos por ele executados. Independentemente da autoria, sabemos que estes e outros clínicos e químicos foram indispensáveis para o desenvolvimento desta especialidade, como o Prof. Jackson, que sugeriu a utilização de éter a Dr. Morton, o obstetra Dr. Simpson que utilizou pela primeira vez clorofórmio como gás anestésico e tantos outros que deram os seus inestimáveis contributos. Outros procedimentos de grande importância desenvolvidos foram a traqueostomia e a entubação endotraqueal. Desde as primeiras tentativas de realização de traqueostomia na Idade do Bronze, à utilização de tubos de diversos materiais, e desenvolvimento de laringoscópios, até aos dias de hoje, houve inúmeras modificações e clínicos envolvidos. Destes, destacam-se o pediatra Dr. O’Dwyer, que utilizou tubos de metal na via aérea de crianças com difteria, o cirurgião Dr. Kuhn que utilizou pela primeira vez cocaína para anestesiar localmente a via aérea dos doentes entubados, os médicos Dr. Guedel e Dr. Waters que adicionaram um cuff aos tubos de entubação, o que permitiu a ventilação de pressão positiva, e o anestesista Dr. Jackson, Dr. Miller e Dr. Macintosh que desenvolveram laringoscópios e técnicas de laringoscopia, algumas delas ainda hoje utilizadas.
Autores principais:Marcos, Ana Rita Nobre
Assunto:Anestésicos inalados Entubação endotraqueal Traqueostomia História Otorrinolaringologia
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nos dias de hoje, em pleno século XXI, seria impensável submeter-nos a um procedimento mais invasivo sem antes nos assegurarmos, através do uso de anestésicos, que o mesmo seria indolor. No entanto, nem sempre foi assim – antes da descoberta da anestesia, os procedimentos cirúrgicos assemelhavam-se a verdadeiros cenários de tortura para o doente. Felizmente, atualmente essa não é uma preocupação, graças à curiosidade, inteligência e estudo dos clínicos que desenvolveram a utilização de anestésicos inalados para este fim. Mantém-se ainda hoje a controvérsia de a quem seria de atribuir a autoria dessa descoberta – se ao dentista Dr. Morton, que foi o primeiro a demonstrar publicamente e posteriormente publicar os resultados da utilização com sucesso anestésico do gás éter durante um procedimento cirúrgico, ou ao médico de família rural Dr. Long, que conseguiu provar que, anos antes de Dr. Morton, já ele teria usado o mesmo anestésico com sucesso em pequenos procedimentos cirúrgicos por ele executados. Independentemente da autoria, sabemos que estes e outros clínicos e químicos foram indispensáveis para o desenvolvimento desta especialidade, como o Prof. Jackson, que sugeriu a utilização de éter a Dr. Morton, o obstetra Dr. Simpson que utilizou pela primeira vez clorofórmio como gás anestésico e tantos outros que deram os seus inestimáveis contributos. Outros procedimentos de grande importância desenvolvidos foram a traqueostomia e a entubação endotraqueal. Desde as primeiras tentativas de realização de traqueostomia na Idade do Bronze, à utilização de tubos de diversos materiais, e desenvolvimento de laringoscópios, até aos dias de hoje, houve inúmeras modificações e clínicos envolvidos. Destes, destacam-se o pediatra Dr. O’Dwyer, que utilizou tubos de metal na via aérea de crianças com difteria, o cirurgião Dr. Kuhn que utilizou pela primeira vez cocaína para anestesiar localmente a via aérea dos doentes entubados, os médicos Dr. Guedel e Dr. Waters que adicionaram um cuff aos tubos de entubação, o que permitiu a ventilação de pressão positiva, e o anestesista Dr. Jackson, Dr. Miller e Dr. Macintosh que desenvolveram laringoscópios e técnicas de laringoscopia, algumas delas ainda hoje utilizadas.