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Avaliação da actividade antivírica de extractos aquosos de plantas da flora aromática portuguesa

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Resumo:O objectivo deste trabalho foi avaliar in vitro a actividade antiviral de extractos aquosos de 3 espécies da família Asteraceae pertencentes à flora aromática portuguesa. Os extractos foram identificados por E3, E4, E6 e E8, tendo sido utilizado o ensaio colorimétrico do MTT para a determinação da sua citotoxicidade em células Vero. Determinaram-se os valores correspondentes à Concentação máxima não citotóxica (CMNC), a que inviabiliza 10% das células (CC10) e a que inviabiliza 50% das células (CC50). Fizeram-se ensaios de efeito virucida incubando suspensões do vírus da Encefalomiocardite murina (EMCV) com e sem os diferentes extractos e determinando, após titulação, as taxas de inactivação viral correspondentes, e a concentração que reduz em 50% o título das suspensões virais (CI50). Estudou-se ainda o efeito dos extractos em células infectadas, adicionando-os 30 minutos após o período de adsorção e titulando o vírus produzido nessas condições e em condições controlo (células infectadas não tratadas); devido à dificuldade na determinação da CMNC, foram utilizadas nestas experiências concentrações inferiores às da CC10. O extracto E6 foi o mais citotóxico com valores de CC50 igual a 270±0,02μg/ml e não apresentou acção directa sobre as partículas virais. Os restantes extractos mostraram acção directa sobre as partículas virais com valores de CI50 compreendidos entre 5±0,12 e 600±0,2μg/ml. Todos os extractos apresentaram percentagens de inibição da produção viral superior a 45%, tendo o extracto E6 atingido 96,8% de inibição. Estes resultados indicam que estes extractos, e de forma relevante o E6, actuam durante a replicação viral na célula hospedeira. Foi considerada a possibilidade de interferirem com a síntese de RNA viral, pelo que se extraiu RNA de células infectadas tratadas e não tratadas com os extractos para investigar a presença do genoma do EMCV através de um RT-PCR com primers específicos para uma região do RNA viral. A obtenção de produtos de amplificação a partir de todas as amostras de RNA, incluindo as das células infectadas na presença do extracto E6, mostrou que não é este o passo do ciclo replicativo do EMCV a ser afectado. Esta é a primeira vez que se relata a actividade antiviral de extractos aquosos de espécies da família Asteraceae frente ao EMCV.
Autores principais:Santos, Nadieny Cecília Kinda Barbosa dos, 1979-
Assunto:Plantas aromáticas Actividade antiviral Citotoxicidade Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objectivo deste trabalho foi avaliar in vitro a actividade antiviral de extractos aquosos de 3 espécies da família Asteraceae pertencentes à flora aromática portuguesa. Os extractos foram identificados por E3, E4, E6 e E8, tendo sido utilizado o ensaio colorimétrico do MTT para a determinação da sua citotoxicidade em células Vero. Determinaram-se os valores correspondentes à Concentação máxima não citotóxica (CMNC), a que inviabiliza 10% das células (CC10) e a que inviabiliza 50% das células (CC50). Fizeram-se ensaios de efeito virucida incubando suspensões do vírus da Encefalomiocardite murina (EMCV) com e sem os diferentes extractos e determinando, após titulação, as taxas de inactivação viral correspondentes, e a concentração que reduz em 50% o título das suspensões virais (CI50). Estudou-se ainda o efeito dos extractos em células infectadas, adicionando-os 30 minutos após o período de adsorção e titulando o vírus produzido nessas condições e em condições controlo (células infectadas não tratadas); devido à dificuldade na determinação da CMNC, foram utilizadas nestas experiências concentrações inferiores às da CC10. O extracto E6 foi o mais citotóxico com valores de CC50 igual a 270±0,02μg/ml e não apresentou acção directa sobre as partículas virais. Os restantes extractos mostraram acção directa sobre as partículas virais com valores de CI50 compreendidos entre 5±0,12 e 600±0,2μg/ml. Todos os extractos apresentaram percentagens de inibição da produção viral superior a 45%, tendo o extracto E6 atingido 96,8% de inibição. Estes resultados indicam que estes extractos, e de forma relevante o E6, actuam durante a replicação viral na célula hospedeira. Foi considerada a possibilidade de interferirem com a síntese de RNA viral, pelo que se extraiu RNA de células infectadas tratadas e não tratadas com os extractos para investigar a presença do genoma do EMCV através de um RT-PCR com primers específicos para uma região do RNA viral. A obtenção de produtos de amplificação a partir de todas as amostras de RNA, incluindo as das células infectadas na presença do extracto E6, mostrou que não é este o passo do ciclo replicativo do EMCV a ser afectado. Esta é a primeira vez que se relata a actividade antiviral de extractos aquosos de espécies da família Asteraceae frente ao EMCV.