Publicação
Desenvolvimentos imperiais e económicos na Roma republicana: uma introdução
| Resumo: | Este trabalho tem como objectivo fundamental estudar o período da República Romana que se estende do início do século IV ao final do século III a.C., privilegiando os desenvolvimentos imperial e económico da sociedade romana e do respectivo enquadramento na área mediterrânea. O estudo não deixa, contudo, de dar atenção a períodos prévios e posteriores de modo a permitir relacionar evoluções mais recentes com dados do passado e a manter presentes elementos sobre evoluções posteriores que não podem ser ignoradas, sobretudo quando se procura explicar situações anteriores para as quais os dados disponibilizados pelas fontes literárias ou pelo arquivo arqueológico se revelam insuficientes. A relativa escassez de dados existentes para o período que vai da conquista de Veios ao final da Segunda Guerra Púnica (capítulos 4 a 6) conduz assim a procurar explicitar elementos relativos ao período seguinte (com maior realce para o século II a.C.), sobretudo em termos de economia e recursos humanos (capítulo 2), que convém não ignorar quando se estuda o passado. Os antecedentes dos desenvolvimentos que são feitos sobre o período de duzentos anos que vão do início do século IV ao final do século III a.C. são apresentados no capítulo 3, enquanto, no que respeita propriamente ao dito período de duzentos anos, é estudada em primeiro lugar a evolução que vai do enfraquecimento político e militar de Roma derivado da incursão gaulesa até à extinção da Liga Latina, de algum modo inaugurando a expansão imperial do Estado Romano. Dáse a seguir atenção ao período que abrange a Segunda e Terceira Guerras Samnitas que se inicia com os avanços romanos na Campânia e na bacia do Médio Líris e que é concluído com a vitória romana em Sentino e a afirmação da respectiva hegemonia na Itália Central. O capítulo 6, começando por considerar o período que se inicia com a Guerra Pírrica e termina com a Península Itálica – em todo o território que se estendia de uma linha que ia de Pisa a Arímino e daí até ao sul da Itália – a passar a ser controlada por Roma, prossegue com o desencadeamento da Primeira Guerra Púnica. Terminada esta guerra com a vitória de Roma, seguem-se acontecimentos que traduzem o começo da expansão imperial romana na planície do Pó e além Adriático. Finalmente, em termos de rivalidades imperiais, tem lugar a Segunda Guerra Púnica, com os seus desenvolvimentos não só na Itália como na Hispânia, na Sicília, além Adriático e, naturalmente, em África. Em termos de desenvolvimentos económicos associados à expansão imperial, que são apresentados ao longo dos diversos capítulos, destacam-se em primeiro lugar as consequências para a sociedade romana da respectiva expansão territorial e demográfica que tem lugar até ao início do século III a.C., dando relevo em seguida aos aspectos de uma economia de cariz guerreiro que acompanham a integração na Comunidade Romana dos povos itálicos. Referem-se depois alguns indicadores do que se pode designar uma Revolução Económica ocorrida nas oito décadas que antecedem a Primeira Guerra Púnica, os quais terão sido precedidos sobretudo por hábitos de consumo que já se haviam manifestado em regiões da Itália como a Magna Grécia e também na Sicília. Com as referências à Primeira Guerra Púnica, são feitas comparações entre as economias de Roma e de Cartago, enfatizando as motivações e as consequências económicas do imperialismo romano com desenvolvimentos que vão das anexações de territórios às reparações de guerra e a possíveis motivações de teor mercantilista, passando pela criação e evolução das grandes explorações agropecuárias. Mais centrados no período da Segunda Guerra Púnica, são apresentados elementos que, fazendo referência a aspectos das finanças públicas romanas do período, procuram explicar como foi feito o financiamento da guerra, sendo também prestada atenção às consequências das devastações operadas pelos exércitos e evoluções noutras áreas, como foi o caso dos desenvolvimentos no domínio monetário, sobretudo os associados à criação do sistema metrológico do denário e à ocorrência de manipulações monetárias. No concernente às referidas devastações e às suas consequências sobre o abastecimento das populações e dos exércitos, é dado relevo à respectiva evolução no tempo, realçando a transição ocasionada pela retoma por Roma do controlo do território no período que sucedeu à estabilização militar na Campânia e na Sicília. |
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| Autores principais: | Carmo, Filipe Augusto Neves do |
| Assunto: | Condições económicas - Roma Expansão territorial - Roma Roma - Política e governo - 30 a.C.-476 (Império) Teses de doutoramento - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho tem como objectivo fundamental estudar o período da República Romana que se estende do início do século IV ao final do século III a.C., privilegiando os desenvolvimentos imperial e económico da sociedade romana e do respectivo enquadramento na área mediterrânea. O estudo não deixa, contudo, de dar atenção a períodos prévios e posteriores de modo a permitir relacionar evoluções mais recentes com dados do passado e a manter presentes elementos sobre evoluções posteriores que não podem ser ignoradas, sobretudo quando se procura explicar situações anteriores para as quais os dados disponibilizados pelas fontes literárias ou pelo arquivo arqueológico se revelam insuficientes. A relativa escassez de dados existentes para o período que vai da conquista de Veios ao final da Segunda Guerra Púnica (capítulos 4 a 6) conduz assim a procurar explicitar elementos relativos ao período seguinte (com maior realce para o século II a.C.), sobretudo em termos de economia e recursos humanos (capítulo 2), que convém não ignorar quando se estuda o passado. Os antecedentes dos desenvolvimentos que são feitos sobre o período de duzentos anos que vão do início do século IV ao final do século III a.C. são apresentados no capítulo 3, enquanto, no que respeita propriamente ao dito período de duzentos anos, é estudada em primeiro lugar a evolução que vai do enfraquecimento político e militar de Roma derivado da incursão gaulesa até à extinção da Liga Latina, de algum modo inaugurando a expansão imperial do Estado Romano. Dáse a seguir atenção ao período que abrange a Segunda e Terceira Guerras Samnitas que se inicia com os avanços romanos na Campânia e na bacia do Médio Líris e que é concluído com a vitória romana em Sentino e a afirmação da respectiva hegemonia na Itália Central. O capítulo 6, começando por considerar o período que se inicia com a Guerra Pírrica e termina com a Península Itálica – em todo o território que se estendia de uma linha que ia de Pisa a Arímino e daí até ao sul da Itália – a passar a ser controlada por Roma, prossegue com o desencadeamento da Primeira Guerra Púnica. Terminada esta guerra com a vitória de Roma, seguem-se acontecimentos que traduzem o começo da expansão imperial romana na planície do Pó e além Adriático. Finalmente, em termos de rivalidades imperiais, tem lugar a Segunda Guerra Púnica, com os seus desenvolvimentos não só na Itália como na Hispânia, na Sicília, além Adriático e, naturalmente, em África. Em termos de desenvolvimentos económicos associados à expansão imperial, que são apresentados ao longo dos diversos capítulos, destacam-se em primeiro lugar as consequências para a sociedade romana da respectiva expansão territorial e demográfica que tem lugar até ao início do século III a.C., dando relevo em seguida aos aspectos de uma economia de cariz guerreiro que acompanham a integração na Comunidade Romana dos povos itálicos. Referem-se depois alguns indicadores do que se pode designar uma Revolução Económica ocorrida nas oito décadas que antecedem a Primeira Guerra Púnica, os quais terão sido precedidos sobretudo por hábitos de consumo que já se haviam manifestado em regiões da Itália como a Magna Grécia e também na Sicília. Com as referências à Primeira Guerra Púnica, são feitas comparações entre as economias de Roma e de Cartago, enfatizando as motivações e as consequências económicas do imperialismo romano com desenvolvimentos que vão das anexações de territórios às reparações de guerra e a possíveis motivações de teor mercantilista, passando pela criação e evolução das grandes explorações agropecuárias. Mais centrados no período da Segunda Guerra Púnica, são apresentados elementos que, fazendo referência a aspectos das finanças públicas romanas do período, procuram explicar como foi feito o financiamento da guerra, sendo também prestada atenção às consequências das devastações operadas pelos exércitos e evoluções noutras áreas, como foi o caso dos desenvolvimentos no domínio monetário, sobretudo os associados à criação do sistema metrológico do denário e à ocorrência de manipulações monetárias. No concernente às referidas devastações e às suas consequências sobre o abastecimento das populações e dos exércitos, é dado relevo à respectiva evolução no tempo, realçando a transição ocasionada pela retoma por Roma do controlo do território no período que sucedeu à estabilização militar na Campânia e na Sicília. |
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