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O livro hebraico português na Idade Média : do Sefer He-Aruk de Seia (1284-85) aos manuscritos iluminados tardo-medievais da Escola de Lisboa e os primeiros incunábulos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta dissertação é dedicada ao estudo dos manuscritos hebraicos portugueses medievais produzidos entre os séculos XIII e XV, sendo realizada uma análise integrada e exaustiva deste património numa perspetiva material, histórica, cultural e artística, com especial incidência na produção da segunda metade do século XV, onde se concentra a esmagadora maioria dos remanescentes. O corpus coligido abrange cerca de sessenta manuscritos hebraicos produzidos em cidades como Lisboa, Faro, Torres Vedras, Elvas, Évora, Guarda, Leiria, Loulé, Moura, Porto, Santiago do Cacém, Seia e Setúbal, ainda que a hegemonia de Lisboa seja esmagadora, sendo desta cidade que provêm os manuscritos iluminados, amplamente considerados nesta dissertação. Enquanto a cópia dos manuscritos constitui um empreendimento privado, realizado por escribas que trabalharam por encomenda, a iluminura foi realizada por equipas de iluminadores, provavelmente associados em duas oficinas de iluminura distintas, mas em contacto, com atividade em Lisboa nas duas últimas décadas do século XV. A descoberta de um novo manuscrito iluminado com cólofon – a Bíblia de Moscovo de 1496 – permitiu definir com maior rigor a cronologia de vários manuscritos não-datados com decoração semelhante. Em termos estilísticos, estas iluminuras da Escola de Lisboa encontram-se filiadas no tardo-gótico internacional e no proto-renascimento, demonstrando uma abertura da comunidade judaica (ou pelo menos da sua elite cultural e económica, responsável pela encomenda dos volumes) à cultura latina da maioria cristã. O estudo dos incunábulos hebraicos, produzidos no mesmo período, e a análise das cercaduras decorativas impressas permite-nos concluir pela existência de uma continuidade visual entre o manuscrito hebraico e as primeiras edições impressas, havendo contágios mútuos entre as cercaduras iluminadas dos manuscritos e as cercaduras artísticas dos incunábulos. Depois da expulsão dos judeus de Portugal em 1496/97, o principal destino destes livros foi a Península Itálica, além do Norte de África e do Império Otomano, como é patente na informação interna deixada pelos sucessivos proprietários dos volumes.
Autores principais:Moita, Tiago Alexandre Asseiceira
Assunto:Manuscritos hebraicos medievais e modernos - Portugal Manuscritos iluminados hebraicos - Portugal - séc.13-15 Incunábulos - Portugal Teses de doutoramento - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação é dedicada ao estudo dos manuscritos hebraicos portugueses medievais produzidos entre os séculos XIII e XV, sendo realizada uma análise integrada e exaustiva deste património numa perspetiva material, histórica, cultural e artística, com especial incidência na produção da segunda metade do século XV, onde se concentra a esmagadora maioria dos remanescentes. O corpus coligido abrange cerca de sessenta manuscritos hebraicos produzidos em cidades como Lisboa, Faro, Torres Vedras, Elvas, Évora, Guarda, Leiria, Loulé, Moura, Porto, Santiago do Cacém, Seia e Setúbal, ainda que a hegemonia de Lisboa seja esmagadora, sendo desta cidade que provêm os manuscritos iluminados, amplamente considerados nesta dissertação. Enquanto a cópia dos manuscritos constitui um empreendimento privado, realizado por escribas que trabalharam por encomenda, a iluminura foi realizada por equipas de iluminadores, provavelmente associados em duas oficinas de iluminura distintas, mas em contacto, com atividade em Lisboa nas duas últimas décadas do século XV. A descoberta de um novo manuscrito iluminado com cólofon – a Bíblia de Moscovo de 1496 – permitiu definir com maior rigor a cronologia de vários manuscritos não-datados com decoração semelhante. Em termos estilísticos, estas iluminuras da Escola de Lisboa encontram-se filiadas no tardo-gótico internacional e no proto-renascimento, demonstrando uma abertura da comunidade judaica (ou pelo menos da sua elite cultural e económica, responsável pela encomenda dos volumes) à cultura latina da maioria cristã. O estudo dos incunábulos hebraicos, produzidos no mesmo período, e a análise das cercaduras decorativas impressas permite-nos concluir pela existência de uma continuidade visual entre o manuscrito hebraico e as primeiras edições impressas, havendo contágios mútuos entre as cercaduras iluminadas dos manuscritos e as cercaduras artísticas dos incunábulos. Depois da expulsão dos judeus de Portugal em 1496/97, o principal destino destes livros foi a Península Itálica, além do Norte de África e do Império Otomano, como é patente na informação interna deixada pelos sucessivos proprietários dos volumes.