Publicação
Transplante de mucosa olfativa no contexto de lesão medular
| Resumo: | A lesão traumática da medula espinal é uma das condições mais devastadoras para o ser humano. Após uma lesão deste tipo, o processo patofisiológico compreende não só a perda de conexões funcionais, mas também a inflamação, necrose hemorrágica progressiva e desmielinização, culminando numa morte celular progressiva. A ausência de regeneração axonal direcionada e o ambiente inibitório criado pela cicatriz fibroglial, torna a “auto-reparação” do dano do sistema nervoso central (SNC) muito limitada, resultando na perda permanente de função. Nos últimos anos, vários estudos apontaram o transplante neuronal como uma estratégia promissora para o tratamento da lesão medular crónica traumática. Considerando fontes autólogas de células, a mucosa olfativa é a única porção do sistema nervoso com capacidade vitalícia de auto-regeneração, o que motivou inúmeros estudos em torno da aplicação desta unidade estrutural no contexto de lesão medular. Destaca-se o estudo pioneiro português de 2006, em que o professor Carlos Lima e a sua equipa publicaram resultados promissores na sequência do transplante autólogo de mucosa olfativa em sete pacientes, todos eles portadores de lesão medular crónica completa secundária a um acidente de viação. Em 2016 Watsuki e a sua equipa repetiram o protocolo, corroborando os resultados obtidos 10 anos antes e reforçando que a estratégia é segura, viável e potencialmente benéfica. Por oposição ao transplante de mucosa olfativa, que envolve a implantação de toda a unidade estrutural e por isso inclui vários tipos de células, a estratégia de transplante celular implica a seleção e isolamento de tipos celulares específicos. Neste contexto foram estudadas células de diferentes origens. As células estaminais basais com origem na mucosa olfativa são responsáveis por repor as populações celulares perdidas num tecido que se encontra num estado de turnover continuo. Elas apresentam várias propriedades e vantagens relativamente às células estaminais com outras origens, o que incitou o interesse no contexto de lesão medular. De igual modo a células embainhantes dos axónios olfativos – células gliais especializadas que formam o “meio” de promoção e orientação do crescimento, mereceram a atenção por parte da comunidade científica. No entanto, o transplante de um único tipo de células parece não ser suficiente para conseguir a efetiva regeneração axonal e recuperação funcional. O que se propõe atualmente é uma estratégia de co-transplantação de células que use células estaminais olfativas como “sementes” e células gliais especializadas como “solo” Inevitavelmente colocam-se frente a frente ambas as opções terapêuticas expostas, na procura da estratégia mais eficaz: transplante de mucosa olfativa ou transplante celular? Seria precipitado responder a esta pergunta optando por uma das soluções terapêuticas como potencialmente mais benéfica. A resposta certa passa por uma investigação que procure alcançar soluções para as limitações e riscos que as atuais propostas apresentam, permanecendo alerta para sugestões alternativas que o avanço da ciência possa trazer. |
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| Autores principais: | Medeiros, Rita Pereira da Silva de, 1992- |
| Assunto: | Mucosa olfativa Células embainhantes dos axónios olfativos Células estaminais basais da mucosa olfativa Transplante Lesão medular |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A lesão traumática da medula espinal é uma das condições mais devastadoras para o ser humano. Após uma lesão deste tipo, o processo patofisiológico compreende não só a perda de conexões funcionais, mas também a inflamação, necrose hemorrágica progressiva e desmielinização, culminando numa morte celular progressiva. A ausência de regeneração axonal direcionada e o ambiente inibitório criado pela cicatriz fibroglial, torna a “auto-reparação” do dano do sistema nervoso central (SNC) muito limitada, resultando na perda permanente de função. Nos últimos anos, vários estudos apontaram o transplante neuronal como uma estratégia promissora para o tratamento da lesão medular crónica traumática. Considerando fontes autólogas de células, a mucosa olfativa é a única porção do sistema nervoso com capacidade vitalícia de auto-regeneração, o que motivou inúmeros estudos em torno da aplicação desta unidade estrutural no contexto de lesão medular. Destaca-se o estudo pioneiro português de 2006, em que o professor Carlos Lima e a sua equipa publicaram resultados promissores na sequência do transplante autólogo de mucosa olfativa em sete pacientes, todos eles portadores de lesão medular crónica completa secundária a um acidente de viação. Em 2016 Watsuki e a sua equipa repetiram o protocolo, corroborando os resultados obtidos 10 anos antes e reforçando que a estratégia é segura, viável e potencialmente benéfica. Por oposição ao transplante de mucosa olfativa, que envolve a implantação de toda a unidade estrutural e por isso inclui vários tipos de células, a estratégia de transplante celular implica a seleção e isolamento de tipos celulares específicos. Neste contexto foram estudadas células de diferentes origens. As células estaminais basais com origem na mucosa olfativa são responsáveis por repor as populações celulares perdidas num tecido que se encontra num estado de turnover continuo. Elas apresentam várias propriedades e vantagens relativamente às células estaminais com outras origens, o que incitou o interesse no contexto de lesão medular. De igual modo a células embainhantes dos axónios olfativos – células gliais especializadas que formam o “meio” de promoção e orientação do crescimento, mereceram a atenção por parte da comunidade científica. No entanto, o transplante de um único tipo de células parece não ser suficiente para conseguir a efetiva regeneração axonal e recuperação funcional. O que se propõe atualmente é uma estratégia de co-transplantação de células que use células estaminais olfativas como “sementes” e células gliais especializadas como “solo” Inevitavelmente colocam-se frente a frente ambas as opções terapêuticas expostas, na procura da estratégia mais eficaz: transplante de mucosa olfativa ou transplante celular? Seria precipitado responder a esta pergunta optando por uma das soluções terapêuticas como potencialmente mais benéfica. A resposta certa passa por uma investigação que procure alcançar soluções para as limitações e riscos que as atuais propostas apresentam, permanecendo alerta para sugestões alternativas que o avanço da ciência possa trazer. |
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