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Um conto popular e dois romances tradicionais nas memórias de uma contadora de estórias da Ponta Delgada, concelho de S. Vicente, ilha da Madeira (Portugal)

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Summary:Recolhemos um conto popular e dois romances orais tradicionais da boca de uma contadora de estórias de 97 anos da Ponta Delgada, concelho de S. Vicente, na ilha da Madeira (Portugal). A arte de contar estórias exige muito de memória e o dom de contar imagens e dar vida a uma narrativa entremeada de falas no discurso direto, com ritmo e vivacidade. Centraremos a nossa atenção no aspeto discursivo da linguagem na transmissão oral das estórias que passam, através da memória, de geração em geração, sendo modificadas a partir da própria realidade de vida do quotidiano da contadora de estórias e dos seus escutadores que lhe dão nova vida no momento da recitação. Mencionaremos as principais variantes das diferentes versões madeirenses das estórias, enquanto variações narrativas inseparáveis da própria linguagem, traduzindo a antiguidade desta tradição oral popular, mas também o papel da memória, na transmissão e consequente transformação da narrativa. Daí a literatura oral ou popular também ser denominada “literatura memorial”, porque esta existe no fio da memória de quem conta e de quem ouve. As suas características advêm da própria natureza da transmissão oral, com a riqueza das variantes linguístico-discursivas e as elipses ou omissões e adições que resultam das transformações das estórias no tempo e no espaço.
Main Authors:Nunes, Naidea
Subject:Memórias Contos e romances tradicionais Tradição oral Cultura popular da Madeira e do Porto Santo Português falado no Arquipélago da Madeira
Year:2016
Country:Portugal
Document type:article
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:Recolhemos um conto popular e dois romances orais tradicionais da boca de uma contadora de estórias de 97 anos da Ponta Delgada, concelho de S. Vicente, na ilha da Madeira (Portugal). A arte de contar estórias exige muito de memória e o dom de contar imagens e dar vida a uma narrativa entremeada de falas no discurso direto, com ritmo e vivacidade. Centraremos a nossa atenção no aspeto discursivo da linguagem na transmissão oral das estórias que passam, através da memória, de geração em geração, sendo modificadas a partir da própria realidade de vida do quotidiano da contadora de estórias e dos seus escutadores que lhe dão nova vida no momento da recitação. Mencionaremos as principais variantes das diferentes versões madeirenses das estórias, enquanto variações narrativas inseparáveis da própria linguagem, traduzindo a antiguidade desta tradição oral popular, mas também o papel da memória, na transmissão e consequente transformação da narrativa. Daí a literatura oral ou popular também ser denominada “literatura memorial”, porque esta existe no fio da memória de quem conta e de quem ouve. As suas características advêm da própria natureza da transmissão oral, com a riqueza das variantes linguístico-discursivas e as elipses ou omissões e adições que resultam das transformações das estórias no tempo e no espaço.