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A nova-figuração nas artes plásticas em Portugal : 1958-1975

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Resumo:A Nova-Figuração emergiu com sentido histórico por oposição ao domínio da arte abstracta no segundo pós-Guerra. Pertencendo a um tempo cultural pós-metafísico e sem a mesma consistência da percepção do real e da verdade, ela redefiniu a questão da figuração fora da autoridade e exclusividade do sistema tradicional de representação. A figura já não apresentava a mesma estabilidade ontológica, para passar a operar experimentalmente, em pluralidade e abertura. Enquanto na arte ocidental ela enquadrou movimentos como Pop Art, Nouveau Réalisme ou Figuration Narrative, no caso português verifica-se uma síntese destas orientações, localizadas particularmente em cada percurso artístico. Foi paralelamente à superação da querela neo-realista entre forma e conteúdo, como depois da querela entre figuração e abstracção necessária à afirmação da abstracção nos anos 50, que emergiu a nova-figuração ao longo da década seguinte. Perante novos projectos figurativos a crítica de arte participou na construção da noção de «nova-figuração», definindo um espaço cultural próprio na arte portuguesa. Numa primeira fase entendemos a génese criativa da nova-figuração como processo ainda assente numa superação de experiências abstractas (na primeira metade dos anos 60), com destaque para os projectos de Joaquim Rodrigo, René Bertholo, Lourdes Castro, Costa Pinheiro ou António Areal. Activando o esforço de reinvenção de tradições figurativas, sobretudo herdadas do surrealismo e do neo-realismo, desenvolveram-se as obras de Eduardo Luiz, Carlos Calvet, Cruz-Filipe, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis ou Sá Nogueira. Outros nomes surgiram na segunda metade da década ou seguinte, já sem necessidade de superar a recente tradição abstracta, casos de Henrique Ruivo, Álvaro Lapa, Palolo, Jorge Martins, Batarda, José de Guimarães, Noronha da Costa, entre outros. Na dinâmica portuguesa a nova-figuração permitiu reequacionar as vanguardas numa exploração experimental que, ao contrário da abstracção, era dirigida ao mundo e o abarcava. Abstracção; Arte Portuguesa; Figura; Nova-Figuração; Representação.
Autores principais:Dias, Fernando Paulo Rosa, 1964-
Assunto:Rodrigo, Joaquim, 1912-1997 Rego, Paula, 1935- KWY (Grupo de artistas) Bértholo, René, 1935-2005 Castro, Lourdes, 1930- Pinheiro, Costa, 1932- Areal, António, 1934-1978 Pomar, Júlio, 1926- Nogueira, Sá, 1921-2002 Skapinakis, Nikias, 1931- Ruivo, Henrique, 1935- Lapa, Álvaro, 1939-2006 Palolo, António, 1946-1999 Martins, Jorge, 1940- Batarda, Eduardo, 1943- Guimarães, José de, 1939- Costa, Noronha da, 1942- Cutileiro, João, 1937- Menéres, Clara, 1943- Arte Abstracção Representação Nova figuração Portugal Teses de doutoramento - 2009
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A Nova-Figuração emergiu com sentido histórico por oposição ao domínio da arte abstracta no segundo pós-Guerra. Pertencendo a um tempo cultural pós-metafísico e sem a mesma consistência da percepção do real e da verdade, ela redefiniu a questão da figuração fora da autoridade e exclusividade do sistema tradicional de representação. A figura já não apresentava a mesma estabilidade ontológica, para passar a operar experimentalmente, em pluralidade e abertura. Enquanto na arte ocidental ela enquadrou movimentos como Pop Art, Nouveau Réalisme ou Figuration Narrative, no caso português verifica-se uma síntese destas orientações, localizadas particularmente em cada percurso artístico. Foi paralelamente à superação da querela neo-realista entre forma e conteúdo, como depois da querela entre figuração e abstracção necessária à afirmação da abstracção nos anos 50, que emergiu a nova-figuração ao longo da década seguinte. Perante novos projectos figurativos a crítica de arte participou na construção da noção de «nova-figuração», definindo um espaço cultural próprio na arte portuguesa. Numa primeira fase entendemos a génese criativa da nova-figuração como processo ainda assente numa superação de experiências abstractas (na primeira metade dos anos 60), com destaque para os projectos de Joaquim Rodrigo, René Bertholo, Lourdes Castro, Costa Pinheiro ou António Areal. Activando o esforço de reinvenção de tradições figurativas, sobretudo herdadas do surrealismo e do neo-realismo, desenvolveram-se as obras de Eduardo Luiz, Carlos Calvet, Cruz-Filipe, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis ou Sá Nogueira. Outros nomes surgiram na segunda metade da década ou seguinte, já sem necessidade de superar a recente tradição abstracta, casos de Henrique Ruivo, Álvaro Lapa, Palolo, Jorge Martins, Batarda, José de Guimarães, Noronha da Costa, entre outros. Na dinâmica portuguesa a nova-figuração permitiu reequacionar as vanguardas numa exploração experimental que, ao contrário da abstracção, era dirigida ao mundo e o abarcava. Abstracção; Arte Portuguesa; Figura; Nova-Figuração; Representação.