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Histórias Cruzadas: identidades, fronteiras e ficções da lusofonia

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Resumo:O objectivo deste ensaio é contribuir para uma reflexão sobre o modo como o conceito de lusofonia foi produzido, apropriado e incorporado em discursos destinados a representar um determinado tipo de relacionamento histórico, temporal e espacialmente muito amplo, com sociedades situadas em continentes muito diversos entre si. Tenta traçar-se o percurso de emergência da categoria lusofonia, desde a sua configuração como unidade de significação de um discurso glotopolítico, até à sua mobilização conceptual como unidade de significação de um discurso científico. O texto é atravessado por duas ideias centrais. A primeira ideia sustenta que a língua não é independente dos processos de saber e de poder associados à sua utilização. A segunda sugere que a actualização do conceito de língua em lusofonia é uma tentativa de reconstruir uma categoria simbólica destinada a renegociar as identidades dos povos que tem como língua oficial o português. É sobre estas ideias que se equacionam três propostas de trabalho: propõe-se discutir a questão da língua como um espaço de intercompreensão e situa-se a emergência do vocábulo lusofonia na área linguística galaico-portuguesa; questiona-se a tese da uniformidade/identidade lusófona procurando salientar a multiplicidade de sentidos em que a fonia lusitana se fragmenta; e, por fim, identificam-se alguns elementos do discurso que permitem reconstituir o trajecto de ideias, temas e representações que operam a transição das narrativas coloniais para as pós-coloniais, momento em que se propõe uma delimitação operatória da categoria analítica “lusofonia”.
Autores principais:Madeira, Ana
Assunto:Educação Comparada Lusofonia Análise do discurso
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objectivo deste ensaio é contribuir para uma reflexão sobre o modo como o conceito de lusofonia foi produzido, apropriado e incorporado em discursos destinados a representar um determinado tipo de relacionamento histórico, temporal e espacialmente muito amplo, com sociedades situadas em continentes muito diversos entre si. Tenta traçar-se o percurso de emergência da categoria lusofonia, desde a sua configuração como unidade de significação de um discurso glotopolítico, até à sua mobilização conceptual como unidade de significação de um discurso científico. O texto é atravessado por duas ideias centrais. A primeira ideia sustenta que a língua não é independente dos processos de saber e de poder associados à sua utilização. A segunda sugere que a actualização do conceito de língua em lusofonia é uma tentativa de reconstruir uma categoria simbólica destinada a renegociar as identidades dos povos que tem como língua oficial o português. É sobre estas ideias que se equacionam três propostas de trabalho: propõe-se discutir a questão da língua como um espaço de intercompreensão e situa-se a emergência do vocábulo lusofonia na área linguística galaico-portuguesa; questiona-se a tese da uniformidade/identidade lusófona procurando salientar a multiplicidade de sentidos em que a fonia lusitana se fragmenta; e, por fim, identificam-se alguns elementos do discurso que permitem reconstituir o trajecto de ideias, temas e representações que operam a transição das narrativas coloniais para as pós-coloniais, momento em que se propõe uma delimitação operatória da categoria analítica “lusofonia”.