Publicação
Instabilidade de microssatélites como fator preditivo de resposta à quimioterapia perioperatória no adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica
| Resumo: | Introdução: Apesar de o gold standard nos doentes com adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica (JGE) localmente avançado ser a quimioterapia (QT) perioperatória, há uma evidência crescente, mas ainda incipiente, de que a instabilidade de microssatélites (MSI), caracterizada por expressão defeituosa de proteínas do sistema de mismatch repair (MMR), pode constituir um fator de prognóstico favorável, mas um fator preditivo negativo de resposta à QT. Objetivos: Definiu-se como objetivo primário avaliar o grau de regressão tumoral (GRT) nos doentes com adenocarcinoma gástrico ou da JGE localmente avançado, estratificando por status de MSI. Os objetivos específicos são: 1) estimar a prevalência de MSI em amostras tumorais dos doentes; 2) avaliar o GRT a regimes de QT perioperatória diferentes (FLOT vs ECF), estratificando por status de MSI; 3) avaliar a sobrevivência livre de progressão (SLP) e a sobrevivência global (SG), estratificando por status de MSI. Métodos: Estudo observacional de coorte retrospetivo unicêntrico, com recolha de dados clínicos e avaliação da MSI por métodos imunohistoquímicos e do GRT. Resultados: Verificou-se que 40,5% dos tumores apresentavam uma expressão defeituosa das proteínas de MMR (dMMR). Em comparação com os tumores com MMR preservado (pMMR), os dMMR apresentaram de forma estatisticamente significativa (p=0,024) uma pior regressão tumoral após QT pré-operatória. Não se atingiu a SG e SLP medianas em nenhum dos grupos (pMMR e dMMR). Apesar de não se ter verificado uma diferença estatisticamente significativa entre as curvas dos tumores pMMR e dMMR tanto na SG (p=0,603) como na SLP (p=0,917), a SG a 5 anos foi de 75,0% nos tumores dMMR e de 57,5% nos tumores pMMR. O esquema de QT utilizado não influenciou o GRT, a SG e a SLP. Conclusões: Nesta população, os tumores dMMR parecem ter pior resposta à QT préoperatória e não parecem um prognóstico diferente comparativamente com os tumores pMMR. |
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| Autores principais: | Lobo, Vasco Martins |
| Assunto: | Instabilidade de microssatélites Adenocarcinoma gástrico Adenocarcinoma da junção gastroesofágica Quimioterapia perioperatória Oncologia |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: Apesar de o gold standard nos doentes com adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica (JGE) localmente avançado ser a quimioterapia (QT) perioperatória, há uma evidência crescente, mas ainda incipiente, de que a instabilidade de microssatélites (MSI), caracterizada por expressão defeituosa de proteínas do sistema de mismatch repair (MMR), pode constituir um fator de prognóstico favorável, mas um fator preditivo negativo de resposta à QT. Objetivos: Definiu-se como objetivo primário avaliar o grau de regressão tumoral (GRT) nos doentes com adenocarcinoma gástrico ou da JGE localmente avançado, estratificando por status de MSI. Os objetivos específicos são: 1) estimar a prevalência de MSI em amostras tumorais dos doentes; 2) avaliar o GRT a regimes de QT perioperatória diferentes (FLOT vs ECF), estratificando por status de MSI; 3) avaliar a sobrevivência livre de progressão (SLP) e a sobrevivência global (SG), estratificando por status de MSI. Métodos: Estudo observacional de coorte retrospetivo unicêntrico, com recolha de dados clínicos e avaliação da MSI por métodos imunohistoquímicos e do GRT. Resultados: Verificou-se que 40,5% dos tumores apresentavam uma expressão defeituosa das proteínas de MMR (dMMR). Em comparação com os tumores com MMR preservado (pMMR), os dMMR apresentaram de forma estatisticamente significativa (p=0,024) uma pior regressão tumoral após QT pré-operatória. Não se atingiu a SG e SLP medianas em nenhum dos grupos (pMMR e dMMR). Apesar de não se ter verificado uma diferença estatisticamente significativa entre as curvas dos tumores pMMR e dMMR tanto na SG (p=0,603) como na SLP (p=0,917), a SG a 5 anos foi de 75,0% nos tumores dMMR e de 57,5% nos tumores pMMR. O esquema de QT utilizado não influenciou o GRT, a SG e a SLP. Conclusões: Nesta população, os tumores dMMR parecem ter pior resposta à QT préoperatória e não parecem um prognóstico diferente comparativamente com os tumores pMMR. |
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