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Distribuição das associações de Foraminíferos e Ostracodos bentónicos na zona superior do talude continental oeste-algarvio: avaliação da influência do regime de produtividade

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Resumo:Esta dissertação foi desenvolvida com base no estudo de dez amostras recolhidas na parte superior do talude continental oeste algarvio, a sul de Portugal, entre -233m e -511 m, em Janeiro e Junho de 2008. Os objectivos essenciais foram: 1) caracterizar as associações de foraminíferos e ostracodos da zona de estudo, identificando as espécies que as constituem, 2) avaliar a influência do upwelling costeiro, nomeadamente a sua sazonalidade e 3) da Veia de Água do Mediterrâneo na constituição e distribuição destas associações. As amostras foram tratadas em laboratório segundo os métodos clássicos, usados em Micropaleontologia, de lavagem, triagem, identificação taxonómica e contagem das espécies. Para os foraminíferos triaram-se cerca de 300 indivíduos por amostra e para os ostracodos 30 cm3 do resíduo de lavagem (ᴓ>63µm). Obtiveram-se 4 313 espécimens de foraminíferos distribuídos por 100 espécies, pertencentes a 60 géneros entre os quais se destacam: Bolivina, Bolivinellina, Bulimina, Cassidulina, Globocassidulina, Hyalinea, Trifarina e Uvigerina. Foram traídos 3 947 espécimens de ostracodos, distribuídos por 78 espécies, pertencentes a 45 géneros entre os quais se destacam: Buntonia, Bythocypris, Cytherella, Cytheropteron, Henryhowella, Krithe, Paracypris, Parakrithe, Pterygocythereis e Rectobuntonia. Nas associações de foraminíferos reconheceram-se 5 espécies dominantes: Bolivina ordinária, Bolivina spathulata, Bulimina marginata, Cassidulina carinata e Cassidulina teretis. Nas associações de ostracodos destacam-se Bythocypris obtusata, Cytherella alvearium, Cytherella sp. 1, Henryhowella sarsii, Krithe keyi, Krithe aff. Praetexta, Krithe aff. Pernoides e Paracypris polita como espécies dominantes, das quais se salientam Henryhowella sarsii e K. aff. Praetexta presentes ao longo de todo o talude. As espécies acessórias de foraminíferos perfazem um total de 35 e no caso dos ostracodos de 31. Estas espécies são na sua maioria alóctones, que sofreram transporte, sendo algumas mediterrâneas e outras da zona costeira. A maior abundância de espécies mediterrâneas surge na Estações 19, 20 e 21, que correspondem às amostras em que o sedimento é mais grosseiro (47% a 65% de sedimento fino). As espécies de ostracodos associadas a estas amostras são Anchistrocheles cf. Tenera, Bythocypris obtusata, Cytherella alvearium, Henryhowella sarsii e Rectobuntonia miranda. Entre as espécies mediterrâneas de foraminíferos, a mais abundantes é Uvigerina mediterrânea. A aplicação da análise de Clusters, modo R e modo Q e da análise de correspondências (CA) permitiu correlacionar as espécies e as amostras com alguns factores do meio. Verificou-se que os ostracodos se correlacionam positivamente com a textura do sedimento e com a profundidade, enquanto os foraminíferos não mostram correlação com estes factores, mas sim com outros factores como a quantidade ou o tipo de matéria orgânica presente no sedimento. Juntando os resultados obtidos com o estudo oceanográfico foi possível reconhecer a influência da Veia de Água do Mediterrâneo, através do upwelling costeiro a estas profundidades.
Autores principais:Matias, Cátia Andreia Vieira Pinto
Assunto:Foraminíferos Ostracodos Algarve Talude continental Mar Mediterrâneo Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta dissertação foi desenvolvida com base no estudo de dez amostras recolhidas na parte superior do talude continental oeste algarvio, a sul de Portugal, entre -233m e -511 m, em Janeiro e Junho de 2008. Os objectivos essenciais foram: 1) caracterizar as associações de foraminíferos e ostracodos da zona de estudo, identificando as espécies que as constituem, 2) avaliar a influência do upwelling costeiro, nomeadamente a sua sazonalidade e 3) da Veia de Água do Mediterrâneo na constituição e distribuição destas associações. As amostras foram tratadas em laboratório segundo os métodos clássicos, usados em Micropaleontologia, de lavagem, triagem, identificação taxonómica e contagem das espécies. Para os foraminíferos triaram-se cerca de 300 indivíduos por amostra e para os ostracodos 30 cm3 do resíduo de lavagem (ᴓ>63µm). Obtiveram-se 4 313 espécimens de foraminíferos distribuídos por 100 espécies, pertencentes a 60 géneros entre os quais se destacam: Bolivina, Bolivinellina, Bulimina, Cassidulina, Globocassidulina, Hyalinea, Trifarina e Uvigerina. Foram traídos 3 947 espécimens de ostracodos, distribuídos por 78 espécies, pertencentes a 45 géneros entre os quais se destacam: Buntonia, Bythocypris, Cytherella, Cytheropteron, Henryhowella, Krithe, Paracypris, Parakrithe, Pterygocythereis e Rectobuntonia. Nas associações de foraminíferos reconheceram-se 5 espécies dominantes: Bolivina ordinária, Bolivina spathulata, Bulimina marginata, Cassidulina carinata e Cassidulina teretis. Nas associações de ostracodos destacam-se Bythocypris obtusata, Cytherella alvearium, Cytherella sp. 1, Henryhowella sarsii, Krithe keyi, Krithe aff. Praetexta, Krithe aff. Pernoides e Paracypris polita como espécies dominantes, das quais se salientam Henryhowella sarsii e K. aff. Praetexta presentes ao longo de todo o talude. As espécies acessórias de foraminíferos perfazem um total de 35 e no caso dos ostracodos de 31. Estas espécies são na sua maioria alóctones, que sofreram transporte, sendo algumas mediterrâneas e outras da zona costeira. A maior abundância de espécies mediterrâneas surge na Estações 19, 20 e 21, que correspondem às amostras em que o sedimento é mais grosseiro (47% a 65% de sedimento fino). As espécies de ostracodos associadas a estas amostras são Anchistrocheles cf. Tenera, Bythocypris obtusata, Cytherella alvearium, Henryhowella sarsii e Rectobuntonia miranda. Entre as espécies mediterrâneas de foraminíferos, a mais abundantes é Uvigerina mediterrânea. A aplicação da análise de Clusters, modo R e modo Q e da análise de correspondências (CA) permitiu correlacionar as espécies e as amostras com alguns factores do meio. Verificou-se que os ostracodos se correlacionam positivamente com a textura do sedimento e com a profundidade, enquanto os foraminíferos não mostram correlação com estes factores, mas sim com outros factores como a quantidade ou o tipo de matéria orgânica presente no sedimento. Juntando os resultados obtidos com o estudo oceanográfico foi possível reconhecer a influência da Veia de Água do Mediterrâneo, através do upwelling costeiro a estas profundidades.