Publicação
A presença de Alceste na música erudita: Eurípides e Gluck, Calzabigi e du Roullet
| Resumo: | Alceste é a mulher que renuncia à vida por amor ao marido, Admeto, rei de Tessália, cuja morte as Moiras exigiram por se ter esquecido de sacrificar a Ártemis no dia do seu casamento. Alceste é a esposa perfeita, de uma dedicação total ao ser que ama. Referimos a sua presença em dois compositores que representam dois momentos fulcrais e distintos da estética musical operística: Jean-Baptiste Lully, que escreve, em 1674, Alceste (ou le triomphe d’Alcide), com um libreto de Quinault; e Christoph Willibald Ritter von Gluck, Alceste (1767, rev. 1776), com uma versão italiana de Calzabigi e uma outra francesa, de Lebland du Rollet, escrita a partir da primeira. Lully, de acordo com cânones barrocos, mantém-se na linha do amor galante, fazendo de Alceste uma prometida de Admeto, que Héracles resgata. As adições novelescas são várias, pois nem sequer é preocupação de Quinault manter-se fiel à fonte clássica. Um século depois, Gluck apresenta o mito na sua segunda ópera reformista, em que bane as coloraturas, os recitativos e as improvisações virtuosísticas. A nossa perspectiva de análise centra-se em perceber de que forma as Alcestes de Gluck, quer a de Calzabigi quer a de du Roullet, são legítimas herdeiras do mundo antigo, em geral, e do teatro euripidiano, em particular. Na verdade, é inspirado pela economia dramática do teatro grego que Gluck desenvolve uma estética que adequa as tessituras vocais aos sentimentos das personagens: a música numa íntima conexão com as palavras é também ela palavra, uma estética que fez do compositor o precursor de Wagner, de Weber e de Strauss. |
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| Autores principais: | Sousa, Ana Alexandra Alves de |
| Assunto: | Ópera reformista Alceste Lully, Jean-Baptiste, 1632-1687 Gluck, Christoph Willibald von, 1714-1787 Eurípides, 0480-0406 a.C. Palavra |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Alceste é a mulher que renuncia à vida por amor ao marido, Admeto, rei de Tessália, cuja morte as Moiras exigiram por se ter esquecido de sacrificar a Ártemis no dia do seu casamento. Alceste é a esposa perfeita, de uma dedicação total ao ser que ama. Referimos a sua presença em dois compositores que representam dois momentos fulcrais e distintos da estética musical operística: Jean-Baptiste Lully, que escreve, em 1674, Alceste (ou le triomphe d’Alcide), com um libreto de Quinault; e Christoph Willibald Ritter von Gluck, Alceste (1767, rev. 1776), com uma versão italiana de Calzabigi e uma outra francesa, de Lebland du Rollet, escrita a partir da primeira. Lully, de acordo com cânones barrocos, mantém-se na linha do amor galante, fazendo de Alceste uma prometida de Admeto, que Héracles resgata. As adições novelescas são várias, pois nem sequer é preocupação de Quinault manter-se fiel à fonte clássica. Um século depois, Gluck apresenta o mito na sua segunda ópera reformista, em que bane as coloraturas, os recitativos e as improvisações virtuosísticas. A nossa perspectiva de análise centra-se em perceber de que forma as Alcestes de Gluck, quer a de Calzabigi quer a de du Roullet, são legítimas herdeiras do mundo antigo, em geral, e do teatro euripidiano, em particular. Na verdade, é inspirado pela economia dramática do teatro grego que Gluck desenvolve uma estética que adequa as tessituras vocais aos sentimentos das personagens: a música numa íntima conexão com as palavras é também ela palavra, uma estética que fez do compositor o precursor de Wagner, de Weber e de Strauss. |
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