Publicação
Perceção da entoação do chinês mandarim L2 por falantes de português europeu
| Resumo: | O presente trabalho tem como objetivo estudar a perceção da entoação do chinês mandarim (CM) por falantes de português europeu (PE) que adquirem CM como língua segunda (L2). De acordo com Gussenhoven (2004), o PE é uma língua entoacional, em que a entoação veicula significados ao nível frásico, e o CM é uma língua tonal em que o tom determina significados ao nível lexical e a entoação transmite significados ao nível frásico. A distinção dos tipos frásicos no CM parece mais complicada do que no PE. O nosso trabalho visa (i) investigar se os falantes de PE que adquirem CM como L2 conseguem ou não identificar os dois tipos frásicos - declarativa e interrogativa sim-não sem partícula - no CM, (ii) verificar qual ou quais as pistas que eles usam para a sua identificação e (iii) observar se existem efeitos de influência de língua materna (L1) na aquisição da entoação da língua não materna. Para atingir estes objetivos, foi realizada uma tarefa de identificação baseada na metodologia do estudo de Xu & Mok (2012), que permite investigar tanto o efeito do tom alto de fronteira quanto o efeito do tom lexical da última sílaba do enunciado na perceção da entoação, sem interferências da construção sintática ou do significado dos enunciados. A tarefa foi aplicada a um grupo de controlo constituído por 16 falantes adultos de CM L1 e a um grupo experimental constituído por 16 falantes adultos de PE L1 que adquirem CM como L2. Os resultados mostram que (i) os falantes de PE L1 que adquirem CM como L2 conseguem identificar a entoação declarativa do CM, mas têm dificuldade na identificação da entoação interrogativa; (ii) a pista localizada na última sílaba do enunciado afeta sobretudo a identificação da interrogativa sim-não do CM, tanto para os falantes de CM L1 quanto para os falantes de CM L2, no entanto, este último grupo mostrou-se menos sensível à ausência da sílaba final, possivelmente por reinterpretar a última sílaba que ouve como a sílaba final, mesmo quando o enunciado foi cortado, contrariamente aos falantes de CM L1, que são mais sensíveis a pistas entoacionais de ordem global; (iii) existe um efeito de assimetria entre Tom1 e outros tons na identificação da declarativa para os falantes de CM L2, que apresentam mais dificuldade no caso de Tom1 final (mas não para os falantes de CM L1); existe um efeito de assimetria entre Tom2 e Tom4 na identificação da interrogativa para os falantes de CM L1 (mas não para os falantes de CM L2), isto é, o Tom4 final facilita a identificação da interrogativa, mas não o Tom2 final; (iv) existem efeitos de influência de L1 (o PE) na aquisição da entoação de L2 (o CM). |
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| Autores principais: | Guo, Jiajie |
| Assunto: | Língua chinesa - Estudo e ensino - Falantes do português Língua chinesa - Entoação (Linguística) Língua portuguesa - Entoação (Linguística) Entoação (Linguística) Percepção de fala Tese de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente trabalho tem como objetivo estudar a perceção da entoação do chinês mandarim (CM) por falantes de português europeu (PE) que adquirem CM como língua segunda (L2). De acordo com Gussenhoven (2004), o PE é uma língua entoacional, em que a entoação veicula significados ao nível frásico, e o CM é uma língua tonal em que o tom determina significados ao nível lexical e a entoação transmite significados ao nível frásico. A distinção dos tipos frásicos no CM parece mais complicada do que no PE. O nosso trabalho visa (i) investigar se os falantes de PE que adquirem CM como L2 conseguem ou não identificar os dois tipos frásicos - declarativa e interrogativa sim-não sem partícula - no CM, (ii) verificar qual ou quais as pistas que eles usam para a sua identificação e (iii) observar se existem efeitos de influência de língua materna (L1) na aquisição da entoação da língua não materna. Para atingir estes objetivos, foi realizada uma tarefa de identificação baseada na metodologia do estudo de Xu & Mok (2012), que permite investigar tanto o efeito do tom alto de fronteira quanto o efeito do tom lexical da última sílaba do enunciado na perceção da entoação, sem interferências da construção sintática ou do significado dos enunciados. A tarefa foi aplicada a um grupo de controlo constituído por 16 falantes adultos de CM L1 e a um grupo experimental constituído por 16 falantes adultos de PE L1 que adquirem CM como L2. Os resultados mostram que (i) os falantes de PE L1 que adquirem CM como L2 conseguem identificar a entoação declarativa do CM, mas têm dificuldade na identificação da entoação interrogativa; (ii) a pista localizada na última sílaba do enunciado afeta sobretudo a identificação da interrogativa sim-não do CM, tanto para os falantes de CM L1 quanto para os falantes de CM L2, no entanto, este último grupo mostrou-se menos sensível à ausência da sílaba final, possivelmente por reinterpretar a última sílaba que ouve como a sílaba final, mesmo quando o enunciado foi cortado, contrariamente aos falantes de CM L1, que são mais sensíveis a pistas entoacionais de ordem global; (iii) existe um efeito de assimetria entre Tom1 e outros tons na identificação da declarativa para os falantes de CM L2, que apresentam mais dificuldade no caso de Tom1 final (mas não para os falantes de CM L1); existe um efeito de assimetria entre Tom2 e Tom4 na identificação da interrogativa para os falantes de CM L1 (mas não para os falantes de CM L2), isto é, o Tom4 final facilita a identificação da interrogativa, mas não o Tom2 final; (iv) existem efeitos de influência de L1 (o PE) na aquisição da entoação de L2 (o CM). |
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