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A psicologia da construção da vida : incursões no conceito da adaptabilidade para o estudo da influência parental na construção de carreira em adolescentes

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Enquadrado em modelos concetuais da psicologia vocacional, que valorizam o caráter coconstruído do self e da carreira, o estudo investiga a influência parental na adaptabilidade de carreira (AC) de adolescentes (n=403), clientes do Instituto de Orientação Profissional. O instrumento utilizado – Inventário sobre Adaptabilidade (IA) – constitui a versão experimental portuguesa da operacionalização internacional do construto multidimensional e psicossocial de AC de Savickas (2005, 2008b) que integra as escalas Preocupação, Controlo, Curiosidade, Cooperação e Confiança (os 5 C’s). São preparadas formas para heteroperceção da AC entre pais e filhos. Colhem-se dados sobre (1) variáveis sociodemográficas das mães (n=384), dos pais (n=364) e das famílias (n=388); e (2) variáveis psicológicas, referentes às medidas da AC de pais e de filhos e às respetivas heteroperceções. Os dados de filhos, de mães e de pais são emparelhados. Resultados principais: (1) Nos estudos de precisão e de validade verificam-se adequadas características psicométricas das medidas psicológicas colhidas, assim como o seu ajustamento ao modelo teórico de 5 C’s da AC. (2) Nos estudos diferenciais verifica-se que os jovens que frequentam o 9º ano apresentam a AC mais elevada do que os que frequentam o 12º, e que não há diferenças na AC em função do sexo. Relativamente às variáveis sociodemográficas parentais apenas o estatuto socioeconómico da família diferencia moderadamente a AC dos filhos. A configuração familiar não diferencia a AC dos filhos. (3) Nos estudos de regressão linear múltipla (RLM) constata-se que apenas variáveis psicológicas contribuem para a explicação da variância da AC dos filhos. Do modelo de RLM que testa as 30 variáveis psicológicas (considerandos os 5 C’s nas 6 medidas) resulta a prevalência das perceções entre pais e filhos. (4) Nos estudos correlacionais verifica-se ausência de relação entre autoperceção de AC dos filhos e dos pais. Verifica-se um padrão correlacional diferencial entre medidas da AC dos filhos e as de heteroperceção da AC relativa a pais e mães: ocorre correlação mais forte entre a AC dos filhos e a AC que estes percebem nos pais, bem como entre a AC dos filhos e a AC que as mães percebem nos filhos. Interpretam-se as relações encontradas entre a AC dos filhos e heteroperceções da AC entre pais e filhos enquanto processos coconstruídos de influência parental na carreira dos filhos. Referem-se limitações do estudo e implicações dos resultados para a investigação e a prática.
Autores principais:Soares, Maria da Conceição Guilherme, 1965-
Assunto:Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Enquadrado em modelos concetuais da psicologia vocacional, que valorizam o caráter coconstruído do self e da carreira, o estudo investiga a influência parental na adaptabilidade de carreira (AC) de adolescentes (n=403), clientes do Instituto de Orientação Profissional. O instrumento utilizado – Inventário sobre Adaptabilidade (IA) – constitui a versão experimental portuguesa da operacionalização internacional do construto multidimensional e psicossocial de AC de Savickas (2005, 2008b) que integra as escalas Preocupação, Controlo, Curiosidade, Cooperação e Confiança (os 5 C’s). São preparadas formas para heteroperceção da AC entre pais e filhos. Colhem-se dados sobre (1) variáveis sociodemográficas das mães (n=384), dos pais (n=364) e das famílias (n=388); e (2) variáveis psicológicas, referentes às medidas da AC de pais e de filhos e às respetivas heteroperceções. Os dados de filhos, de mães e de pais são emparelhados. Resultados principais: (1) Nos estudos de precisão e de validade verificam-se adequadas características psicométricas das medidas psicológicas colhidas, assim como o seu ajustamento ao modelo teórico de 5 C’s da AC. (2) Nos estudos diferenciais verifica-se que os jovens que frequentam o 9º ano apresentam a AC mais elevada do que os que frequentam o 12º, e que não há diferenças na AC em função do sexo. Relativamente às variáveis sociodemográficas parentais apenas o estatuto socioeconómico da família diferencia moderadamente a AC dos filhos. A configuração familiar não diferencia a AC dos filhos. (3) Nos estudos de regressão linear múltipla (RLM) constata-se que apenas variáveis psicológicas contribuem para a explicação da variância da AC dos filhos. Do modelo de RLM que testa as 30 variáveis psicológicas (considerandos os 5 C’s nas 6 medidas) resulta a prevalência das perceções entre pais e filhos. (4) Nos estudos correlacionais verifica-se ausência de relação entre autoperceção de AC dos filhos e dos pais. Verifica-se um padrão correlacional diferencial entre medidas da AC dos filhos e as de heteroperceção da AC relativa a pais e mães: ocorre correlação mais forte entre a AC dos filhos e a AC que estes percebem nos pais, bem como entre a AC dos filhos e a AC que as mães percebem nos filhos. Interpretam-se as relações encontradas entre a AC dos filhos e heteroperceções da AC entre pais e filhos enquanto processos coconstruídos de influência parental na carreira dos filhos. Referem-se limitações do estudo e implicações dos resultados para a investigação e a prática.