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Avaliação do processo de luto : na perspectiva do cuidador enlutado

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A perda de um ente querido traduz um nível elevado de sofrimento e pesar e implica a vivência de um processo de luto inerente. A maioria das pessoas experiencia um luto dito adequado, evidenciando manifestações associadas ao longo deste processo, mas também uma diminuição da qualidade de vida. A prestação de cuidados paliativos estende-se ao período do luto com o intuito de promover uma adaptação à vida sem o ente querido. Objectivo: Analisar o processo de luto dos cuidadores enlutados de familiares acompanhados pela Equipa de Cuidados Continuados Integrados de Odivelas. Metodologia: estudo de abordagem qualitativa, com a realização de entrevistas semi-estruturadas a quinze cuidadores enlutados que tenham sido alvo de intervenção no luto por profissionais da Equipa de Cuidados Continuados Integrados de Odivelas. As entrevistas foram analisadas através do método de análise de conteúdo. Resultados: Os cuidadores enlutados descrevem o processo de doença, fim de vida e morte dos seus familiares e expõem as suas vivências enquanto cuidadores principais. São expressas manifestações integrantes do processo de luto, salientando-se como principais sentimentos a dor e o sofrimento. Abordam factores que facilitam e dificultam o luto, sendo o apoio formal e informal e a consciência de que tudo fizeram pelo seu ente querido os principais factores que facilitam este processo. São identificados ganhos do apoio luto, nomeadamente o encerramento da relação com a equipa e o alívio do sofrimento. Conclusão: Cuidar de um doente no período da doença, fim de vida e morte pressupõe uma diversidade de sentimentos manifestados pelos cuidadores, nomeadamente o sofrimento e uma constante preocupação, mas também uma adaptação progressiva a este papel. Muitas vezes, a exigência dos cuidados e as alterações familiares e sociais podem implicar uma sobrecarga do cuidador e, consequente, exaustão. A agonia e a morte são momentos de grande angústia nos quais o profissional de saúde deverá ter uma intervenção mais intensificada e dirigida. O luto é um processo que contempla diversas fases e manifestações que se alteram e evoluem e é influenciado por factores internos e externos ao enlutado. A intervenção das equipas de cuidados paliativos deve estender-se ao período do luto, pois este apoio implica ganhos para o cuidador enlutado, possibilitando uma maior tranquilidade e uma evolução adaptativa deste processo. Sobressai um possível algoritmo para o apoio no luto, adaptado de guidelines internacionais e da prática de cuidados, possibilitando uma uniformização de cuidados neste contexto.
Autores principais:Pereira, Inês Catarina Oliveira, 1985-
Assunto:Luto Apoio no luto Cuidados paliativos Cuidador Domicílio Teses de mestrado - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: A perda de um ente querido traduz um nível elevado de sofrimento e pesar e implica a vivência de um processo de luto inerente. A maioria das pessoas experiencia um luto dito adequado, evidenciando manifestações associadas ao longo deste processo, mas também uma diminuição da qualidade de vida. A prestação de cuidados paliativos estende-se ao período do luto com o intuito de promover uma adaptação à vida sem o ente querido. Objectivo: Analisar o processo de luto dos cuidadores enlutados de familiares acompanhados pela Equipa de Cuidados Continuados Integrados de Odivelas. Metodologia: estudo de abordagem qualitativa, com a realização de entrevistas semi-estruturadas a quinze cuidadores enlutados que tenham sido alvo de intervenção no luto por profissionais da Equipa de Cuidados Continuados Integrados de Odivelas. As entrevistas foram analisadas através do método de análise de conteúdo. Resultados: Os cuidadores enlutados descrevem o processo de doença, fim de vida e morte dos seus familiares e expõem as suas vivências enquanto cuidadores principais. São expressas manifestações integrantes do processo de luto, salientando-se como principais sentimentos a dor e o sofrimento. Abordam factores que facilitam e dificultam o luto, sendo o apoio formal e informal e a consciência de que tudo fizeram pelo seu ente querido os principais factores que facilitam este processo. São identificados ganhos do apoio luto, nomeadamente o encerramento da relação com a equipa e o alívio do sofrimento. Conclusão: Cuidar de um doente no período da doença, fim de vida e morte pressupõe uma diversidade de sentimentos manifestados pelos cuidadores, nomeadamente o sofrimento e uma constante preocupação, mas também uma adaptação progressiva a este papel. Muitas vezes, a exigência dos cuidados e as alterações familiares e sociais podem implicar uma sobrecarga do cuidador e, consequente, exaustão. A agonia e a morte são momentos de grande angústia nos quais o profissional de saúde deverá ter uma intervenção mais intensificada e dirigida. O luto é um processo que contempla diversas fases e manifestações que se alteram e evoluem e é influenciado por factores internos e externos ao enlutado. A intervenção das equipas de cuidados paliativos deve estender-se ao período do luto, pois este apoio implica ganhos para o cuidador enlutado, possibilitando uma maior tranquilidade e uma evolução adaptativa deste processo. Sobressai um possível algoritmo para o apoio no luto, adaptado de guidelines internacionais e da prática de cuidados, possibilitando uma uniformização de cuidados neste contexto.