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Ensaio clínico sobre os benefícios analgésicos do canabidiol (CBD) em gatos com gengivoestomatite crónica submetidos a extração dentária

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A gengivoestomatite crónica felina (GECF) é uma doença inflamatória oral altamente dolorosa e debilitante. O canabidiol (CBD) é o fitocanabinóide não psicoativo mais conhecido, com vários benefícios terapêuticos reconhecidos, nomeadamente no tratamento da dor crónica. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia e segurança de um granulado à base de CBD, para administração oral, como adjuvante analgésico pós-operatório em gatos com GECF submetidos a extração dentária. Um ensaio clínico prospetivo cego, controlado por placebo, foi realizado num grupo de 18 gatos. Dez gatos receberam CBD (Anibidiol® 8 plus, Virbac) num intervalo de dose de 0,7 a 1,7 mg/kg a cada 12 horas e 8 gatos receberam um placebo, iniciado 2 horas antes do procedimento e que se prolongou durante 15 dias. Foram avaliados parâmetros fisiológicos e bioquímicos antes do procedimento e aos 15 dias. A avaliação clínica e a pontuação do índice de atividade da doença (SDAI) foram realizados 2 horas antes do procedimento e aos 15, 30, 60 e 90 dias após. A escala de dor oral composta (COPS-C/F) foi avaliada em 4 momentos no dia do procedimento e nas reavaliações seguintes. Qualquer reforço analgésico adicional ao protocolo peri operatório foi registado como resgate. A resposta ao tratamento foi avaliada aos 90 dias pós-cirúrgicos. Adicionalmente, foram recolhidas 5 amostras sanguíneas aos gatos medicados com CBD para avaliar o seu perfil farmacocinético. Foi possível concluir que o grupo de animais tratado com CBD beneficiou da sua administração, melhorando significativamente o nível de conforto, apetite e atividade, quantificados pelo inquérito ao tutor no SDAI (p=0,003) e na COPS-C/F (p<0,001). Adicionalmente, foi possível observar menos necessidade de recorrer a resgates analgésicos (p=0,040) e verificou-se uma tendência geral para melhor resposta ao tratamento com extrações dentárias. Não foram registados efeitos adversos graves durante todo o tempo de tratamento. O perfil de absorção registado para cada animal foi muito irregular, mas no geral inferior ao anteriormente reportado para formulações em óleo, variando entre 0,50 ± 0,00 e 34,81 ± 4,01 ng/ml na sua concentração máxima. Ao final de 12 horas os níveis séricos de CBD eram muito reduzidos. Este ensaio clínico sugere que o tratamento contínuo com CBD durante 15 dias duas vezes por dia pode aumentar o conforto pós-cirúrgico em animais com GECF.
Autores principais:Coelho, Joana Antunes Chambel
Assunto:Gengivoestomatite crónica felina Gato Canabidiol Dor Extrações dentárias Feline chronic gingivostomatitis Cat Cannabidiol Pain Dental extractions
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A gengivoestomatite crónica felina (GECF) é uma doença inflamatória oral altamente dolorosa e debilitante. O canabidiol (CBD) é o fitocanabinóide não psicoativo mais conhecido, com vários benefícios terapêuticos reconhecidos, nomeadamente no tratamento da dor crónica. Este estudo teve como objetivo avaliar a eficácia e segurança de um granulado à base de CBD, para administração oral, como adjuvante analgésico pós-operatório em gatos com GECF submetidos a extração dentária. Um ensaio clínico prospetivo cego, controlado por placebo, foi realizado num grupo de 18 gatos. Dez gatos receberam CBD (Anibidiol® 8 plus, Virbac) num intervalo de dose de 0,7 a 1,7 mg/kg a cada 12 horas e 8 gatos receberam um placebo, iniciado 2 horas antes do procedimento e que se prolongou durante 15 dias. Foram avaliados parâmetros fisiológicos e bioquímicos antes do procedimento e aos 15 dias. A avaliação clínica e a pontuação do índice de atividade da doença (SDAI) foram realizados 2 horas antes do procedimento e aos 15, 30, 60 e 90 dias após. A escala de dor oral composta (COPS-C/F) foi avaliada em 4 momentos no dia do procedimento e nas reavaliações seguintes. Qualquer reforço analgésico adicional ao protocolo peri operatório foi registado como resgate. A resposta ao tratamento foi avaliada aos 90 dias pós-cirúrgicos. Adicionalmente, foram recolhidas 5 amostras sanguíneas aos gatos medicados com CBD para avaliar o seu perfil farmacocinético. Foi possível concluir que o grupo de animais tratado com CBD beneficiou da sua administração, melhorando significativamente o nível de conforto, apetite e atividade, quantificados pelo inquérito ao tutor no SDAI (p=0,003) e na COPS-C/F (p<0,001). Adicionalmente, foi possível observar menos necessidade de recorrer a resgates analgésicos (p=0,040) e verificou-se uma tendência geral para melhor resposta ao tratamento com extrações dentárias. Não foram registados efeitos adversos graves durante todo o tempo de tratamento. O perfil de absorção registado para cada animal foi muito irregular, mas no geral inferior ao anteriormente reportado para formulações em óleo, variando entre 0,50 ± 0,00 e 34,81 ± 4,01 ng/ml na sua concentração máxima. Ao final de 12 horas os níveis séricos de CBD eram muito reduzidos. Este ensaio clínico sugere que o tratamento contínuo com CBD durante 15 dias duas vezes por dia pode aumentar o conforto pós-cirúrgico em animais com GECF.