Publicação
Absirto (A.R. 4.338-521): estratégia ou entrave para Medeia?
| Resumo: | As versões da morte de Absirto apresentam diferenças significativas entre si, mas todas estão associadas à fuga de Jasão e Medeia. Numa, a princesa leva consigo o irmão e despedaça-o para atrasar a perseguição do pai, que se vê obrigado a recolher os membros da criança dispersos pelo mar; noutra, Absirto chefia uma hoste de Colcos, que vão no encalço do jovem casal. A primeira versão pertence ao universo trágico; a segunda remonta à épica de Apolónio de Rodes e é sobre esta que nos debruçaremos. No poema helenístico, a morte de Absirto não está planeada à partida; ela é desencadeada pela aflição sentida por Medeia que, de consciência culpada por ter traído a família e a pátria (4.360-362), julga estar na iminência de ser devolvida à família (4.391). No âmbito literário, é mais um momento em que Medeia se sente dividida entre o que decide fazer e a consciência terrível do que está a ser feito. Com efeito, na altura do golpe desferido por Jasão sobre Absirto, ela desvia o olhar e cobre a cabeça (4.465-466). Do ponto de vista político, o episódio tem grande complexidade, pois consiste num falso acto diplomático (4.421-422). Do ponto de vista jurídico, coloca o problema da relação de Absirto como tutor, ἀοσσητήρ, da irmã (4.406). Pretendemos com este estudo, por um lado, enriquecer a leitura da figura de Medeia, na Antiguidade, fugindo a interpretações euripidianas; por outro lado, explorar a leitura política do poema de Apolónio de Rodes. |
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| Autores principais: | Sousa, Ana Alexandra Alves de |
| Assunto: | Apolónio de Rodes, 0295?-0230 a.C. Argonáuticas |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As versões da morte de Absirto apresentam diferenças significativas entre si, mas todas estão associadas à fuga de Jasão e Medeia. Numa, a princesa leva consigo o irmão e despedaça-o para atrasar a perseguição do pai, que se vê obrigado a recolher os membros da criança dispersos pelo mar; noutra, Absirto chefia uma hoste de Colcos, que vão no encalço do jovem casal. A primeira versão pertence ao universo trágico; a segunda remonta à épica de Apolónio de Rodes e é sobre esta que nos debruçaremos. No poema helenístico, a morte de Absirto não está planeada à partida; ela é desencadeada pela aflição sentida por Medeia que, de consciência culpada por ter traído a família e a pátria (4.360-362), julga estar na iminência de ser devolvida à família (4.391). No âmbito literário, é mais um momento em que Medeia se sente dividida entre o que decide fazer e a consciência terrível do que está a ser feito. Com efeito, na altura do golpe desferido por Jasão sobre Absirto, ela desvia o olhar e cobre a cabeça (4.465-466). Do ponto de vista político, o episódio tem grande complexidade, pois consiste num falso acto diplomático (4.421-422). Do ponto de vista jurídico, coloca o problema da relação de Absirto como tutor, ἀοσσητήρ, da irmã (4.406). Pretendemos com este estudo, por um lado, enriquecer a leitura da figura de Medeia, na Antiguidade, fugindo a interpretações euripidianas; por outro lado, explorar a leitura política do poema de Apolónio de Rodes. |
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