Publicação
Saúde: o território e as desigualdades
| Resumo: | Apesar de um dos primeiros geógrafos portugueses ter formação de medicina – Silva Teles, são poucos os estudos sobre a temática da geografia da saúde realizados em Portugal. E, no entanto, Portugal e, principalmente, Lisboa, viriam a constituir marcos fundamentais na história desta área de estudos da Geografia. Na realidade, foi em 1949, no Congresso da União Geográfica Internacional, que a comunidade dos geógrafos reconheceu o interesse na criação de uma comissão com o propósito de inventariar a situação dos estudos de geografia da saúde (então designados por geografia médica). Desde essa época, e como teremos oportunidade de salientar ao longo deste trabalho, esta área de estudos desenvolveu-se e diversificou-se. Ecologia, cartografia, difusão das doenças, localização e acessibilidade geográfica e social aos equipamentos de saúde e o seu impacte na economia regional, são algumas das linhas de pesquisa mais representativas. Neste trabalho, os aspectos relacionados com as desigualdades territoriais e sociais face à saúde e à satisfação das necessidades de cuidados de saúde, constituem a principal linha de desenvolvimento. Por serem ainda escassas as referências da geografia da saúde em Portugal, começaremos por aprofundar algumas questões que se relacionam com o tema central deste trabalho clarificando, nomeadamente, os conceitos de geografia médica e da saúde. O papel do Estado, como agente promotor e regulador dos serviços de saúde, será, também, objecto de análise. Na primeira parte, analisaremos o processo de transição epidemiológica e as variações espaciais do nível de saúde dos portugueses, procurando identificar os factores que as justificam e as necessidades reais de cuidados neste campo. Dificuldades operativas que se prendem com a medição do nível de saúde levaram-nos, seguindo o que a maioria dos autores sustenta, a avaliar de forma negativa os contextos espaciais de saúde, mediante a utilização de indicadores de mortalidade. Na segunda parte, verificaremos como se articulam os factores determinantes da saúde, anteriormente identificados, salientando a sua permanência ou a sua mudança. Daremos especial releco ao nível de desenvolvimento dos equipamentos colectivos, na medida em que é suposto desempenhar, na actualidade, um papel fundamental no nível de saúde da população. Na terceira parte, analisaresmos os aspectos relacionados com a satisfação das necessidades de cuidados de saúde. A diversidade de atitudes perante a doença, a dimensão da procura de cuidados médicos, o binómio público/privado na utilização dos serviços de saúde e o grau de satisfação dos utentes destes mesmos serviços são alguns dos pontos que focaremos. Finalmente, na quarta parte, estudaremos o «complexo saúde» nos concelhos de Évora e de Viana do Alentejo. Mediante a articulação, ao nível local, das diversas componentes e factores de saúde anteriormente identificados, intentaremos equacionar as questões que, ao longo do trabalho se foram colocando de modo mais insistente. […] |
|---|---|
| Autores principais: | Simões, José Manuel |
| Assunto: | Geografia da Saúde Desigualdades territoriais e sociais Conceitos Estado Serviços de saúde Portugal |
| Ano: | 1989 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Apesar de um dos primeiros geógrafos portugueses ter formação de medicina – Silva Teles, são poucos os estudos sobre a temática da geografia da saúde realizados em Portugal. E, no entanto, Portugal e, principalmente, Lisboa, viriam a constituir marcos fundamentais na história desta área de estudos da Geografia. Na realidade, foi em 1949, no Congresso da União Geográfica Internacional, que a comunidade dos geógrafos reconheceu o interesse na criação de uma comissão com o propósito de inventariar a situação dos estudos de geografia da saúde (então designados por geografia médica). Desde essa época, e como teremos oportunidade de salientar ao longo deste trabalho, esta área de estudos desenvolveu-se e diversificou-se. Ecologia, cartografia, difusão das doenças, localização e acessibilidade geográfica e social aos equipamentos de saúde e o seu impacte na economia regional, são algumas das linhas de pesquisa mais representativas. Neste trabalho, os aspectos relacionados com as desigualdades territoriais e sociais face à saúde e à satisfação das necessidades de cuidados de saúde, constituem a principal linha de desenvolvimento. Por serem ainda escassas as referências da geografia da saúde em Portugal, começaremos por aprofundar algumas questões que se relacionam com o tema central deste trabalho clarificando, nomeadamente, os conceitos de geografia médica e da saúde. O papel do Estado, como agente promotor e regulador dos serviços de saúde, será, também, objecto de análise. Na primeira parte, analisaremos o processo de transição epidemiológica e as variações espaciais do nível de saúde dos portugueses, procurando identificar os factores que as justificam e as necessidades reais de cuidados neste campo. Dificuldades operativas que se prendem com a medição do nível de saúde levaram-nos, seguindo o que a maioria dos autores sustenta, a avaliar de forma negativa os contextos espaciais de saúde, mediante a utilização de indicadores de mortalidade. Na segunda parte, verificaremos como se articulam os factores determinantes da saúde, anteriormente identificados, salientando a sua permanência ou a sua mudança. Daremos especial releco ao nível de desenvolvimento dos equipamentos colectivos, na medida em que é suposto desempenhar, na actualidade, um papel fundamental no nível de saúde da população. Na terceira parte, analisaresmos os aspectos relacionados com a satisfação das necessidades de cuidados de saúde. A diversidade de atitudes perante a doença, a dimensão da procura de cuidados médicos, o binómio público/privado na utilização dos serviços de saúde e o grau de satisfação dos utentes destes mesmos serviços são alguns dos pontos que focaremos. Finalmente, na quarta parte, estudaremos o «complexo saúde» nos concelhos de Évora e de Viana do Alentejo. Mediante a articulação, ao nível local, das diversas componentes e factores de saúde anteriormente identificados, intentaremos equacionar as questões que, ao longo do trabalho se foram colocando de modo mais insistente. […] |
|---|