Publicação

Contributo da produção animal nas estratégias de segurança alimentar e nutricional da comunidade de Países de Língua Portuguesa

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Em 2011 foi aprovada por todos os Estados membros da CPLP, uma Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN-CPLP) baseada no direito humano a uma alimentação adequada. Foi reconhecida a importância do desenvolvimento da agricultura e do meio rural como estratégia de superação da pobreza e da insegurança alimentar, do fortalecimento da economia local e regional e da consolidação de um ambiente de paz, progresso e justiça social. A ambição desta dissertação consistiu em disponibilizar informação e contribuir para uma reflexão que sirva de suporte a uma melhor definição das políticas públicas que melhor se adequam a estes propósitos, nomeadamente para benefício das comunidades rurais mais desfavorecidas, criando impacto. Para tal, o objetivo foi avaliar o papel e a relevância dada à produção animal nas ESAN e sua implicação para a economia da agricultura familiar dos vários países, comparando e estabelecendo relações entre eles, mediante pesquisa documental, bibliográfica e entrevistas a actores-chave. Na sua grande maioria, as explorações agrícolas, dos países da CPLP são classificados como agricultura familiar. Como foi possível apurar, 77% das explorações no Brasil são familiares, em Portugal 94%, em Moçambique 97,8%, em Cabo-Verde 99,7% e em Angola 51,29%, nos restantes países os valores rondam igualmente os 90%. Nesse sentido, todos os países, nos últimos anos, assumiram compromissos no sentido de apoiar a agricultura familiar dado o peso que patenteia para a economia nacional. De um modo geral, o setor pecuário formal tem um peso muito pequeno na economia dos países, comparativamente ao setor agrícola onde este se insere, com exceção de Portugal e Brasil. A produção agrícola nos PALOP e em Timor é dominada por raízes e tubérculos (como a mandioca), cereais (como o milho) e, em menor dimensão, arroz, amendoim e leguminosas, em alguns casos com cariz comercial e capacidade exportadora. Por sua vez, a produção animal na sua maioria, restringe-se essencialmente à produção de subsistência para o autoconsumo, da qual a maior fatia cabe à pesca de subsistência. Os resultados obtidos neste estudo sublinham, que embora em escala variável, todos os países apresentam problemas em matéria de insegurança alimentar e pobreza, os PALOP e Timor estão entre os mais vulneráveis. Tal que justifica um esforço por parte dos Estados membros, na adopção de políticas e programas nacionais para fazer face a esta situação, incluindo o setor pecuário, um dos agentes de insegurança alimentar. É imperativo o desenvolvimento de instituições de ensino e pesquisa direcionadas ao setor pecuário; maior investimento na realização de censos agropecuários e melhorar e/ou implementar gabinetes de análise de dados para apoiar a definição de linhas estratégicas; reformar o setor de transformação de produtos de origem animal, sem nunca esquecer que é fulcral que o desenvolvimento deste setor seja acompanhado de exemplos de “boas práticas” em matéria de Higiene e Controlo Sanitário dos alimentos e do efetivo pecuário.
Autores principais:Traça, Ana Bárbara Batista de Abel
Assunto:desenvolvimento rural agricultura familiar pecuária tropical alimentação humana lusofonia rural development family farming tropical livestock food lusophony
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Em 2011 foi aprovada por todos os Estados membros da CPLP, uma Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN-CPLP) baseada no direito humano a uma alimentação adequada. Foi reconhecida a importância do desenvolvimento da agricultura e do meio rural como estratégia de superação da pobreza e da insegurança alimentar, do fortalecimento da economia local e regional e da consolidação de um ambiente de paz, progresso e justiça social. A ambição desta dissertação consistiu em disponibilizar informação e contribuir para uma reflexão que sirva de suporte a uma melhor definição das políticas públicas que melhor se adequam a estes propósitos, nomeadamente para benefício das comunidades rurais mais desfavorecidas, criando impacto. Para tal, o objetivo foi avaliar o papel e a relevância dada à produção animal nas ESAN e sua implicação para a economia da agricultura familiar dos vários países, comparando e estabelecendo relações entre eles, mediante pesquisa documental, bibliográfica e entrevistas a actores-chave. Na sua grande maioria, as explorações agrícolas, dos países da CPLP são classificados como agricultura familiar. Como foi possível apurar, 77% das explorações no Brasil são familiares, em Portugal 94%, em Moçambique 97,8%, em Cabo-Verde 99,7% e em Angola 51,29%, nos restantes países os valores rondam igualmente os 90%. Nesse sentido, todos os países, nos últimos anos, assumiram compromissos no sentido de apoiar a agricultura familiar dado o peso que patenteia para a economia nacional. De um modo geral, o setor pecuário formal tem um peso muito pequeno na economia dos países, comparativamente ao setor agrícola onde este se insere, com exceção de Portugal e Brasil. A produção agrícola nos PALOP e em Timor é dominada por raízes e tubérculos (como a mandioca), cereais (como o milho) e, em menor dimensão, arroz, amendoim e leguminosas, em alguns casos com cariz comercial e capacidade exportadora. Por sua vez, a produção animal na sua maioria, restringe-se essencialmente à produção de subsistência para o autoconsumo, da qual a maior fatia cabe à pesca de subsistência. Os resultados obtidos neste estudo sublinham, que embora em escala variável, todos os países apresentam problemas em matéria de insegurança alimentar e pobreza, os PALOP e Timor estão entre os mais vulneráveis. Tal que justifica um esforço por parte dos Estados membros, na adopção de políticas e programas nacionais para fazer face a esta situação, incluindo o setor pecuário, um dos agentes de insegurança alimentar. É imperativo o desenvolvimento de instituições de ensino e pesquisa direcionadas ao setor pecuário; maior investimento na realização de censos agropecuários e melhorar e/ou implementar gabinetes de análise de dados para apoiar a definição de linhas estratégicas; reformar o setor de transformação de produtos de origem animal, sem nunca esquecer que é fulcral que o desenvolvimento deste setor seja acompanhado de exemplos de “boas práticas” em matéria de Higiene e Controlo Sanitário dos alimentos e do efetivo pecuário.