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Cepticismo

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Resumo:Quase ninguém considera seriamente as hipóteses céticas radicais que põem em causa a possibilidade do conhecimento. Todavia, o problema do ceticismo é tradicionalmente considerado um problema-chave da filosofia do conhecimento, daí que se coloque a seguinte questão: o que motiva a filosofia a interessar-se pela refutação de tais hipóteses que são desprezadas pelo senso comum e que na própria história da filosofia quase nunca suscitam adesão? Em primeiro lugar, pode alegar-se que existe um dever intelectual de responder ao desafio cético e validar a nossa confiança no conhecimento humano. Mas para quem entender que esta primeira razão não justifica uma análise aprofundada do problema do ceticismo, pode apresentar-se uma segunda razão: responder ao desafio cético tem o mérito de esclarecer a natureza do conhecimento e de identificar princípios epistémicos dúbios, precisamente por conduzirem ao ceticismo. Quer isto dizer que, independentemente de se levar a sério ou não as hipóteses céticas, o problema do ceticismo continua a ser um problema relevante que contribui para tornar mais rigorosa a análise do conhecimento humano.
Autores principais:Silva, Rui
Assunto:Cepticismo Conhecimento Justificação Epistemologia
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Quase ninguém considera seriamente as hipóteses céticas radicais que põem em causa a possibilidade do conhecimento. Todavia, o problema do ceticismo é tradicionalmente considerado um problema-chave da filosofia do conhecimento, daí que se coloque a seguinte questão: o que motiva a filosofia a interessar-se pela refutação de tais hipóteses que são desprezadas pelo senso comum e que na própria história da filosofia quase nunca suscitam adesão? Em primeiro lugar, pode alegar-se que existe um dever intelectual de responder ao desafio cético e validar a nossa confiança no conhecimento humano. Mas para quem entender que esta primeira razão não justifica uma análise aprofundada do problema do ceticismo, pode apresentar-se uma segunda razão: responder ao desafio cético tem o mérito de esclarecer a natureza do conhecimento e de identificar princípios epistémicos dúbios, precisamente por conduzirem ao ceticismo. Quer isto dizer que, independentemente de se levar a sério ou não as hipóteses céticas, o problema do ceticismo continua a ser um problema relevante que contribui para tornar mais rigorosa a análise do conhecimento humano.