Publicação
Do tempo de leitura ao espaço da escrita : dez anos de discursos em nome da didáctica das línguas estrangeiras
| Resumo: | Este trabalho de dissertação de mestrado teve dois grandes objectivos: — detectar momentos de transformação da didáctica dos línguas estrangeiras nos últimos dez anos; — tornar mais visível o processo de autonomização que o ensino/aprendizagem das línguas encetou, também, durante esta década. A introdução dá conta das etapas deste trabalho e apresenta três das grandes linhas de evolução que a didáctica terá, em nosso entender, percorrido. O capítulo 1 pretende esclarecer o conceito de discurso, base de todo o posterior desenvolvimento do tema, ligando-o a uma concepção de acesso ao conhecimento que implica a interacção entre sujeitos e entre estes e um real em constante mutação. O capítulo 2 destina-se a historiar, de forma crítico e comparativa, a noção de competência de comunicação: reconhecida por Hymes, foi transposta para a didáctica, onde sofreu interpretações várias e contribuiu, de modo decisivo, para o desenvolvimento de um ensino/aprendizagem das línguas multifacetado e teoricamente mais empenhado. No capítulo 3 prepara-se a análise do corpus seleccionado, propondo-se uma orientação mais precisa e definida para a abordagem dos textos escritos em nome da didáctica. A heterogeneidade enunciativa e os projectos de tipologias textuais estarão, assim, no centro das atenções. Os capítulos 4 e 5 constituem um todo. Neles se analisam artigos de Le Français dans le Monde que contribuíram para criar uma representação diferenciada de didáctica. O modo como, discursivamente, constroem e reflectem sobre a área do saber em causa pode demonstrar que o discurso B (anunciado por Sophie Moirand) é pluri-orientado mas nem sempre capaz de fabricar uma imagem discursiva suficientemente clara. As fronteiras que tenta delimitar para o ensino/aprendizagem das línguas não esclarecem as relações com as outras ciências da linguagem. Finalmente, no capítulo 6 adianta-se uma hipótese explicativa para a conflitualidade que se terá estabelecido entre a didáctica e a linguística, apelando a pontos de vista adoptados pela teoria da literatura. O papel do leitor e as expectativas que este cria à volta dos discursos que lê, tornar-se-ão, assim, tão importantes como as que se atribui o enunciador, ambos submetidos às forças que regem a permanente actualização de sentidos. A especificidade dos discursos escritos em nome da didáctica dependerá, pois. mais das capacidades interpretativas (a desenvolver em) de cada leitor que dos marcos que Indiciam formalmente a didacticidade dos textos. A sua intelegibilidade e capacidade teorizante não pode, em caso algum, iludir o espaço e o tempo de onde se escreve/lê. A procura do perfil epistemológico de conceitos fundadores da didáctica não deverá, por um lado. menosprezar as representações diversas que múltiplos actores construíram sobre o domínio nem, por outro, abstrair da constante interacção entre discursos. |
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| Autores principais: | Tavares, Maria Manuela Loureiro de Sousa |
| Assunto: | Línguas Aprendizagem Competência comunicativa (Linguística) Heterogeneidade Teses de mestrado - 1995 |
| Ano: | 1995 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este trabalho de dissertação de mestrado teve dois grandes objectivos: — detectar momentos de transformação da didáctica dos línguas estrangeiras nos últimos dez anos; — tornar mais visível o processo de autonomização que o ensino/aprendizagem das línguas encetou, também, durante esta década. A introdução dá conta das etapas deste trabalho e apresenta três das grandes linhas de evolução que a didáctica terá, em nosso entender, percorrido. O capítulo 1 pretende esclarecer o conceito de discurso, base de todo o posterior desenvolvimento do tema, ligando-o a uma concepção de acesso ao conhecimento que implica a interacção entre sujeitos e entre estes e um real em constante mutação. O capítulo 2 destina-se a historiar, de forma crítico e comparativa, a noção de competência de comunicação: reconhecida por Hymes, foi transposta para a didáctica, onde sofreu interpretações várias e contribuiu, de modo decisivo, para o desenvolvimento de um ensino/aprendizagem das línguas multifacetado e teoricamente mais empenhado. No capítulo 3 prepara-se a análise do corpus seleccionado, propondo-se uma orientação mais precisa e definida para a abordagem dos textos escritos em nome da didáctica. A heterogeneidade enunciativa e os projectos de tipologias textuais estarão, assim, no centro das atenções. Os capítulos 4 e 5 constituem um todo. Neles se analisam artigos de Le Français dans le Monde que contribuíram para criar uma representação diferenciada de didáctica. O modo como, discursivamente, constroem e reflectem sobre a área do saber em causa pode demonstrar que o discurso B (anunciado por Sophie Moirand) é pluri-orientado mas nem sempre capaz de fabricar uma imagem discursiva suficientemente clara. As fronteiras que tenta delimitar para o ensino/aprendizagem das línguas não esclarecem as relações com as outras ciências da linguagem. Finalmente, no capítulo 6 adianta-se uma hipótese explicativa para a conflitualidade que se terá estabelecido entre a didáctica e a linguística, apelando a pontos de vista adoptados pela teoria da literatura. O papel do leitor e as expectativas que este cria à volta dos discursos que lê, tornar-se-ão, assim, tão importantes como as que se atribui o enunciador, ambos submetidos às forças que regem a permanente actualização de sentidos. A especificidade dos discursos escritos em nome da didáctica dependerá, pois. mais das capacidades interpretativas (a desenvolver em) de cada leitor que dos marcos que Indiciam formalmente a didacticidade dos textos. A sua intelegibilidade e capacidade teorizante não pode, em caso algum, iludir o espaço e o tempo de onde se escreve/lê. A procura do perfil epistemológico de conceitos fundadores da didáctica não deverá, por um lado. menosprezar as representações diversas que múltiplos actores construíram sobre o domínio nem, por outro, abstrair da constante interacção entre discursos. |
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