Publicação

Mecanismos virucidas da irradiação por feixe de eletrões em adenovírus humanos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O adenovírus é o vírus entérico mais prevalente nas águas a nível mundial. Este facto está, sobretudo, relacionado com a ineficácia da sua remoção nas águas pelos tratamentos de efluentes convencionais, levando à ocorrência de surtos de infeções por este vírus que representam um problema grave de saúde pública. O objetivo principal desta dissertação foi estudar os mecanismos virucidas da irradiação por feixe de eletrões em adenovírus humanos, através da avaliação dos efeitos desta tecnologia a nível das proteínas e do genoma viral. O conhecimento obtido através deste estudo pode ser útil para o desenvolvimento de tratamentos alternativos para a desinfeção de águas. Para além disso, este projeto vai ao encontro de um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), nomeadamente na disponibilização e gestão sustentável de água e saneamento para todos. O adenovírus humano tipo 5 (HAdV-5) inoculado em dois tipos de substratos aquosos (PBS e efluente) foi tratado por irradiação por feixe de eletrões a uma gama de doses entre os 3 e os 21 kGy. Foram avaliadas a amplificação de fragmentos do genoma do HAdV-5, a abundância e antigenicidade das suas proteínas estruturais como também a sua infeciosidade. Em todos os ensaios realizados, o efeito da irradiação por feixe de eletrões foi observado às doses mais elevadas de radiação (12 a 21 kGy), independentemente do substrato utilizado. Apesar destas semelhanças, este efeito foi mais evidente nas amostras em PBS. As proteínas virais apresentaram diferente sensibilidade à irradiação por feixe de eletrões em ambos os substratos, sendo que das três proteínas estruturais analisadas (hexão, penton base e fibra) a proteína hexão demonstrou possuir uma maior radiorresistência. Para todas as doses de radiação, a percentagem de ligação relativa dos anticorpos monoclonais às proteínas hexão foi sempre mais elevada nas suspensões virais em efluente do que em PBS. A redução máxima do título viral obtida foi cerca de 7 e 5 log UFP/mL para as doses de 20 e 19 kGy em PBS e efluente, respetivamente. As diferenças observadas entre os dois substratos utilizados podem ser explicadas pelo efeito protetor que a matéria orgânica, presente no substrato, possa ter na irradiação do vírus. De acordo com os resultados obtidos, sugere-se que a diminuição da infeciosidade viral possa estar relacionada com os danos no DNA e a alteração das proteínas. Em suma, e de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US EPA), o feixe de eletrões é capaz de reduzir o título viral do HAdV-5 em mais de 99,99% (4 log UFP/mL), em ambos os substratos testados, indicando que este tipo de tecnologia é eficaz na desinfeção viral de efluentes e que pode vir a ser utilizada como tratamento terciário em estações de tratamento de águas.
Autores principais:Roque, Joana Margarida Lopes
Assunto:Vírus entéricos Adenovírus humano Ação virucida Irradiação por feixe de eletrões Tratamento de efluentes Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O adenovírus é o vírus entérico mais prevalente nas águas a nível mundial. Este facto está, sobretudo, relacionado com a ineficácia da sua remoção nas águas pelos tratamentos de efluentes convencionais, levando à ocorrência de surtos de infeções por este vírus que representam um problema grave de saúde pública. O objetivo principal desta dissertação foi estudar os mecanismos virucidas da irradiação por feixe de eletrões em adenovírus humanos, através da avaliação dos efeitos desta tecnologia a nível das proteínas e do genoma viral. O conhecimento obtido através deste estudo pode ser útil para o desenvolvimento de tratamentos alternativos para a desinfeção de águas. Para além disso, este projeto vai ao encontro de um dos objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), nomeadamente na disponibilização e gestão sustentável de água e saneamento para todos. O adenovírus humano tipo 5 (HAdV-5) inoculado em dois tipos de substratos aquosos (PBS e efluente) foi tratado por irradiação por feixe de eletrões a uma gama de doses entre os 3 e os 21 kGy. Foram avaliadas a amplificação de fragmentos do genoma do HAdV-5, a abundância e antigenicidade das suas proteínas estruturais como também a sua infeciosidade. Em todos os ensaios realizados, o efeito da irradiação por feixe de eletrões foi observado às doses mais elevadas de radiação (12 a 21 kGy), independentemente do substrato utilizado. Apesar destas semelhanças, este efeito foi mais evidente nas amostras em PBS. As proteínas virais apresentaram diferente sensibilidade à irradiação por feixe de eletrões em ambos os substratos, sendo que das três proteínas estruturais analisadas (hexão, penton base e fibra) a proteína hexão demonstrou possuir uma maior radiorresistência. Para todas as doses de radiação, a percentagem de ligação relativa dos anticorpos monoclonais às proteínas hexão foi sempre mais elevada nas suspensões virais em efluente do que em PBS. A redução máxima do título viral obtida foi cerca de 7 e 5 log UFP/mL para as doses de 20 e 19 kGy em PBS e efluente, respetivamente. As diferenças observadas entre os dois substratos utilizados podem ser explicadas pelo efeito protetor que a matéria orgânica, presente no substrato, possa ter na irradiação do vírus. De acordo com os resultados obtidos, sugere-se que a diminuição da infeciosidade viral possa estar relacionada com os danos no DNA e a alteração das proteínas. Em suma, e de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (US EPA), o feixe de eletrões é capaz de reduzir o título viral do HAdV-5 em mais de 99,99% (4 log UFP/mL), em ambos os substratos testados, indicando que este tipo de tecnologia é eficaz na desinfeção viral de efluentes e que pode vir a ser utilizada como tratamento terciário em estações de tratamento de águas.