Publicação
Enfermeiros nas comunidades : produção de cuidados e reconstrução identitária
| Resumo: | A partir do meu percurso profissional e das reflexões que este me suscitou questiono o processo de construção identitária dos enfermeiros tendo por referência autores como Dubar, Dubet e Castellls. O problema é equacionado em torno das trajectórias identitárias da enfermagem ao longo do século XX, das lógicas que atravessam as sucessivas reformas dos cuidados de saúde primários com particular ênfase para a de 2005, que tem vindo a introduzir transformações significativas ao nível da organização do trabalho, das relações e das práticas profissionais. Pretendo compreender o processo de reconfiguração identitária dos enfermeiros em cuidados de saúde primários, pelo que desenvolvo um estudo etnográfico em dois contextos de cuidados de saúde primários. Acompanho uma equipa de enfermeiras que desenvolve o “projecto das unidades móveis” e uma equipa de enfermeiras que intervém nos cuidados domiciliários/continuados. As trajectórias profissionais deste grupo, a par com as reflexões sobre as práticas que desenvolvem actualmente, cruzam-se com as notas de campo do trabalho etnográfico para fundamentar a narrativa que aqui elaboro. Concluo que ao nível do trabalho no centro de saúde e nas comunidades a enfermagem permanece como profissão periférica da medicina que mantém a sua dominância como estruturante da distribuição social dos cuidados e que os saberes oriundos da biomedicina, apesar do seu predomínio, perdem a exclusividade. As enfermeiras ganham autonomia profissional e desenvolvem um trabalho que tende a ser cada vez mais conceptual à medida que se afastam da prestação de cuidados directos. Os seus percursos divergem, por um lado, no sentido do aprofundamento dos conhecimentos médicos e, por outro, de um investimento crescente na gestão de situações problema no quadro de equipas multiprofissionais. A identidade de ofício, que dominou grande parte do século XX, perdeu expressão, para ceder lugar a formas diversificadas de construção identitária a partir das trajectórias pessoais, das transformações políticas e organizacionais na procura de encontrar sentidos particulares para as suas práticas de enfermagem. Palavras Chave: Identidades; Enfermagem; Comunidades; Trajectórias; Politicas de Saúde; Cuidados de Saúde Primários. |
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| Autores principais: | Espiney, Luísa Maria Correia Azevedo de, 1957- |
| Assunto: | Formação de adultos Enfermeiros Saúde comunitária Teses de doutoramento - 2011 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A partir do meu percurso profissional e das reflexões que este me suscitou questiono o processo de construção identitária dos enfermeiros tendo por referência autores como Dubar, Dubet e Castellls. O problema é equacionado em torno das trajectórias identitárias da enfermagem ao longo do século XX, das lógicas que atravessam as sucessivas reformas dos cuidados de saúde primários com particular ênfase para a de 2005, que tem vindo a introduzir transformações significativas ao nível da organização do trabalho, das relações e das práticas profissionais. Pretendo compreender o processo de reconfiguração identitária dos enfermeiros em cuidados de saúde primários, pelo que desenvolvo um estudo etnográfico em dois contextos de cuidados de saúde primários. Acompanho uma equipa de enfermeiras que desenvolve o “projecto das unidades móveis” e uma equipa de enfermeiras que intervém nos cuidados domiciliários/continuados. As trajectórias profissionais deste grupo, a par com as reflexões sobre as práticas que desenvolvem actualmente, cruzam-se com as notas de campo do trabalho etnográfico para fundamentar a narrativa que aqui elaboro. Concluo que ao nível do trabalho no centro de saúde e nas comunidades a enfermagem permanece como profissão periférica da medicina que mantém a sua dominância como estruturante da distribuição social dos cuidados e que os saberes oriundos da biomedicina, apesar do seu predomínio, perdem a exclusividade. As enfermeiras ganham autonomia profissional e desenvolvem um trabalho que tende a ser cada vez mais conceptual à medida que se afastam da prestação de cuidados directos. Os seus percursos divergem, por um lado, no sentido do aprofundamento dos conhecimentos médicos e, por outro, de um investimento crescente na gestão de situações problema no quadro de equipas multiprofissionais. A identidade de ofício, que dominou grande parte do século XX, perdeu expressão, para ceder lugar a formas diversificadas de construção identitária a partir das trajectórias pessoais, das transformações políticas e organizacionais na procura de encontrar sentidos particulares para as suas práticas de enfermagem. Palavras Chave: Identidades; Enfermagem; Comunidades; Trajectórias; Politicas de Saúde; Cuidados de Saúde Primários. |
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