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Compreendendo o significado moral e cognitivo do fenómeno do vitimizador feliz : um estudo exploratório em crianças de 6-7 anos
| Summary: | Nos últimos dez anos, o estudo das emoções que as crianças atribuem em actos de vitimização tem sido um tem a de muito interesse dentro da literatura sobre o desenvolvimento sócio-moral da criança. De modo contra-intuitivo, os estudos têm mostrado que, em certa altura do seu desenvolvimento, as crianças esperam que um transgressor se sinta bem (i.e., vitimizador feliz), não mal (i.e., vitimizador infeliz), embora reconheçam que tal transgressor cometeu previamente uma efectiva transgressão moral. É bastante surpreendente, contudo, que os estudos anteriores não tenham procurado compreender de um modo relativamente sistemático o significado cognitivo e moral possivelmente envolvido nas emoções positivas e negativas que as crianças atribuem em contextos de vitimização. O objectivo central desta dissertação de mestrado é contribuir para a clarificação de tal significado e, portanto, ajudar a compreender melhor o próprio fenómeno do vitimizador feliz/infeliz. Oitenta crianças entre os 6 e os 7 anos foram confrontadas inicialmente com duas histórias de transgressões m orais (i.e., roubar um chocolate; empurrar um colega do baloiço). Metade das crianças foram solicitadas a atribuir emoções positivas ou negativas ao vitimizador numa condição ou questão factual (i.e., Como se sente o vitimizador no fim da história e porquê?)-, as outras crianças atribuíram emoções numa questão ou condição deôntica (i.e., Como se deve sentir o vitimizador no fim da história e porquê?). As atribuições de emoções positivas e negativas das crianças foram depois relacionadas com a sua competência para coordenarem afirmações/negações numa prova Piagetiana de afirmação/negação (Piaget, 1974) e com o seu sentido de justiça nalgumas histórias da escala de heteronomia/autonomia moral de Kurtines e Pimm (1983). Os resultados mostraram que (a) o fenómeno do vitimizador feliz foi significativamente mais baixo na condição deôntica do que na factual; (b) este resultado foi também visível nas justificações das crianças, já que estas tenderam a invocar razões orientadas moralmente na condição deôntica e orientadas materialmente na condição factual; (c) o fenómeno do vitimizador feliz/infeliz não esteve tão articulado com a competência das crianças para coordenarem afirmações/negações de tipo Piagetiano quanto tinham os previsto; e (d) embora o fenómeno do vitimizador infeliz tenha evidenciado alguma articulação com o sentido de autonomia moral das crianças, tal articulação foi menos forte do que nós prevíamos. A descoberta de que a atribuição de emoções positivas feita pelas crianças em contextos de vitimização diminui de modo significativo quando elas são indagadas de um ponto de vista deôntico ou normativo lança algumas dúvidas sobre a ideia assumida por diversos investigadores de que tal padrão de atribuição é inerentemente imoral; ajuda a compreender resultados contraditórios de estudos anteriores; e coloca alguns problemas às teorias de desenvolvimento moral de Kohlberg com o de Turiel. |
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| Main Authors: | Menéres, Maria Sofia Cabral, 1969- |
| Subject: | Desenvolvimento socio-moral Crianças Transgressão moral Vitimização Emoções Teses de mestrado - 2003 |
| Year: | 2003 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | restricted access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Nos últimos dez anos, o estudo das emoções que as crianças atribuem em actos de vitimização tem sido um tem a de muito interesse dentro da literatura sobre o desenvolvimento sócio-moral da criança. De modo contra-intuitivo, os estudos têm mostrado que, em certa altura do seu desenvolvimento, as crianças esperam que um transgressor se sinta bem (i.e., vitimizador feliz), não mal (i.e., vitimizador infeliz), embora reconheçam que tal transgressor cometeu previamente uma efectiva transgressão moral. É bastante surpreendente, contudo, que os estudos anteriores não tenham procurado compreender de um modo relativamente sistemático o significado cognitivo e moral possivelmente envolvido nas emoções positivas e negativas que as crianças atribuem em contextos de vitimização. O objectivo central desta dissertação de mestrado é contribuir para a clarificação de tal significado e, portanto, ajudar a compreender melhor o próprio fenómeno do vitimizador feliz/infeliz. Oitenta crianças entre os 6 e os 7 anos foram confrontadas inicialmente com duas histórias de transgressões m orais (i.e., roubar um chocolate; empurrar um colega do baloiço). Metade das crianças foram solicitadas a atribuir emoções positivas ou negativas ao vitimizador numa condição ou questão factual (i.e., Como se sente o vitimizador no fim da história e porquê?)-, as outras crianças atribuíram emoções numa questão ou condição deôntica (i.e., Como se deve sentir o vitimizador no fim da história e porquê?). As atribuições de emoções positivas e negativas das crianças foram depois relacionadas com a sua competência para coordenarem afirmações/negações numa prova Piagetiana de afirmação/negação (Piaget, 1974) e com o seu sentido de justiça nalgumas histórias da escala de heteronomia/autonomia moral de Kurtines e Pimm (1983). Os resultados mostraram que (a) o fenómeno do vitimizador feliz foi significativamente mais baixo na condição deôntica do que na factual; (b) este resultado foi também visível nas justificações das crianças, já que estas tenderam a invocar razões orientadas moralmente na condição deôntica e orientadas materialmente na condição factual; (c) o fenómeno do vitimizador feliz/infeliz não esteve tão articulado com a competência das crianças para coordenarem afirmações/negações de tipo Piagetiano quanto tinham os previsto; e (d) embora o fenómeno do vitimizador infeliz tenha evidenciado alguma articulação com o sentido de autonomia moral das crianças, tal articulação foi menos forte do que nós prevíamos. A descoberta de que a atribuição de emoções positivas feita pelas crianças em contextos de vitimização diminui de modo significativo quando elas são indagadas de um ponto de vista deôntico ou normativo lança algumas dúvidas sobre a ideia assumida por diversos investigadores de que tal padrão de atribuição é inerentemente imoral; ajuda a compreender resultados contraditórios de estudos anteriores; e coloca alguns problemas às teorias de desenvolvimento moral de Kohlberg com o de Turiel. |
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