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Variabilidade individual do sémen criopreservado em bodes de raça serpentina

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O processo de criopreservação é responsável pela diminuição da qualidade seminal e torna mais clara a existência de uma variabilidade individual na qualidade do sémen descongelado. O principal objetivo do estudo foi analisar a variabilidade individual na criopreservação de sémen de bodes de raça Serpentina, no que diz respeito à congelabilidade dos seus ejaculados, através de uma avaliação subjetiva, de testes complementares e de uma avaliação objetiva. Descongelaram-se 40 palhinhas de sémen criopreservado obtidas a partir de ejaculados de 7 bodes, que foram examinadas por microscopia ótica para a avaliação da motilidade espermática progressiva (%) e foram realizados esfregaços para determinar a vitalidade e a percentagem de anisoespermia. Para avaliar a integridade das membranas plasmáticas dos espermatozoides, as amostras foram submetidas ao teste hipo-osmótico (HOST) e para avaliar o comportamento e resistência dos espermatozoides foram submetidas ao teste de termorresistência (TTR). Por último, foi realizada uma avaliação objetiva da cinética espermática através do sistema CASA. A percentagem de motilidade foi reduzida significativamente (p<0,001) de 80,88% no sémen fresco para 48,5% após a descongelação. Durante o estudo, os ejaculados foram classificados pelo nível de congelabilidade, de acordo com a sua motilidade pós descongelação: alto (>30%) e baixo (≤30%). Ejaculados com nível de congelabilidade alto apresentaram valores de motilidade (p<0,001), vitalidade (p<0,05) e de motilidade aos 120min do TTR (p<0.001) significativamente superiores aos de baixa congelabilidade. Na avaliação através do sistema CASA foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os ejaculados de congelabilidade alta e baixa nos seguintes parâmetros: MOT (p<0,001), MOTP (p<0,001), VAP (p<0,001), VCL (p<0,001), VSL (p<0,05), ALH (p<0,05), RAPID (p<0,001), MED (p<0,001) e STATIC (p<0,001). Considerou-se, neste estudo, que um bode que produz sémen de alta qualidade e congelabilidade teria de apresentar uma motilidade pós-descongelação média >30% e covariância <0,1. Assim, apenas os bodes 2121 e 2808 foram considerados indivíduos produtores de sémen de qualidade superior. Porém, só foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos quanto à vitalidade, aos 5min do TTR e ao BCF. Este estudo demonstrou não existir uma variabilidade individual marcada na qualidade do sémen criopreservado dos bodes estudados. No entanto, os elevados valores de desvio padrão demonstram que os ejaculados de um mesmo macho são bastantes variáveis nas suas características seminais. A classificação e comparação dos ejaculados pelo seu nível de congelabilidade mostraram ser apropriadas e revelaram diferenças importantes na qualidade do sémen descongelado de bode.
Autores principais:Leites, Inês João Costa
Assunto:Sémen bode Serpentina CASA congelabilidade Semen buck Serpentina CASA freezability
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O processo de criopreservação é responsável pela diminuição da qualidade seminal e torna mais clara a existência de uma variabilidade individual na qualidade do sémen descongelado. O principal objetivo do estudo foi analisar a variabilidade individual na criopreservação de sémen de bodes de raça Serpentina, no que diz respeito à congelabilidade dos seus ejaculados, através de uma avaliação subjetiva, de testes complementares e de uma avaliação objetiva. Descongelaram-se 40 palhinhas de sémen criopreservado obtidas a partir de ejaculados de 7 bodes, que foram examinadas por microscopia ótica para a avaliação da motilidade espermática progressiva (%) e foram realizados esfregaços para determinar a vitalidade e a percentagem de anisoespermia. Para avaliar a integridade das membranas plasmáticas dos espermatozoides, as amostras foram submetidas ao teste hipo-osmótico (HOST) e para avaliar o comportamento e resistência dos espermatozoides foram submetidas ao teste de termorresistência (TTR). Por último, foi realizada uma avaliação objetiva da cinética espermática através do sistema CASA. A percentagem de motilidade foi reduzida significativamente (p<0,001) de 80,88% no sémen fresco para 48,5% após a descongelação. Durante o estudo, os ejaculados foram classificados pelo nível de congelabilidade, de acordo com a sua motilidade pós descongelação: alto (>30%) e baixo (≤30%). Ejaculados com nível de congelabilidade alto apresentaram valores de motilidade (p<0,001), vitalidade (p<0,05) e de motilidade aos 120min do TTR (p<0.001) significativamente superiores aos de baixa congelabilidade. Na avaliação através do sistema CASA foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os ejaculados de congelabilidade alta e baixa nos seguintes parâmetros: MOT (p<0,001), MOTP (p<0,001), VAP (p<0,001), VCL (p<0,001), VSL (p<0,05), ALH (p<0,05), RAPID (p<0,001), MED (p<0,001) e STATIC (p<0,001). Considerou-se, neste estudo, que um bode que produz sémen de alta qualidade e congelabilidade teria de apresentar uma motilidade pós-descongelação média >30% e covariância <0,1. Assim, apenas os bodes 2121 e 2808 foram considerados indivíduos produtores de sémen de qualidade superior. Porém, só foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre indivíduos quanto à vitalidade, aos 5min do TTR e ao BCF. Este estudo demonstrou não existir uma variabilidade individual marcada na qualidade do sémen criopreservado dos bodes estudados. No entanto, os elevados valores de desvio padrão demonstram que os ejaculados de um mesmo macho são bastantes variáveis nas suas características seminais. A classificação e comparação dos ejaculados pelo seu nível de congelabilidade mostraram ser apropriadas e revelaram diferenças importantes na qualidade do sémen descongelado de bode.