Publicação
Avaliação da exposição ao metilmercúrio por consumo de peixe em Portugal: relação benefício-risco para a saúde infantil
| Resumo: | Sendo Portugal um país caracterizado por uma dieta típica mediterrânica, o peixe tem um importante papel na alimentação da população. O peixe é rico em ácidos gordos ómega-3 importantes para a saúde de adultos e crianças, por actuarem em múltiplos sistemas do corpo humano. Contudo, o metilmercúrio representa a forma mais tóxica e abundante de exposição ao mercúrio (Hg) ambiental do homem e ocorre principalmente através do consumo de peixe. Em populações com um elevado consumo de peixe, a exposição pré-natal e na infância ao metilmercúrio parece estar associada a danos neurológicos no feto e na criança e comprometimento do seu desenvolvimento psico-motor. O objectivo principal deste estudo é descrever o padrão usual de consumo de peixe durante a gravidez e infância em Portugal, estimar a exposição de Hg a partir da ingestão de peixe e calcular o índice de risco (IR). Outro objectivo é avaliar os níveis de Hg nas mulheres grávidas, medindo os níveis de Hg total, quer no sangue, quer no cabelo. A amostra do estudo consistiu em gestantes recrutadas em unidades de cuidados pré-natais em Lisboa e alunos que frequentam escolas primárias em Lisboa, Amadora e Sesimbra. As informações sobre o consumo alimentar habitual das crianças foram obtidas através de um diário alimentar efectuado durante duas semanas. Um questionário detalhado foi aplicado para avaliar a exposição pré-natal. A avaliação da exposição e IR foram calculados para cada participante. Os indivíduos foram classificados de acordo com o consumo semanal e o IR também foi analisado por grupo. O nível de Hg total no sangue e no cabelo foi analisado pelo método de absorção atómica, utilizando um espectrómetro AMA 254. O valor médio encontrado para o consumo semanal foi de cerca de 5 refeições de peixe para crianças e cerca de 3 para as grávidas. Apenas o IR das crianças é superior a 1, demonstrando a existência de risco para uma parte da população. O nível médio de Hg foi de 1,26 ppm (0,07-5,30 ppm) no cabelo e de 4,6 mg/L (1,1-7,3 mg/L) no sangue total. As mulheres que consumiram mais refeições de peixe por semana tiveram níveis médios de Hg no cabelo superiores do que aquelas que raramente consumiram peixe. A exposição diária ao metilmercúrio revelou-se condicionada essencialmente pela ingestão de peixes predadores, com um resultado estatisticamente significativo. É desejável e necessário que se faça a monitorização dos níveis de Hg em grávidas e crianças e as populações em risco devem ser aconselhadas relativamente às espécies de peixe com tendência a causar biomagnificação do metilmercúrio. É importante incentivar o consumo de peixe pelos seus benefícios, mas reduzir os riscos evitando as espécies de peixe com a maior concentração média de metilmercúrio. |
|---|---|
| Autores principais: | Nunes, Elizabete Valente |
| Assunto: | Teses de mestrado Toxicologia Qualidade alimentar Alimentação infantil |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Sendo Portugal um país caracterizado por uma dieta típica mediterrânica, o peixe tem um importante papel na alimentação da população. O peixe é rico em ácidos gordos ómega-3 importantes para a saúde de adultos e crianças, por actuarem em múltiplos sistemas do corpo humano. Contudo, o metilmercúrio representa a forma mais tóxica e abundante de exposição ao mercúrio (Hg) ambiental do homem e ocorre principalmente através do consumo de peixe. Em populações com um elevado consumo de peixe, a exposição pré-natal e na infância ao metilmercúrio parece estar associada a danos neurológicos no feto e na criança e comprometimento do seu desenvolvimento psico-motor. O objectivo principal deste estudo é descrever o padrão usual de consumo de peixe durante a gravidez e infância em Portugal, estimar a exposição de Hg a partir da ingestão de peixe e calcular o índice de risco (IR). Outro objectivo é avaliar os níveis de Hg nas mulheres grávidas, medindo os níveis de Hg total, quer no sangue, quer no cabelo. A amostra do estudo consistiu em gestantes recrutadas em unidades de cuidados pré-natais em Lisboa e alunos que frequentam escolas primárias em Lisboa, Amadora e Sesimbra. As informações sobre o consumo alimentar habitual das crianças foram obtidas através de um diário alimentar efectuado durante duas semanas. Um questionário detalhado foi aplicado para avaliar a exposição pré-natal. A avaliação da exposição e IR foram calculados para cada participante. Os indivíduos foram classificados de acordo com o consumo semanal e o IR também foi analisado por grupo. O nível de Hg total no sangue e no cabelo foi analisado pelo método de absorção atómica, utilizando um espectrómetro AMA 254. O valor médio encontrado para o consumo semanal foi de cerca de 5 refeições de peixe para crianças e cerca de 3 para as grávidas. Apenas o IR das crianças é superior a 1, demonstrando a existência de risco para uma parte da população. O nível médio de Hg foi de 1,26 ppm (0,07-5,30 ppm) no cabelo e de 4,6 mg/L (1,1-7,3 mg/L) no sangue total. As mulheres que consumiram mais refeições de peixe por semana tiveram níveis médios de Hg no cabelo superiores do que aquelas que raramente consumiram peixe. A exposição diária ao metilmercúrio revelou-se condicionada essencialmente pela ingestão de peixes predadores, com um resultado estatisticamente significativo. É desejável e necessário que se faça a monitorização dos níveis de Hg em grávidas e crianças e as populações em risco devem ser aconselhadas relativamente às espécies de peixe com tendência a causar biomagnificação do metilmercúrio. É importante incentivar o consumo de peixe pelos seus benefícios, mas reduzir os riscos evitando as espécies de peixe com a maior concentração média de metilmercúrio. |
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