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Suporte social percebido e funcionamento cognitivo em idosos portugueses

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Vários estudos têm sugerido a influência do suporte social percebido como um fator importante e de grande influência na saúde de indivíduos idosos. O primeiro objetivo deste estudo foi adaptar e validar para a população idosa portuguesa a escala unidimensional de Suporte Social Percebido (F-SozU-14) de Fydrich, Sommer, Tydecks e Brähler (2009). O segundo grande objetivo foi avaliar se o suporte social percebido está associado, e/ou contribui para o funcionamento cognitivo em idosos portugueses não institucionalizados. Espera-se que: H1) maiores níveis de suporte social percebido estejam associados a melhores níveis de funcionamento cognitivo, sendo o suporte social percebido um preditor deste funcionamento; H2) menores níveis de suporte social percebido estejam associados à presença de sintomatologia depressiva e ansiosa em idosos; e que H3) o nível de suporte social percebido varie em função do género, sendo as mulheres a apresentar níveis de suporte social percebido mais elevados. Uma entrevista estruturada foi utilizada para obtenção de dados sociodemográficos. O Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005) e o Mini Mental State Examination (MMSE; Folstein, Folstein e McHugh, 1975) foram utilizados como medidas de funcionamento cognitivo e a escala de Suporte Social Percebido de Fydrich et al. (2009) para avaliar o nível deste suporte. Para validar a escala de Suporte Social Percebido (Fydrich et al., 2009) foram utilizadas a Escala de Depressão Geriátrica (EDG) (Sheikh & Yesavage, 1986) de modo a avaliar a presença de sintomas depressivos e o Inventário de Ansiedade Geriátrica (IAG) (Pachana et al., 2007) para avaliar a presença de sintomatologia ansiosa, visto que investigações anteriores indicam uma associação entre os níveis de suporte social percebido e a presença de sintomatologia depressiva e ansiosa. Neste estudo participaram 48 idosos com idades compreendidas entre os 65 e os 96 anos, 43 participantes do sexo feminino e 5 do sexo masculino. A amostra foi recolhida em espaços e universidades sénior. A tradução e adaptação da escala de Suporte Social Percebido de Fydrich et al. (2009) mostrou boas propriedades psicométricas, com boa consistência interna. No entanto, não se verificou a mesma estrutura fatorial que a escala original, extraindo-se 4 fatores, que foram designados de: Suporte Tangível e Assistência Percebida; Suporte Afetivo; Suporte Emocional e Informacional; e Proximidade com os outros. Análises de regressões hierárquicas foram utilizadas para o estudo do valor preditivo do Suporte Social Percebido (Escala Total e fatores) para o funcionamento cognitivo, depois de controlar pela idade, escolaridade, sexo, depressão e ansiedade. Contrariamente ao esperado (H1), não foram encontradas correlações significativas entre os resultados na escala total de Suporte Social Percebido (Fydrich et al., 2009) e o desempenho nas duas medidas do funcionamento cognitivo, nem foi encontrada qualquer influência do suporte social percebido na variância do desempenho nos testes de funcionamento cognitivo. A primeira hipótese não foi assim corroborada, ao contrário do que se verificou em estudos anteriores que indicam uma associação entre o suporte social percebido e o funcionamento cognitivo, sendo o suporte social percebido um preditor deste funcionamento. Verificou-se uma correlação significativa negativa moderada entre o fator “Proximidade com os outros” e os resultados na EDG (Sheikh & Yesavage, 1986), indicando que indivíduos com valores mais elevados neste fator apresentaram menos sintomas depressivos. Estes resultados corroboram parcialmente a segunda hipótese em estudo (H2). Além disso, as mulheres revelaram valores mais elevados de suporte social percebido do que os homens. Existiram ainda diferenças de género entre fatores, com as mulheres a obterem valores mais elevados no fator “Suporte Emocional/Informacional”, corroborando a terceira hipótese em estudo (H3). Este estudo pretendeu começar a colmatar a lacuna de estudos que analisem a relação entre o suporte social percebido e o funcionamento cognitivo de idosos portugueses, contribuindo com a adaptação de uma escala de avaliação do suporte social percebido para português, validada com idosos inseridos na comunidade.
Autores principais:Paiva, Andreia Fonseca de
Assunto:Idosos Suporte social Cognição Depressão no idoso Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Vários estudos têm sugerido a influência do suporte social percebido como um fator importante e de grande influência na saúde de indivíduos idosos. O primeiro objetivo deste estudo foi adaptar e validar para a população idosa portuguesa a escala unidimensional de Suporte Social Percebido (F-SozU-14) de Fydrich, Sommer, Tydecks e Brähler (2009). O segundo grande objetivo foi avaliar se o suporte social percebido está associado, e/ou contribui para o funcionamento cognitivo em idosos portugueses não institucionalizados. Espera-se que: H1) maiores níveis de suporte social percebido estejam associados a melhores níveis de funcionamento cognitivo, sendo o suporte social percebido um preditor deste funcionamento; H2) menores níveis de suporte social percebido estejam associados à presença de sintomatologia depressiva e ansiosa em idosos; e que H3) o nível de suporte social percebido varie em função do género, sendo as mulheres a apresentar níveis de suporte social percebido mais elevados. Uma entrevista estruturada foi utilizada para obtenção de dados sociodemográficos. O Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005) e o Mini Mental State Examination (MMSE; Folstein, Folstein e McHugh, 1975) foram utilizados como medidas de funcionamento cognitivo e a escala de Suporte Social Percebido de Fydrich et al. (2009) para avaliar o nível deste suporte. Para validar a escala de Suporte Social Percebido (Fydrich et al., 2009) foram utilizadas a Escala de Depressão Geriátrica (EDG) (Sheikh & Yesavage, 1986) de modo a avaliar a presença de sintomas depressivos e o Inventário de Ansiedade Geriátrica (IAG) (Pachana et al., 2007) para avaliar a presença de sintomatologia ansiosa, visto que investigações anteriores indicam uma associação entre os níveis de suporte social percebido e a presença de sintomatologia depressiva e ansiosa. Neste estudo participaram 48 idosos com idades compreendidas entre os 65 e os 96 anos, 43 participantes do sexo feminino e 5 do sexo masculino. A amostra foi recolhida em espaços e universidades sénior. A tradução e adaptação da escala de Suporte Social Percebido de Fydrich et al. (2009) mostrou boas propriedades psicométricas, com boa consistência interna. No entanto, não se verificou a mesma estrutura fatorial que a escala original, extraindo-se 4 fatores, que foram designados de: Suporte Tangível e Assistência Percebida; Suporte Afetivo; Suporte Emocional e Informacional; e Proximidade com os outros. Análises de regressões hierárquicas foram utilizadas para o estudo do valor preditivo do Suporte Social Percebido (Escala Total e fatores) para o funcionamento cognitivo, depois de controlar pela idade, escolaridade, sexo, depressão e ansiedade. Contrariamente ao esperado (H1), não foram encontradas correlações significativas entre os resultados na escala total de Suporte Social Percebido (Fydrich et al., 2009) e o desempenho nas duas medidas do funcionamento cognitivo, nem foi encontrada qualquer influência do suporte social percebido na variância do desempenho nos testes de funcionamento cognitivo. A primeira hipótese não foi assim corroborada, ao contrário do que se verificou em estudos anteriores que indicam uma associação entre o suporte social percebido e o funcionamento cognitivo, sendo o suporte social percebido um preditor deste funcionamento. Verificou-se uma correlação significativa negativa moderada entre o fator “Proximidade com os outros” e os resultados na EDG (Sheikh & Yesavage, 1986), indicando que indivíduos com valores mais elevados neste fator apresentaram menos sintomas depressivos. Estes resultados corroboram parcialmente a segunda hipótese em estudo (H2). Além disso, as mulheres revelaram valores mais elevados de suporte social percebido do que os homens. Existiram ainda diferenças de género entre fatores, com as mulheres a obterem valores mais elevados no fator “Suporte Emocional/Informacional”, corroborando a terceira hipótese em estudo (H3). Este estudo pretendeu começar a colmatar a lacuna de estudos que analisem a relação entre o suporte social percebido e o funcionamento cognitivo de idosos portugueses, contribuindo com a adaptação de uma escala de avaliação do suporte social percebido para português, validada com idosos inseridos na comunidade.