Publicação
Relação entre reserva cognitiva, funcionamento cognitivo e psicológico, em adultos, em contexto pandémico
| Resumo: | Este estudo teve como objetivos principais a validação da adaptação portuguesa da Escala de Reserva Cognitiva (ERC; León et al, 2011; Tomás, 2020) numa população jovem adulta; perceber a influência da reserva cognitiva sobre o funcionamento cognitivo; explorar relações entre reserva cognitiva e diferentes sintomatologias psicológicas, como a ansiedade, o stress, a depressão e a apatia; e estudar a relação entre reserva cognitiva e os efeitos da pandemia COVID-19 no bem-estar. As hipóteses propostas neste estudo foram: H1) adultos com resultados altos na ERC terão desempenhos melhores no teste Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2010) que avalia funções cognitivas, e que a reserva cognitiva será preditora do desempenho cognitivo; H2) níveis altos de reserva cognitiva estarão associados a resultados mais baixos nos testes que avaliam sintomatologias psicológicas, como a Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21; Lovibond & Lovibond, 1995; Pais-Ribeiro et al., 2004) e a Escala de Avaliação da Apatia (EAA; Lueken et al., 2007; Caeiro et al., 2012); H3) os efeitos negativos da pandemia COVID19 (maior preocupação, menor esperança, maior perturbação de vida) serão maiores em participantes que têm resultados mais altos na EADS-21 e na EAA; e H4) participantes com níveis de reserva cognitiva mais elevados terão menos efeitos negativos da pandemia COVID-19 (menos preocupação, mais esperança, menor perturbação de vida). Foram aplicados os seguintes instrumentos: dois questionários (um sociodemográfico e outro sobre o impacto da pandemia COVID-19 no bem-estar); um instrumento de avaliação de reserva cognitiva (ERC; León et al., 2011; Tomás, 2020); um instrumento neuropsicológico de avaliação cognitiva (MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2010); e duas escalas de avaliação de sintomatologias psicológicas, nomeadamente, o stress, a ansiedade, a depressão e a apatia (EADS-21; Lovibond & Lovibond, 1995; Pais-Ribeiro et al., 2004; e EAA; Lueken et al., 2007; Caeiro et al., 2012). A ERC (Tomás, 2020) revelou ter boas propriedades psicométricas, quando adaptada à população jovem adulta portuguesa. Ao contrário do esperado (H1), os resultados da ERC não se correlacionaram positivamente com os resultados do MoCA, nem foram preditores do funcionamento cognitivo. A segunda hipótese (H2) foi parcialmente corroborada, uma vez que o desempenho na ERC se correlacionou negativa e significativamente com os resultados obtidos na EAA, mas não se associou a nenhuma das sintomatologias psicológicas avaliadas pela EADS-21. As quatro sintomatologias psicológicas correlacionaram-se significativamente com a necessidade de mudar os comportamentos diários para reduzir a propagação do vírus, indicando que a pandemia causou alterações indesejáveis na vida diária das pessoas, corroborando parcialmente a H3. No entanto, os restantes efeitos da pandemia, contrariamente ao esperado, não se correlacionaram com as sintomatologias psicológicas. A H4 não se confirmou, uma vez que não houve relações significativas entre a reserva cognitiva e os efeitos da pandemia COVID-19. Concluindo, este estudo contribuiu com a validação da ERC para a população portuguesa jovem adulta saudável. A ERC é o único instrumento de avaliação da reserva cognitiva validado para esta população. Além disso, este estudo mostrou que os anos de formação e a escolaridade estão associados à reserva cognitiva e conseguem explicar a variância do desempenho na ERC, e reafirmou o papel da apatia sobre a reserva cognitiva. A apatia, sendo caracterizada como um interesse e motivação reduzidos em se envolver em atividades (Altieri et al., 2020), pode impedir o desenvolvimento da reserva cognitiva. Uma vez que a reserva cognitiva tem um papel protetor no declínio cognitivo (Ihle et al, 2020; Wikee & Martella, 2018), é importante, nesta fase da jovem adultícia, promover fatores que a desenvolvam, como a formação, a escolaridade e o envolvimento em atividades estimulantes, como atividades sociais e de lazer. |
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| Autores principais: | Alexandre, Inês Raquel Sequeira |
| Assunto: | Processos cognitivos Adultos Ansiedade Covid 19 Stress psicológico Dissertações de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Este estudo teve como objetivos principais a validação da adaptação portuguesa da Escala de Reserva Cognitiva (ERC; León et al, 2011; Tomás, 2020) numa população jovem adulta; perceber a influência da reserva cognitiva sobre o funcionamento cognitivo; explorar relações entre reserva cognitiva e diferentes sintomatologias psicológicas, como a ansiedade, o stress, a depressão e a apatia; e estudar a relação entre reserva cognitiva e os efeitos da pandemia COVID-19 no bem-estar. As hipóteses propostas neste estudo foram: H1) adultos com resultados altos na ERC terão desempenhos melhores no teste Montreal Cognitive Assessment (MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2010) que avalia funções cognitivas, e que a reserva cognitiva será preditora do desempenho cognitivo; H2) níveis altos de reserva cognitiva estarão associados a resultados mais baixos nos testes que avaliam sintomatologias psicológicas, como a Escala de Ansiedade, Depressão e Stress (EADS-21; Lovibond & Lovibond, 1995; Pais-Ribeiro et al., 2004) e a Escala de Avaliação da Apatia (EAA; Lueken et al., 2007; Caeiro et al., 2012); H3) os efeitos negativos da pandemia COVID19 (maior preocupação, menor esperança, maior perturbação de vida) serão maiores em participantes que têm resultados mais altos na EADS-21 e na EAA; e H4) participantes com níveis de reserva cognitiva mais elevados terão menos efeitos negativos da pandemia COVID-19 (menos preocupação, mais esperança, menor perturbação de vida). Foram aplicados os seguintes instrumentos: dois questionários (um sociodemográfico e outro sobre o impacto da pandemia COVID-19 no bem-estar); um instrumento de avaliação de reserva cognitiva (ERC; León et al., 2011; Tomás, 2020); um instrumento neuropsicológico de avaliação cognitiva (MoCA; Nasreddine et al., 2005; Freitas et al., 2010); e duas escalas de avaliação de sintomatologias psicológicas, nomeadamente, o stress, a ansiedade, a depressão e a apatia (EADS-21; Lovibond & Lovibond, 1995; Pais-Ribeiro et al., 2004; e EAA; Lueken et al., 2007; Caeiro et al., 2012). A ERC (Tomás, 2020) revelou ter boas propriedades psicométricas, quando adaptada à população jovem adulta portuguesa. Ao contrário do esperado (H1), os resultados da ERC não se correlacionaram positivamente com os resultados do MoCA, nem foram preditores do funcionamento cognitivo. A segunda hipótese (H2) foi parcialmente corroborada, uma vez que o desempenho na ERC se correlacionou negativa e significativamente com os resultados obtidos na EAA, mas não se associou a nenhuma das sintomatologias psicológicas avaliadas pela EADS-21. As quatro sintomatologias psicológicas correlacionaram-se significativamente com a necessidade de mudar os comportamentos diários para reduzir a propagação do vírus, indicando que a pandemia causou alterações indesejáveis na vida diária das pessoas, corroborando parcialmente a H3. No entanto, os restantes efeitos da pandemia, contrariamente ao esperado, não se correlacionaram com as sintomatologias psicológicas. A H4 não se confirmou, uma vez que não houve relações significativas entre a reserva cognitiva e os efeitos da pandemia COVID-19. Concluindo, este estudo contribuiu com a validação da ERC para a população portuguesa jovem adulta saudável. A ERC é o único instrumento de avaliação da reserva cognitiva validado para esta população. Além disso, este estudo mostrou que os anos de formação e a escolaridade estão associados à reserva cognitiva e conseguem explicar a variância do desempenho na ERC, e reafirmou o papel da apatia sobre a reserva cognitiva. A apatia, sendo caracterizada como um interesse e motivação reduzidos em se envolver em atividades (Altieri et al., 2020), pode impedir o desenvolvimento da reserva cognitiva. Uma vez que a reserva cognitiva tem um papel protetor no declínio cognitivo (Ihle et al, 2020; Wikee & Martella, 2018), é importante, nesta fase da jovem adultícia, promover fatores que a desenvolvam, como a formação, a escolaridade e o envolvimento em atividades estimulantes, como atividades sociais e de lazer. |
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