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Ficção e encenação : o desenho como narrativa visual

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Resumo:O desenho como expressão plástica sempre esteve relacionado a uma ideia de projeto em curso, como manifestação de uma expressão formal e conceptual em permanente estado de inacabado. A relação umbilical face à pintura construiu, ao longo dos tempos, uma conceção segundo a qual o desenho se apresenta como suporte e como estado transitório da constituição da imagem enquanto produto final e acabado, como uma expressão experimental de formalizações e de conceptualizações. No entanto, esta perspectiva redutora que se inscreveu num microcosmos imagético, desenvolveu-se dentro de um relato de uma transformação da matéria em ideias, de estruturas não verbalizáveis em conteúdos semânticos. A construção gráfica exponencia a manifestação de uma errância das formas à medida que se concretiza semanticamente em conteúdo e em ideia. O discurso plástico organiza-se deste modo como expressão de um percurso de uma transformação material que ocorre a nível da superfície do suporte mas que se fundamenta a nível intelectual. O processo que envolve a construção discursiva plástica como conceptual ocorre numa temporalização que se manifesta numa estrutura de cariz narratológico. A observação de um modo narrativo como constituinte de uma discursividade plástica apresenta-se, assim como, ponto de partida desta investigação. Aferir uma tradição estrutural do desenho como meio interpretativo de narrativa e como meio expressivo de narrativa fundamenta-se no encontro que se estabelece entre o desenho como primado da ideia e o desenho como fundamento da imaginação. A transversalidade no tempo do desenho como processo e como construtor de estruturas plástico/discursivas edifica-se numa construção plural de intencionalidades e de soluções. A narrativa, como modo, exponencia a sedimentação dos diversos imaginários que vão ocorrendo e que, de forma dinâmica, se interrelacionam e se metamorfoseiam consoante os contextos do seu encontro, na memória dos artistas e na relação com o espetador. O jogo da perceção e as suas ilusões no campo da representação como manifestação de uma construção de visualidade ancoram num sistema de códigos e de convenções que se exponenciam em linguagem, que, não verbalizável, se satisfaz quando construída numa estrutura linguística que ocorre no campo da ficcionalidade. A narrativa, como ficção da ideia e do gesto plástico, e a ficção, como narrativa que verbaliza uma presença e numa existência apresentam uma dimensão do desenho que se projeta intemporalmente como exercício e como atividade do pensamento plástico. O desenho como narrativa fundamenta, ao nível semântico e processual, deste modo a sua autonomia em relação à pintura.
Autores principais:Lopes, Vasco de Brito Costa Mendes, 1969-
Assunto:Teses de doutoramento - 2014 Desenho Narrativas Representação Ficção Imaginação
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O desenho como expressão plástica sempre esteve relacionado a uma ideia de projeto em curso, como manifestação de uma expressão formal e conceptual em permanente estado de inacabado. A relação umbilical face à pintura construiu, ao longo dos tempos, uma conceção segundo a qual o desenho se apresenta como suporte e como estado transitório da constituição da imagem enquanto produto final e acabado, como uma expressão experimental de formalizações e de conceptualizações. No entanto, esta perspectiva redutora que se inscreveu num microcosmos imagético, desenvolveu-se dentro de um relato de uma transformação da matéria em ideias, de estruturas não verbalizáveis em conteúdos semânticos. A construção gráfica exponencia a manifestação de uma errância das formas à medida que se concretiza semanticamente em conteúdo e em ideia. O discurso plástico organiza-se deste modo como expressão de um percurso de uma transformação material que ocorre a nível da superfície do suporte mas que se fundamenta a nível intelectual. O processo que envolve a construção discursiva plástica como conceptual ocorre numa temporalização que se manifesta numa estrutura de cariz narratológico. A observação de um modo narrativo como constituinte de uma discursividade plástica apresenta-se, assim como, ponto de partida desta investigação. Aferir uma tradição estrutural do desenho como meio interpretativo de narrativa e como meio expressivo de narrativa fundamenta-se no encontro que se estabelece entre o desenho como primado da ideia e o desenho como fundamento da imaginação. A transversalidade no tempo do desenho como processo e como construtor de estruturas plástico/discursivas edifica-se numa construção plural de intencionalidades e de soluções. A narrativa, como modo, exponencia a sedimentação dos diversos imaginários que vão ocorrendo e que, de forma dinâmica, se interrelacionam e se metamorfoseiam consoante os contextos do seu encontro, na memória dos artistas e na relação com o espetador. O jogo da perceção e as suas ilusões no campo da representação como manifestação de uma construção de visualidade ancoram num sistema de códigos e de convenções que se exponenciam em linguagem, que, não verbalizável, se satisfaz quando construída numa estrutura linguística que ocorre no campo da ficcionalidade. A narrativa, como ficção da ideia e do gesto plástico, e a ficção, como narrativa que verbaliza uma presença e numa existência apresentam uma dimensão do desenho que se projeta intemporalmente como exercício e como atividade do pensamento plástico. O desenho como narrativa fundamenta, ao nível semântico e processual, deste modo a sua autonomia em relação à pintura.