Publicação
Continuidade em cuidados domiciliários : o papel do enfermeiro
| Resumo: | O panorama das necessidades de saúde é marcado pela alteração das curvas de transição epidemiológica e demográfica o que, a par da precocidade das altas hospitalares, determina o incremento dos cuidados de saúde domiciliários. A literatura sobre o papel do enfermeiro no domicílio é variada (ainda que escassa), foca os múltiplos contornos neste contexto, considerado como representando novos desafios e reporta-se a realidades diferentes da nacional, não se encontrando referência a intervenções conducentes à manutenção da continuidade de cuidados. Com este estudo pretendeu-se compreender como é que, no domicílio, é assegurada a continuidade dos cuidados de saúde, tendo por base a questão: Qual o papel singular do enfermeiro na construção da continuidade dos cuidados de saúde no domicilio? A investigação decorreu sob o referencial teórico do Interaccionismo Simbólico. Foi utilizada, como metodologia de análise, a “Grounded Theory” de Glaser e Strauss (1967). O trabalho de campo foi autorizado e decorreu num Centro de Saúde com um Programa de Cuidados Continuados Domiciliários. Os dados foram colhidos através de entrevistas qualitativas (enfermeiros, equipa, Direcção do Centro de Saúde, autarcas, utentes e cuidadores), observação participante e entrevista de grupo focal (Focus Group). Os achados elucidam sobre a natureza e o processo de construção da continuidade dos cuidados: em resposta às condições contextuais do domicilio, o enfermeiro Recria o Papel assumindo-se como Mediador entre as necessidades e os recursos e o Apoio Técnico-Cientifico e Emocional da pessoa e da família. Recriar o Papel, resulta do entrecruzar da Conciliação do Papel do enfermeiro com as expectativas dos intervenientes, adopção de Praxis Crítica como singularidade do fazer e Encontro de Alteridades como a especificidade da relação com a pessoa e família. Da recriação do papel resulta a construção de uma parceria: o enfermeiro constitui-se Parceiro da Família cuidadora. A continuidade dos cuidados resulta de Co- Construção família-enfermeira. Co-Construção é o constructo que responde à questão de partida e envolve, além dos anteriores, novos conceitos como "Trabalho sem Rede", "Ciclo Informação-Acção" e "Lastro Residual de Relação" predicativos da singularidade do fazer enfermagem neste contexto. Foram identificadas as implicações do estudo para a profissão e para a academia de enfermagem. |
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| Autores principais: | Duarte, Susana Filomena Cardoso, 1959- |
| Assunto: | Cuidados domiciliários Continuidade Papel do enfermeiro Teses de doutoramento - 2010 |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O panorama das necessidades de saúde é marcado pela alteração das curvas de transição epidemiológica e demográfica o que, a par da precocidade das altas hospitalares, determina o incremento dos cuidados de saúde domiciliários. A literatura sobre o papel do enfermeiro no domicílio é variada (ainda que escassa), foca os múltiplos contornos neste contexto, considerado como representando novos desafios e reporta-se a realidades diferentes da nacional, não se encontrando referência a intervenções conducentes à manutenção da continuidade de cuidados. Com este estudo pretendeu-se compreender como é que, no domicílio, é assegurada a continuidade dos cuidados de saúde, tendo por base a questão: Qual o papel singular do enfermeiro na construção da continuidade dos cuidados de saúde no domicilio? A investigação decorreu sob o referencial teórico do Interaccionismo Simbólico. Foi utilizada, como metodologia de análise, a “Grounded Theory” de Glaser e Strauss (1967). O trabalho de campo foi autorizado e decorreu num Centro de Saúde com um Programa de Cuidados Continuados Domiciliários. Os dados foram colhidos através de entrevistas qualitativas (enfermeiros, equipa, Direcção do Centro de Saúde, autarcas, utentes e cuidadores), observação participante e entrevista de grupo focal (Focus Group). Os achados elucidam sobre a natureza e o processo de construção da continuidade dos cuidados: em resposta às condições contextuais do domicilio, o enfermeiro Recria o Papel assumindo-se como Mediador entre as necessidades e os recursos e o Apoio Técnico-Cientifico e Emocional da pessoa e da família. Recriar o Papel, resulta do entrecruzar da Conciliação do Papel do enfermeiro com as expectativas dos intervenientes, adopção de Praxis Crítica como singularidade do fazer e Encontro de Alteridades como a especificidade da relação com a pessoa e família. Da recriação do papel resulta a construção de uma parceria: o enfermeiro constitui-se Parceiro da Família cuidadora. A continuidade dos cuidados resulta de Co- Construção família-enfermeira. Co-Construção é o constructo que responde à questão de partida e envolve, além dos anteriores, novos conceitos como "Trabalho sem Rede", "Ciclo Informação-Acção" e "Lastro Residual de Relação" predicativos da singularidade do fazer enfermagem neste contexto. Foram identificadas as implicações do estudo para a profissão e para a academia de enfermagem. |
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