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A (in)justiça divina à luz da teoria de Kohlberg : constituirá a fé um factor de moralidade?

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Resumo:A teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg constitui um marco no estudo dos processos psicológicos subjacentes à moralidade. Partindo das investigações e do enfoque piagetiano, Kohlberg logrou elevá-lo ao seu pleno desenvolvimento, transpondo para o domínio da moralidade os princípios da teoria piagetiana. De acordo com esta, Kohlberg enfatiza o componente cognitivo-estrutural ou de juízo moral, ancorando a moralidade na racionalidade. O desenvolvimento do pensamento moral ocorre no sentido da justiça, sendo este o princípio moral universal e a única virtude. Esta teoria tem sido, contudo, criticada por diversas perspectivas que acentuam a importância de outros valores ou princípios. Na perspectiva da ética Cristã, valores como a benevolência, o perdão ou a compaixão, são igualmente fundamentais e vão mesmo além do princípio da justiça. O presente estudo tem como objectivo compreender de que modo as pessoas integram diferentes valores, em situações dilemáticas do domínio moral. Para esse efeito utilizaram-se parábolas da Bíblia que se considera ilustrar situações de aparente injustiça, mas em que, na verdade, a justiça não só é garantida, mas até mesmo excedida pelo princípio da benevolência. As parábolas foram apresentadas a 64 adolescentes e jovens adultos, com ou sem fé, que foram depois indagados através de uma entrevista semi-estruturada. Verificou-se que os participantes mais velhos e mais religiosos incluem nas suas respostas mais argumentos relacionados com o perdão, o amor e outros factores afectivos. Além disso, os participantes com níveis de fé mais elevados mostram-se mais capazes de reconhecer e resolver as contradições entre os valores presentes nas parábolas, embora as diferenças não tenham atingido a significância. De notar também a dificuldade de grande parte dos participantes em compreender de modo profundo o significado das parábolas, mesmo entre o grupo dos mais religiosos, o que nos leva a questionar alguns aspectos da educação religiosa actualmente praticada.
Autores principais:Almeida, Jorge Manuel Lages, 1962-
Assunto:Psicologia do desenvolvimento Moralidade Fé religiosa Teses de mestrado
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A teoria do desenvolvimento moral de Kohlberg constitui um marco no estudo dos processos psicológicos subjacentes à moralidade. Partindo das investigações e do enfoque piagetiano, Kohlberg logrou elevá-lo ao seu pleno desenvolvimento, transpondo para o domínio da moralidade os princípios da teoria piagetiana. De acordo com esta, Kohlberg enfatiza o componente cognitivo-estrutural ou de juízo moral, ancorando a moralidade na racionalidade. O desenvolvimento do pensamento moral ocorre no sentido da justiça, sendo este o princípio moral universal e a única virtude. Esta teoria tem sido, contudo, criticada por diversas perspectivas que acentuam a importância de outros valores ou princípios. Na perspectiva da ética Cristã, valores como a benevolência, o perdão ou a compaixão, são igualmente fundamentais e vão mesmo além do princípio da justiça. O presente estudo tem como objectivo compreender de que modo as pessoas integram diferentes valores, em situações dilemáticas do domínio moral. Para esse efeito utilizaram-se parábolas da Bíblia que se considera ilustrar situações de aparente injustiça, mas em que, na verdade, a justiça não só é garantida, mas até mesmo excedida pelo princípio da benevolência. As parábolas foram apresentadas a 64 adolescentes e jovens adultos, com ou sem fé, que foram depois indagados através de uma entrevista semi-estruturada. Verificou-se que os participantes mais velhos e mais religiosos incluem nas suas respostas mais argumentos relacionados com o perdão, o amor e outros factores afectivos. Além disso, os participantes com níveis de fé mais elevados mostram-se mais capazes de reconhecer e resolver as contradições entre os valores presentes nas parábolas, embora as diferenças não tenham atingido a significância. De notar também a dificuldade de grande parte dos participantes em compreender de modo profundo o significado das parábolas, mesmo entre o grupo dos mais religiosos, o que nos leva a questionar alguns aspectos da educação religiosa actualmente praticada.