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Empathy as an answer for the tragedy paradox in music

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Resumo:O apelo de motivos trágicos nas artes constitui um paradoxo que remonta à Antiguidade clássica, aplicado sobretudo no âmbito das artes dramáticas, denominado Paradoxo da Tragédia. Aristóteles foi o primeiro filósofo a elaborar uma resposta para o mesmo baseada na purgação de emoções negativas do espectador pela sua experiência em contextos ficcionadas, o qual designou de catarse. O objectivo deste trabalho foi resolver o mesmo paradoxo no âmbito da música com motivos trágicos, ou seja, capaz de evocar emoções negativas - em especial a tristeza -, através de explicações conversoras , que consideram que a experiência de emoções negativas é convertida em experiências psicologicamente recompensadoras. Considerando a catarse uma proposta coerente com as explicações conversoras, o trabalho propôs-se a oferecer uma versão adaptável à música. Tendo em conta a relação estabelecida na literatura entre a apreciação de música triste e disposição individual de traços de empatia, esta foi considerada como uma capacidade importante para a resolução do referido paradoxo. Contudo, como é possível que a empatia explique tal conversão? Como empatizar com a música? Para perseguir o objectivo acima descrito, estabeleceram-se duas questões de pesquisa fundamentais que dividiram o trabalho em duas partes: Como é que uma experiência empática permite experienciar emoções negativas através da música? e Como é que a empatia pode explicar um processo catártico na música ? Na primeira parte do trabalho foi elaborada uma confirmação da evocação de sentimentos negativos através da música, indispensável para defender a explicação mencionada, produzida por mecanismos de empatia emocional ( contágio emocional ) ou cognitiva ( imaginação ), caso a resposta tenha origem nas características acústicas da música ou no significado da letra. Além disso, foi destacado o papel dos neurónios-espelho na ponte entre a percepção de emoções na música e a sua apreciação. Na segunda parte do trabalho foi atribuída a exclusiva responsabilidade das recompensas psicológicas aos mecanismos de empatia cognitiva , gerando recompensas com origem no próprio processo empático e na falta de implicações reais associadas com a tristeza provocada pela música. Tais recompensas compõe o processo catártico que leva à purificação de emoções negativas do ouvinte e justifica as suas motivações para ouvir música triste . Para o futuro, sugere-se que seja explorada a relação entre mecanismos homeostáticos de regulação de emoções e da empatia cognitiva, a fim de gerar um melhor entendimento sobre a capacidade de empatizar, bem como, sobre o papel da música como potenciador de tal capacidade, tão importante para as interações humanas a diversos níveis da sociedade.
Autores principais:Viegas, Catarina dos Reis
Assunto:Empatia Tragédia Emoções - Na música Cognição Música - Aspectos psicológicos Música - Efeitos fisiológicos Catarse Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O apelo de motivos trágicos nas artes constitui um paradoxo que remonta à Antiguidade clássica, aplicado sobretudo no âmbito das artes dramáticas, denominado Paradoxo da Tragédia. Aristóteles foi o primeiro filósofo a elaborar uma resposta para o mesmo baseada na purgação de emoções negativas do espectador pela sua experiência em contextos ficcionadas, o qual designou de catarse. O objectivo deste trabalho foi resolver o mesmo paradoxo no âmbito da música com motivos trágicos, ou seja, capaz de evocar emoções negativas - em especial a tristeza -, através de explicações conversoras , que consideram que a experiência de emoções negativas é convertida em experiências psicologicamente recompensadoras. Considerando a catarse uma proposta coerente com as explicações conversoras, o trabalho propôs-se a oferecer uma versão adaptável à música. Tendo em conta a relação estabelecida na literatura entre a apreciação de música triste e disposição individual de traços de empatia, esta foi considerada como uma capacidade importante para a resolução do referido paradoxo. Contudo, como é possível que a empatia explique tal conversão? Como empatizar com a música? Para perseguir o objectivo acima descrito, estabeleceram-se duas questões de pesquisa fundamentais que dividiram o trabalho em duas partes: Como é que uma experiência empática permite experienciar emoções negativas através da música? e Como é que a empatia pode explicar um processo catártico na música ? Na primeira parte do trabalho foi elaborada uma confirmação da evocação de sentimentos negativos através da música, indispensável para defender a explicação mencionada, produzida por mecanismos de empatia emocional ( contágio emocional ) ou cognitiva ( imaginação ), caso a resposta tenha origem nas características acústicas da música ou no significado da letra. Além disso, foi destacado o papel dos neurónios-espelho na ponte entre a percepção de emoções na música e a sua apreciação. Na segunda parte do trabalho foi atribuída a exclusiva responsabilidade das recompensas psicológicas aos mecanismos de empatia cognitiva , gerando recompensas com origem no próprio processo empático e na falta de implicações reais associadas com a tristeza provocada pela música. Tais recompensas compõe o processo catártico que leva à purificação de emoções negativas do ouvinte e justifica as suas motivações para ouvir música triste . Para o futuro, sugere-se que seja explorada a relação entre mecanismos homeostáticos de regulação de emoções e da empatia cognitiva, a fim de gerar um melhor entendimento sobre a capacidade de empatizar, bem como, sobre o papel da música como potenciador de tal capacidade, tão importante para as interações humanas a diversos níveis da sociedade.