Publicação
Alterações comportamentais sugestivas de síndrome da disfunção cognitiva em cães geriátricos
| Resumo: | A Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina (DCC) é uma alteração neurodegenerativa que afeta cães geriátricos. É caracterizada por um declínio progressivo na função cognitiva do animal, que resulta em défices de aprendizagem, memória e de percepção espacial e alterações nos padrões de sono e interação social. Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de DCC em cães de idade igual ou superior a 7 anos e avaliar: i) a frequência de demonstração de sinais de DCC; ii) a sua relação com a idade, sexo e porte do animal, ingestão de dieta específica para cães geriátricos e a execução de atividades estimulantes; iii) a percepção da DCC pelos donos. Foram efetuados 100 inquéritos presenciais a proprietários de cães de idade igual ou superior a 7 anos (n=57 fêmeas, n= 43 machos) através da aplicação de um questionário dividido em: Parte I (identificação); Parte II (alterações comportamentais, adaptado de Rofina et al., 2006); Parte III (informações adicionais); Parte IV (dieta); Parte V (percepção do dono) e Parte VI (frequência de atividades estimulantes). Os dados da parte II do questionário foram utilizados num sistema de classificação consoante o grau de disfunção cognitiva, descrito por Fast et al. (2013). Os cães cujo score obtido foi de 10 foram incluídos no grupo sem DCC, os com score entre 11 e 15 no grupo de DCC borderline e os com score superior a 15 no grupo de DCC. Aos animais do grupo DCC foi realizada uma avaliação clínica e neurológica de modo a avaliar a existência de co-morbilidades confundíveis com o quadro de disfunção cognitiva. Foram excluídos 5 animais ou por impossibilidade de realização da avaliação clínica ou por co-morbilidade associada. Dos 95 cães da amostra final, 20% foram incluídos no grupo DCC, 69% no de DCC borderline e 11% no grupo sem DCC. As alterações mais frequentemente observadas na população em estudo, incidiram sobre a interação/atividade (24%) e o ciclo de sono/vigília (22%). Através de uma análise de regressão linear, demonstrou-se uma relação significativa entre a idade e o score (P <0,01), corroborando a ideia de que a DCC é um processo influenciado pelo avançar da idade. Já o porte, o sexo e a ingestão de dieta sénior não demonstraram relação com o score. Verificou-se que, a maioria dos proprietários de cães com DCC não valorizava as alterações comportamentais, associando-as a um fenómeno natural de envelhecimento (68%). O resultado de uma análise de regressão linear simples sugere que o estímulo cognitivo, através de jogos e brincadeiras frequentes com o animal, pode ter influência no atraso do processo de DCC (P <0,1). |
|---|---|
| Autores principais: | Travancinha, Joana Dias Nobre Paiva |
| Assunto: | Síndrome de Disfunção Cognitiva Canina Idade Porte Sexo Dieta Atividades estimulantes Canine Cognitive Dysfunction Syndrome Age Size Sex Diet Cognitive stimulation |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Síndrome da Disfunção Cognitiva Canina (DCC) é uma alteração neurodegenerativa que afeta cães geriátricos. É caracterizada por um declínio progressivo na função cognitiva do animal, que resulta em défices de aprendizagem, memória e de percepção espacial e alterações nos padrões de sono e interação social. Este estudo teve como objetivo estimar a prevalência de DCC em cães de idade igual ou superior a 7 anos e avaliar: i) a frequência de demonstração de sinais de DCC; ii) a sua relação com a idade, sexo e porte do animal, ingestão de dieta específica para cães geriátricos e a execução de atividades estimulantes; iii) a percepção da DCC pelos donos. Foram efetuados 100 inquéritos presenciais a proprietários de cães de idade igual ou superior a 7 anos (n=57 fêmeas, n= 43 machos) através da aplicação de um questionário dividido em: Parte I (identificação); Parte II (alterações comportamentais, adaptado de Rofina et al., 2006); Parte III (informações adicionais); Parte IV (dieta); Parte V (percepção do dono) e Parte VI (frequência de atividades estimulantes). Os dados da parte II do questionário foram utilizados num sistema de classificação consoante o grau de disfunção cognitiva, descrito por Fast et al. (2013). Os cães cujo score obtido foi de 10 foram incluídos no grupo sem DCC, os com score entre 11 e 15 no grupo de DCC borderline e os com score superior a 15 no grupo de DCC. Aos animais do grupo DCC foi realizada uma avaliação clínica e neurológica de modo a avaliar a existência de co-morbilidades confundíveis com o quadro de disfunção cognitiva. Foram excluídos 5 animais ou por impossibilidade de realização da avaliação clínica ou por co-morbilidade associada. Dos 95 cães da amostra final, 20% foram incluídos no grupo DCC, 69% no de DCC borderline e 11% no grupo sem DCC. As alterações mais frequentemente observadas na população em estudo, incidiram sobre a interação/atividade (24%) e o ciclo de sono/vigília (22%). Através de uma análise de regressão linear, demonstrou-se uma relação significativa entre a idade e o score (P <0,01), corroborando a ideia de que a DCC é um processo influenciado pelo avançar da idade. Já o porte, o sexo e a ingestão de dieta sénior não demonstraram relação com o score. Verificou-se que, a maioria dos proprietários de cães com DCC não valorizava as alterações comportamentais, associando-as a um fenómeno natural de envelhecimento (68%). O resultado de uma análise de regressão linear simples sugere que o estímulo cognitivo, através de jogos e brincadeiras frequentes com o animal, pode ter influência no atraso do processo de DCC (P <0,1). |
|---|