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Impactos das alterações do uso do solo nos fluxos de CO2 na União Soviética entre 1940 e 1960

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Resumo:Dados observacionais de alta resolução temporal da concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico, obtidos através de ar aprisionado em gelo da Antártida, indicam uma estabilização dessa concentração ao longo da década de 1940, sugerindo um equilíbrio entre fontes e sumidouros de CO2 durante esse período. No entanto, as mais recentes reconstruções dos diversos termos do balanço de carbono não permitem reconstruir essa mesma estabilização. Trabalhos recentes indicam que as estimativas do sequestro terrestre de CO2 possam estar a ser subestimadas durante esse período (Bastos et al., 2016). Entre outras razões, esta discrepância pode estar associada a alterações no uso e coberto do solo (Land Use and Land Cover Change, LULCC) não totalmente contabilizadas nas mesmas reconstruções. A década de 1940 foi marcada pela 2ª Guerra Mundial e por drásticas alterações socio-económicas. Novos dados indicam um abandono substancial de áreas agrícolas em zonas de conflito na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que não foi considerado por Hurtt et al. (2011). Esta dissertação pretende avaliar a contribuição do abandono dos campos agrícolas indicado pelos novos dados para os fluxos de CO2 entre atmosfera e biosfera. Em particular, pretende-se estimar o impacto dos dados em falta para o sumidouro terrestre necessário para explicar a estabilização de CO2 atmosférico da década de 40. Para tal, procedeu-se à atualização dos dados de LULCC de Hurtt et al. (2011) utilizando os novos dados de área agrícola na URSS. Foram definidos diferentes cenários de transições ecológicas após abandono agrícola, e os fluxos de CO2 nos ecossistemas serão calculados utilizando o modelo dinâmico de vegetação, ORCHIDEE-MICT (Zhu et al. 2015). O cenário correspondente a um aumento do sequestro de carbono corresponde à substituição de áreas agrícolas por floresta. A diferença média anual que esse cenário apresenta face aos dados de referência para a década de 1940 é de 0.024 PgC/ano, sendo que a diferença máxima na mesma década é de 0.24 PgC/ano em 1941. Ao longo da década de 1940, este cenário conduz a emissões de CO2 por LULCC 24 Tg/ano inferiores às estimadas usando os dados de Hurtt et al. (2011). Este valor corresponde a cerca de 6% do sumidouro terrestre adicional necessário para explicar o plateau de CO2 atmosférico, indicando a necessidade de reconstruções mais detalhadas de LULCC a nível global de forma a caracterizar correctamente as emissões de CO2 devido a LULCC.
Autores principais:Reis, Érico Aboo Gani dos
Assunto:LULCC URSS 2ª Guerra Mundial ORCHIDEE-MICT Sequestro de carbono Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Dados observacionais de alta resolução temporal da concentração de dióxido de carbono (CO2) atmosférico, obtidos através de ar aprisionado em gelo da Antártida, indicam uma estabilização dessa concentração ao longo da década de 1940, sugerindo um equilíbrio entre fontes e sumidouros de CO2 durante esse período. No entanto, as mais recentes reconstruções dos diversos termos do balanço de carbono não permitem reconstruir essa mesma estabilização. Trabalhos recentes indicam que as estimativas do sequestro terrestre de CO2 possam estar a ser subestimadas durante esse período (Bastos et al., 2016). Entre outras razões, esta discrepância pode estar associada a alterações no uso e coberto do solo (Land Use and Land Cover Change, LULCC) não totalmente contabilizadas nas mesmas reconstruções. A década de 1940 foi marcada pela 2ª Guerra Mundial e por drásticas alterações socio-económicas. Novos dados indicam um abandono substancial de áreas agrícolas em zonas de conflito na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que não foi considerado por Hurtt et al. (2011). Esta dissertação pretende avaliar a contribuição do abandono dos campos agrícolas indicado pelos novos dados para os fluxos de CO2 entre atmosfera e biosfera. Em particular, pretende-se estimar o impacto dos dados em falta para o sumidouro terrestre necessário para explicar a estabilização de CO2 atmosférico da década de 40. Para tal, procedeu-se à atualização dos dados de LULCC de Hurtt et al. (2011) utilizando os novos dados de área agrícola na URSS. Foram definidos diferentes cenários de transições ecológicas após abandono agrícola, e os fluxos de CO2 nos ecossistemas serão calculados utilizando o modelo dinâmico de vegetação, ORCHIDEE-MICT (Zhu et al. 2015). O cenário correspondente a um aumento do sequestro de carbono corresponde à substituição de áreas agrícolas por floresta. A diferença média anual que esse cenário apresenta face aos dados de referência para a década de 1940 é de 0.024 PgC/ano, sendo que a diferença máxima na mesma década é de 0.24 PgC/ano em 1941. Ao longo da década de 1940, este cenário conduz a emissões de CO2 por LULCC 24 Tg/ano inferiores às estimadas usando os dados de Hurtt et al. (2011). Este valor corresponde a cerca de 6% do sumidouro terrestre adicional necessário para explicar o plateau de CO2 atmosférico, indicando a necessidade de reconstruções mais detalhadas de LULCC a nível global de forma a caracterizar correctamente as emissões de CO2 devido a LULCC.