Publicação
Coinfeções por hemoparasitas em gatos hospitalizados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar Veterinário da FMV-ULisboa
| Resumo: | Os hemoplasmas são bactérias do género Mycoplasma que infetam uma grande variedade de animais, incluindo os gatos. Mycoplasma haemofelis é o agente mais virulento para os gatos, causando anemia hemolítica que pode ser fatal. Em Portugal, a prevalência relatada de hemoplasmas felinos varia entre 20% e 43%. Os sinais clínicos de hemoplasmose felina são inespecíficos (letargia, inapetência, febre intermitente, palidez das membranas mucosas) e os gatos que são portadores crónicos podem ser assintomáticos. Quanto às alterações do hemograma verifica-se anemia e no leucograma as principais alterações são leucopénia e linfopénia. As vias de transmissão mais relatadas são a mordedura e vetores artrópodes. O diagnóstico definitivo é obtido através de técnicas moleculares, serológicas ou citologia de esfregaço sanguíneo. O protocolo terapêutico envolve a administração de doxiciclina. Este estudo observacional retrospetivo caracterizou um grupo de gatos internados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar Veterinário da FMV ULisboa, entre 2013 e 2023, com um teste de imunofluorescência indireta positivo para imunoglobulinas G e M anti-Mycoplasma spp.. Os sinais clínicos registados com maior frequência foram prostração, anorexia, temperatura retal elevada e membranas mucosas pálidas. Nas análises clínicas, verificou-se presença de anemia, trombocitopénia e linfopénia. Os resultados obtidos revelaram que os gatos seropositivos ao género Mycoplasma eram machos, castrados, jovens adultos e com acesso ao exterior. As fêmeas têm 1,4 vezes maior probabilidade de serem seropositivas a apenas um hemoparasita em relação aos machos (p=0,046). Gatos internados em meses quentes têm 1,54 vezes maior probabilidade de terem IgG anti-Mycoplasma spp. em relação a gatos internados em meses frios (p=0,005). Gatos com anemia, neutropénia e trombocitopénia têm, respetivamente, 7,5 (p<0,001), 2,5 (p=0,033) e 7,1 (p=0,007) vezes maior probabilidade de morrer do que gatos sem estas alterações. Adicionalmente, os gatos que morreram apresentaram idades significativamente superiores (p=0,005) e tiveram internamentos significativamente mais curtos (p=0,023) do que os sobreviventes. É, assim, de grande importância a investigação e tratamento de outras afeções em gatos internados por suspeita ou por diagnóstico confirmado de doença infeciosa |
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| Autores principais: | Paulo, Daniela Viana |
| Assunto: | Anemia hemolítica Gatos Hemoplasmose Fatores de risco Mycoplasma spp. Haemolytic anaemia Cats Haemoplasmosis Risk factors Mycoplasma spp. |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os hemoplasmas são bactérias do género Mycoplasma que infetam uma grande variedade de animais, incluindo os gatos. Mycoplasma haemofelis é o agente mais virulento para os gatos, causando anemia hemolítica que pode ser fatal. Em Portugal, a prevalência relatada de hemoplasmas felinos varia entre 20% e 43%. Os sinais clínicos de hemoplasmose felina são inespecíficos (letargia, inapetência, febre intermitente, palidez das membranas mucosas) e os gatos que são portadores crónicos podem ser assintomáticos. Quanto às alterações do hemograma verifica-se anemia e no leucograma as principais alterações são leucopénia e linfopénia. As vias de transmissão mais relatadas são a mordedura e vetores artrópodes. O diagnóstico definitivo é obtido através de técnicas moleculares, serológicas ou citologia de esfregaço sanguíneo. O protocolo terapêutico envolve a administração de doxiciclina. Este estudo observacional retrospetivo caracterizou um grupo de gatos internados na Unidade de Isolamento e Contenção Biológica do Hospital Escolar Veterinário da FMV ULisboa, entre 2013 e 2023, com um teste de imunofluorescência indireta positivo para imunoglobulinas G e M anti-Mycoplasma spp.. Os sinais clínicos registados com maior frequência foram prostração, anorexia, temperatura retal elevada e membranas mucosas pálidas. Nas análises clínicas, verificou-se presença de anemia, trombocitopénia e linfopénia. Os resultados obtidos revelaram que os gatos seropositivos ao género Mycoplasma eram machos, castrados, jovens adultos e com acesso ao exterior. As fêmeas têm 1,4 vezes maior probabilidade de serem seropositivas a apenas um hemoparasita em relação aos machos (p=0,046). Gatos internados em meses quentes têm 1,54 vezes maior probabilidade de terem IgG anti-Mycoplasma spp. em relação a gatos internados em meses frios (p=0,005). Gatos com anemia, neutropénia e trombocitopénia têm, respetivamente, 7,5 (p<0,001), 2,5 (p=0,033) e 7,1 (p=0,007) vezes maior probabilidade de morrer do que gatos sem estas alterações. Adicionalmente, os gatos que morreram apresentaram idades significativamente superiores (p=0,005) e tiveram internamentos significativamente mais curtos (p=0,023) do que os sobreviventes. É, assim, de grande importância a investigação e tratamento de outras afeções em gatos internados por suspeita ou por diagnóstico confirmado de doença infeciosa |
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