Publicação

Avaliação da atividade antimicrobiana, imunomoduladora eanticancerígena de extratos de mirtilo e de framboesa

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Vários estudos têm evidenciado os efeitos benéficos de uma alimentação equilibrada, rica em hortofrutícolas, na redução do risco de desenvolvimento de doenças como as DCV, a diabetes e o cancro. Dos compostos presentes nestes alimentos, os polifenóis parecem ser os responsáveis por alguns destes efeitos. As bagas, denominação comummente usada para designar frutos pequenos de cor intensa, são particularmente ricas em compostos fenólicos. De entre as bagas, destacam-se, pela sua crescente produção nacional e presença no mercado, o mirtilo e a framboesa. Por serem escassos os estudos que tenham avaliado os efeitos biológicos destas bagas (e dos seus componentes) em Portugal, a presente dissertação teve como objetivo avaliar a atividade antimicrobiana, imunomoduladora e anticancerígena de extratos de mirtilo e framboesa de origem portuguesa. Após a preparação dos extratos, avaliou-se a atividade antibacteriana em bactérias Gram-positivo e Gram-negativo, a atividade antifúngica em três espécies de Candida, a capacidade de inibição da produção de NO por macrófagos RAW 264.7, o efeito citotóxico em macrófagos e a capacidade de inibição da proliferação de linfócitos T e de duas linhas celulares de cancro de próstata. Verificou-se uma ausência de atividade antibacteriana por parte de ambos os extratos e uma capacidade fungistática do extrato de framboesa a 100μg/mL em C. albicans e C. parapsilosis. Ambos os extratos inibiram a produção de NO por macrófagos RAW 264.7 de uma maneira dose-dependente, com um IC50, em μg/mL, de 53,58 ± 7,21 para o mirtilo e de 44,36 ± 8,67, para a framboesa, sem efeitos citotóxicos. Também se verificou uma inibição dose-dependente da proliferação de linfócitos T, contudo sempre inferior a 30%, sem possibilitar o cálculo do IC50. O mesmo se verificou relativamente às linhas celulares de cancro de próstata, uma vez que, para ambas, a inibição por parte dos extratos não ultrapassou os 25%. De uma forma geral, os resultados foram mais pronunciados para o extrato de framboesa, o que pode ser explicado pelo maior teor de compostos fenólicos deste extrato relativamente ao de mirtilo (22,5μg EAG/mg e 18,7μg EAG/mg). Os resultados do presente trabalho permitem concluir que os compostos presentes nos mirtilos e framboesas testados têm um efeito imunomodulador, principalmente anti-inflamatório e, de uma forma menos pronunciada, de inibição da proliferação de linfócitos T. Relativamente aos efeitos em linhas celulares de cancro, os resultados parecem promissores, principalmente em relação à framboesa, uma vez que mostrou inibir a proliferação das duas linhas celulares usadas. Quanto à atividade antimicrobiana, as concentrações testadas, significativamente inferiores às descritas na literatura, não permitiram verificar efeitos antibacterianos para ambos os extratos nem antifúngicos para o extrato de mirtilo. Pode inferir-se que o uso de extratos em concentrações superiores às testadas ou a purificação dos mesmos em estudos futuros permitirá a obtenção de resultados mais significativos.
Autores principais:Dias, Katy Esteves
Assunto:Controlo da Qualidade e Toxicologia dos Alimentos Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Vários estudos têm evidenciado os efeitos benéficos de uma alimentação equilibrada, rica em hortofrutícolas, na redução do risco de desenvolvimento de doenças como as DCV, a diabetes e o cancro. Dos compostos presentes nestes alimentos, os polifenóis parecem ser os responsáveis por alguns destes efeitos. As bagas, denominação comummente usada para designar frutos pequenos de cor intensa, são particularmente ricas em compostos fenólicos. De entre as bagas, destacam-se, pela sua crescente produção nacional e presença no mercado, o mirtilo e a framboesa. Por serem escassos os estudos que tenham avaliado os efeitos biológicos destas bagas (e dos seus componentes) em Portugal, a presente dissertação teve como objetivo avaliar a atividade antimicrobiana, imunomoduladora e anticancerígena de extratos de mirtilo e framboesa de origem portuguesa. Após a preparação dos extratos, avaliou-se a atividade antibacteriana em bactérias Gram-positivo e Gram-negativo, a atividade antifúngica em três espécies de Candida, a capacidade de inibição da produção de NO por macrófagos RAW 264.7, o efeito citotóxico em macrófagos e a capacidade de inibição da proliferação de linfócitos T e de duas linhas celulares de cancro de próstata. Verificou-se uma ausência de atividade antibacteriana por parte de ambos os extratos e uma capacidade fungistática do extrato de framboesa a 100μg/mL em C. albicans e C. parapsilosis. Ambos os extratos inibiram a produção de NO por macrófagos RAW 264.7 de uma maneira dose-dependente, com um IC50, em μg/mL, de 53,58 ± 7,21 para o mirtilo e de 44,36 ± 8,67, para a framboesa, sem efeitos citotóxicos. Também se verificou uma inibição dose-dependente da proliferação de linfócitos T, contudo sempre inferior a 30%, sem possibilitar o cálculo do IC50. O mesmo se verificou relativamente às linhas celulares de cancro de próstata, uma vez que, para ambas, a inibição por parte dos extratos não ultrapassou os 25%. De uma forma geral, os resultados foram mais pronunciados para o extrato de framboesa, o que pode ser explicado pelo maior teor de compostos fenólicos deste extrato relativamente ao de mirtilo (22,5μg EAG/mg e 18,7μg EAG/mg). Os resultados do presente trabalho permitem concluir que os compostos presentes nos mirtilos e framboesas testados têm um efeito imunomodulador, principalmente anti-inflamatório e, de uma forma menos pronunciada, de inibição da proliferação de linfócitos T. Relativamente aos efeitos em linhas celulares de cancro, os resultados parecem promissores, principalmente em relação à framboesa, uma vez que mostrou inibir a proliferação das duas linhas celulares usadas. Quanto à atividade antimicrobiana, as concentrações testadas, significativamente inferiores às descritas na literatura, não permitiram verificar efeitos antibacterianos para ambos os extratos nem antifúngicos para o extrato de mirtilo. Pode inferir-se que o uso de extratos em concentrações superiores às testadas ou a purificação dos mesmos em estudos futuros permitirá a obtenção de resultados mais significativos.