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A inclusão dos alunos da comunidade cigana numa escola pública da Área Metropolitana de Lisboa – Um estudo de caso

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O Decreto-Lei n.º 75/2008 reforçou a autonomia e a flexibilização organizacional e pedagógica, criando em simultâneo o cargo de Diretor, responsável pela gestão administrativa, financeira e pedagógica, alterando assim o anterior órgão de gestão colegial para um órgão de gestão unipessoal. O Decreto-Lei n.º 54/2018 estabeleceu princípios e normas para garantir a inclusão de todos os alunos, permitindo a cada escola delinear o seu modo de atuação. Estes dois diplomas, em conjunto, permitem, ao mesmo tempo que exigem, que cada Diretor adapte processos e mobilize os meios de que dispõe para que todos os alunos aprendam e participem. Os alunos da comunidade cigana parecem constituir um desafio acrescido, pois continuam a apresentar baixos índices de escolaridade, elevadas taxas de absentismo e abandono escolar. O Agrupamento de escolas (AE) no qual este estudo se centrou, situado na Área Metropolitana de Lisboa, não é exceção. Os alunos da comunidade cigana apresentam elevadas taxas de absentismo, comportamentos irregulares, retenções e risco de abandono escolar. Por essa razão, no âmbito desta dissertação de Mestrado em Educação, especialidade em Administração Educacional, pretendemos compreender que estratégias e medidas têm sido promovidas para promover a inclusão dos alunos da comunidade cigana. Para isso, analisámos as perceções da Diretora, equipa da Direção, Coordenador da Escola e Equipa de Intervenção Comunitária (composta por uma Psicóloga e uma Assistente Social) relativamente aos fatores que impedem e potenciam a inclusão dos alunos da comunidade cigana. Combinámos a realização de entrevistas semi-diretivas com a análise documental, a observação participante e o registo de um diário de campo. Entre as diferentes estratégias implementadas neste AE para reduzir as elevadas taxas de insucesso escolar dos alunos ciganos, destaca-se o Projeto Turma Mais, ao abrigo do qual os alunos mais velhos da comunidade cigana frequentavam aulas de Português e Matemática em conjunto, separados das suas turmas de origem. Este projeto contribuiu para que cerca de metade dos alunos que o frequentaram conseguissem ter concluído o 2.º ciclo. Ainda assim, não terá continuidade, dado que o comportamento e a assiduidade dos estudantes ciganos não melhoraram significativamente. Neste AE parece predominar uma grande desmotivação por não se terem conseguido obter os resultados esperados com os projetos implementados e uma descrença relativamente à possibilidade de se conseguir vir a promover a inclusão dos estudantes ciganos na escola. Colocando a tónica da resolução do problema na necessidade de alteração de comportamentos por parte da comunidade cigana, os atores escolares não põem em causa o modo como a instituição escolar, os programas e as metodologias de ensino-aprendizagem continuam a ser organizados. Já as técnicas (Psicóloga e Assistente Social) entendem que a escola deveria passar a disponibilizar um outro tipo de ofertas formativas e desenvolver estratégias pedagógico-didáticas de natureza mais prática e adequada aos interesses dos alunos da comunidade cigana. A cultura ágrafa da comunidade cigana, baseada na transmissão oral, sem escrita, diverge substancialmente da cultura letrada da escola. Esta diferença basilar cria desconfiança e resistência por parte da comunidade cigana e incompreensão por parte da escola. Apenas um trabalho consistente e continuado de parceria entre a escola, instituições de intervenção social e a comunidade cigana poderá diminuir o fosso que persiste entre estas instituições e resultar em processos de inclusão.
Autores principais:Pombeiro, Sónia Maria Carvoeiro
Assunto:Diretores de estabelecimentos de ensino Comunidade cigana Inclusão Segregação Equidade Intervenção comunitária Dissertações de mestrado - 2023
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O Decreto-Lei n.º 75/2008 reforçou a autonomia e a flexibilização organizacional e pedagógica, criando em simultâneo o cargo de Diretor, responsável pela gestão administrativa, financeira e pedagógica, alterando assim o anterior órgão de gestão colegial para um órgão de gestão unipessoal. O Decreto-Lei n.º 54/2018 estabeleceu princípios e normas para garantir a inclusão de todos os alunos, permitindo a cada escola delinear o seu modo de atuação. Estes dois diplomas, em conjunto, permitem, ao mesmo tempo que exigem, que cada Diretor adapte processos e mobilize os meios de que dispõe para que todos os alunos aprendam e participem. Os alunos da comunidade cigana parecem constituir um desafio acrescido, pois continuam a apresentar baixos índices de escolaridade, elevadas taxas de absentismo e abandono escolar. O Agrupamento de escolas (AE) no qual este estudo se centrou, situado na Área Metropolitana de Lisboa, não é exceção. Os alunos da comunidade cigana apresentam elevadas taxas de absentismo, comportamentos irregulares, retenções e risco de abandono escolar. Por essa razão, no âmbito desta dissertação de Mestrado em Educação, especialidade em Administração Educacional, pretendemos compreender que estratégias e medidas têm sido promovidas para promover a inclusão dos alunos da comunidade cigana. Para isso, analisámos as perceções da Diretora, equipa da Direção, Coordenador da Escola e Equipa de Intervenção Comunitária (composta por uma Psicóloga e uma Assistente Social) relativamente aos fatores que impedem e potenciam a inclusão dos alunos da comunidade cigana. Combinámos a realização de entrevistas semi-diretivas com a análise documental, a observação participante e o registo de um diário de campo. Entre as diferentes estratégias implementadas neste AE para reduzir as elevadas taxas de insucesso escolar dos alunos ciganos, destaca-se o Projeto Turma Mais, ao abrigo do qual os alunos mais velhos da comunidade cigana frequentavam aulas de Português e Matemática em conjunto, separados das suas turmas de origem. Este projeto contribuiu para que cerca de metade dos alunos que o frequentaram conseguissem ter concluído o 2.º ciclo. Ainda assim, não terá continuidade, dado que o comportamento e a assiduidade dos estudantes ciganos não melhoraram significativamente. Neste AE parece predominar uma grande desmotivação por não se terem conseguido obter os resultados esperados com os projetos implementados e uma descrença relativamente à possibilidade de se conseguir vir a promover a inclusão dos estudantes ciganos na escola. Colocando a tónica da resolução do problema na necessidade de alteração de comportamentos por parte da comunidade cigana, os atores escolares não põem em causa o modo como a instituição escolar, os programas e as metodologias de ensino-aprendizagem continuam a ser organizados. Já as técnicas (Psicóloga e Assistente Social) entendem que a escola deveria passar a disponibilizar um outro tipo de ofertas formativas e desenvolver estratégias pedagógico-didáticas de natureza mais prática e adequada aos interesses dos alunos da comunidade cigana. A cultura ágrafa da comunidade cigana, baseada na transmissão oral, sem escrita, diverge substancialmente da cultura letrada da escola. Esta diferença basilar cria desconfiança e resistência por parte da comunidade cigana e incompreensão por parte da escola. Apenas um trabalho consistente e continuado de parceria entre a escola, instituições de intervenção social e a comunidade cigana poderá diminuir o fosso que persiste entre estas instituições e resultar em processos de inclusão.