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Impactos de Procambarus clarkii na comunidade de macrófitas de charcos temporários mediterrânicos: uma abordagem experimental

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Resumo:As espécies invasoras são actualmente uma das principais causas de perda de biodiversidade, especialmente nos ecossistemas das zonas húmidas. Os lagostins de água doce encontram-se entre as espécies invasoras com mais impactos em vários níveis tróficos. A importância e a extensão destes impactos têm sido estudadas com experimentação no laboratório e na natureza. As metodologias utilizadas para testar as preferências alimentares são várias e têm por base diferenças no conceito de preferência. Neste trabalho estudaram-se os impactos de Procambarus clarkii sobre a comunidade de macrófitas dos charcos temporários mediterrânicos. Fizeram-se testes de palatibilidade e de preferência em laboratório, medindo a biomassa consumida e o número de fragmentos em que as amostras foram fragmentadas para estudar as preferências alimentares de P. clarkii sobre cinco espécies de macrófitas comuns no Sudoeste da Península Ibérica. Em charcos naturais fizeram-se experiências de inclusão/exclusão de lagostim, comparando a biomassa, o número de talos e o número de talos flutuantes em áreas delimitadas com e sem lagostim. Os consumos diários observados em laboratório variaram entre 4 e 8 % do peso húmido dos lagostins (correspondendo a 1,17 g de peso fresco), tendo-se registado diferenças entre sexos apenas no total de biomassa consumida no teste de preferência. Foi identificado um consumo diário mínimo de cerca de 2% do peso húmido. Verificou-se uma preferência clara por J. heterophyllus e uma rejeição das espécies C. divisa e R. peltatus. A selectividade demonstrada por P. clarkii teve por base várias características das plantas, preferindo as espécie mais filamentosas e com maior peso seco (mais nutritivas) e rejeitando as espécies mais duras ou, possivelmente, que apresentassem metabolitos secundários inibidores de consumo. A comparação entre as duas abordagens demonstrou que esta espécie se apropria de uma porção significativa da produção primária dos charcos temporários, podendo mesmo levar ao desaparecimento completo da vegetação e alterando drasticamente estes ecossistemas.
Autores principais:Carreira, Bruno Martins, 1987-
Assunto:Crustáceos Ecossistemas aquáticos Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As espécies invasoras são actualmente uma das principais causas de perda de biodiversidade, especialmente nos ecossistemas das zonas húmidas. Os lagostins de água doce encontram-se entre as espécies invasoras com mais impactos em vários níveis tróficos. A importância e a extensão destes impactos têm sido estudadas com experimentação no laboratório e na natureza. As metodologias utilizadas para testar as preferências alimentares são várias e têm por base diferenças no conceito de preferência. Neste trabalho estudaram-se os impactos de Procambarus clarkii sobre a comunidade de macrófitas dos charcos temporários mediterrânicos. Fizeram-se testes de palatibilidade e de preferência em laboratório, medindo a biomassa consumida e o número de fragmentos em que as amostras foram fragmentadas para estudar as preferências alimentares de P. clarkii sobre cinco espécies de macrófitas comuns no Sudoeste da Península Ibérica. Em charcos naturais fizeram-se experiências de inclusão/exclusão de lagostim, comparando a biomassa, o número de talos e o número de talos flutuantes em áreas delimitadas com e sem lagostim. Os consumos diários observados em laboratório variaram entre 4 e 8 % do peso húmido dos lagostins (correspondendo a 1,17 g de peso fresco), tendo-se registado diferenças entre sexos apenas no total de biomassa consumida no teste de preferência. Foi identificado um consumo diário mínimo de cerca de 2% do peso húmido. Verificou-se uma preferência clara por J. heterophyllus e uma rejeição das espécies C. divisa e R. peltatus. A selectividade demonstrada por P. clarkii teve por base várias características das plantas, preferindo as espécie mais filamentosas e com maior peso seco (mais nutritivas) e rejeitando as espécies mais duras ou, possivelmente, que apresentassem metabolitos secundários inibidores de consumo. A comparação entre as duas abordagens demonstrou que esta espécie se apropria de uma porção significativa da produção primária dos charcos temporários, podendo mesmo levar ao desaparecimento completo da vegetação e alterando drasticamente estes ecossistemas.