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Malformações oculares congénitas em cães e gatos : estudo de 123 casos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As malformações oculares congénitas são alterações raras que ocorrem por defeitos no desenvolvimento ocular embrionário, que podem surgir espontaneamente ou ser induzidas por fatores teratogénicos durante a gestação, incluindo fatores genéticos e não genéticos. Podem afetar um ou ambos os olhos e surgir isoladamente ou de forma combinada. O presente estudo teve como principais objetivos determinar qual a prevalência das malformações oculares congénitas em cães e gatos e quais as mais frequentemente diagnosticadas em cada espécie. A amostra incluiu cães e gatos diagnosticados com uma ou mais malformações oculares congénitas registados no Hospital Escolar Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa entre janeiro de 2011 e junho de 2018. Os seguintes parâmetros foram analisados: espécie, sexo, raça, idade de apresentação e de diagnóstico, malformações presentes, número e forma de apresentação das mesmas, estímulo iatrotrópico, queixas de visão, tratamento instituído e reavaliações. Adicionalmente, foi desenvolvido um inquérito sobre o tema destinado a ser preenchido por Médicos Veterinários de pequenos animais com especial interesse na área de Oftalmologia. De 32974 cães e 13977 gatos que se apresentaram no hospital, um total de 123 animais preencheu os requisitos de inclusão: 103 cães (0,3%) e 20 gatos (0,1%). A maioria dos cães era de raça indeterminada (18,4%), destacando-se em segundo lugar a raça Bouledogue Francês (15,5%) e a maioria dos gatos era Europeu Comum (65,0%). Não foi identificada predisposição de sexo em nenhuma das espécies, nem associada a uma malformação em particular. A idade mediana de diagnóstico foi de 12 meses em cães e 6 meses em gatos. As malformações oculares congénitas mais frequentemente observadas foram: catarata congénita (cães: 31,1%, gatos: 30,0%), membrana pupilar persistente (cães: 27,2%, gatos: 40,0%) e microftalmia (cães: 35,0%, gatos: 25,0%). Adicionalmente, foram identificadas associações estatisticamente significativas entre a presença de diferentes malformações. Além disso, foi também detetada uma associação significativa entre a presença de quistos dermoides e cães da raça Bouledogue Francês (p<0,001). Enquanto em cães, o estímulo iatrotrópico estava mais frequentemente relacionado com as malformações ou os seus efeitos secundários, em gatos constituiu um achado acidental. Algumas malformações oculares congénitas apresentaram um grande impacto na visão dos animais e/ou provocaram alterações oculares graves, enquanto outras não tinham grande significado clínico. Por outro lado, alguns animais beneficiaram de intervenção cirúrgica ou médica, enquanto outros casos não necessitaram de tratamento. Apesar destas alterações serem pouco frequentes em cães e gatos, é importante que o clínico as saiba reconhecer.
Autores principais:Saraiva, Inês Quintão
Assunto:cães catarata congénita gatos malformação ocular congénita membrana pupilar persistente microftalmia cats congenital cataract congenital ocular malformation dogs microphthalmia persistent pupillary membrane
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As malformações oculares congénitas são alterações raras que ocorrem por defeitos no desenvolvimento ocular embrionário, que podem surgir espontaneamente ou ser induzidas por fatores teratogénicos durante a gestação, incluindo fatores genéticos e não genéticos. Podem afetar um ou ambos os olhos e surgir isoladamente ou de forma combinada. O presente estudo teve como principais objetivos determinar qual a prevalência das malformações oculares congénitas em cães e gatos e quais as mais frequentemente diagnosticadas em cada espécie. A amostra incluiu cães e gatos diagnosticados com uma ou mais malformações oculares congénitas registados no Hospital Escolar Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa entre janeiro de 2011 e junho de 2018. Os seguintes parâmetros foram analisados: espécie, sexo, raça, idade de apresentação e de diagnóstico, malformações presentes, número e forma de apresentação das mesmas, estímulo iatrotrópico, queixas de visão, tratamento instituído e reavaliações. Adicionalmente, foi desenvolvido um inquérito sobre o tema destinado a ser preenchido por Médicos Veterinários de pequenos animais com especial interesse na área de Oftalmologia. De 32974 cães e 13977 gatos que se apresentaram no hospital, um total de 123 animais preencheu os requisitos de inclusão: 103 cães (0,3%) e 20 gatos (0,1%). A maioria dos cães era de raça indeterminada (18,4%), destacando-se em segundo lugar a raça Bouledogue Francês (15,5%) e a maioria dos gatos era Europeu Comum (65,0%). Não foi identificada predisposição de sexo em nenhuma das espécies, nem associada a uma malformação em particular. A idade mediana de diagnóstico foi de 12 meses em cães e 6 meses em gatos. As malformações oculares congénitas mais frequentemente observadas foram: catarata congénita (cães: 31,1%, gatos: 30,0%), membrana pupilar persistente (cães: 27,2%, gatos: 40,0%) e microftalmia (cães: 35,0%, gatos: 25,0%). Adicionalmente, foram identificadas associações estatisticamente significativas entre a presença de diferentes malformações. Além disso, foi também detetada uma associação significativa entre a presença de quistos dermoides e cães da raça Bouledogue Francês (p<0,001). Enquanto em cães, o estímulo iatrotrópico estava mais frequentemente relacionado com as malformações ou os seus efeitos secundários, em gatos constituiu um achado acidental. Algumas malformações oculares congénitas apresentaram um grande impacto na visão dos animais e/ou provocaram alterações oculares graves, enquanto outras não tinham grande significado clínico. Por outro lado, alguns animais beneficiaram de intervenção cirúrgica ou médica, enquanto outros casos não necessitaram de tratamento. Apesar destas alterações serem pouco frequentes em cães e gatos, é importante que o clínico as saiba reconhecer.