Publicação
A ocupação pré-romana da foz do estuário do Tejo
| Resumo: | A ocupação pré-clássica de Lisboa foi sempre assumida, ainda que os dados concretos sobre as suas materialidades só tenham sido conhecidos há cerca de 25 anos, quando foram divulgados espólios indiscutivelmente da Idade do Ferro recolhidos nas escavações levadas a efeito, na colina do Castelo, em momentos distintos do século XX (inícios e anos 80) concretamente no Claustro e Largo da Sé e na Rua dos Douradores. Os três conjuntos, que resultavam de intervenções de Clementino Amaro e José Luís de Matos, o primeiro, e de Vergílio Correia, os outros dois, foram publicados em 1993 (Amaro, 1993; Cardoso e Carreira, 1993), tendo, desde logo, ficado evidenciado o carácter orientalizante de que se revestia essa ocupação. Ainda no final da década 90, houve oportunidade de estudar com mais detalhe os espólios recolhidos no Claustro da Sé, tendo-se então analisado o conjunto de forma exaustiva (Arruda, 1999-2000), procedendo-se à classificação tipológica dos fragmentos cerâmicos, apontando-se-lhes cronologias com base nas sequências estratigráficas observadas em outros sítios, quer do vale do Tejo, quer da Andaluzia. Na última década do século 20, as escavações arqueológicas urbanas em Lisboa multiplicaramse e novos dados foram-se somando aos existentes. Infelizmente muitos permanecem inéditos, como são, entre outros, os casos da Casa dos Bicos, da Rua das Pedras Negras e da Praça Nova do Castelo de São Jorge, incluindo estes últimos importantes restos arquitectónicos. Neste grupo de intervenções por publicar incluía-se, até agora, o da Rua dos Correeiros, onde os espólios estavam também claramente associados a um conjunto urbanístico de dimensão considerável, onde se destacavam estruturas habitacionais divididas em várias células, para além de equipamentos de tipo “industrial”. Trata-se, de facto, do mais amplo espaço sidérico até agora escavado na cidade de Lisboa. Graças à Fundação Millennium bcp, pôde ser escavado em extensão e, posteriormente, alvo de restauro, conservação e musealização, incorporando fracção importante do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (NARC). |
|---|---|
| Autores principais: | Sousa, Elisa de |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A ocupação pré-clássica de Lisboa foi sempre assumida, ainda que os dados concretos sobre as suas materialidades só tenham sido conhecidos há cerca de 25 anos, quando foram divulgados espólios indiscutivelmente da Idade do Ferro recolhidos nas escavações levadas a efeito, na colina do Castelo, em momentos distintos do século XX (inícios e anos 80) concretamente no Claustro e Largo da Sé e na Rua dos Douradores. Os três conjuntos, que resultavam de intervenções de Clementino Amaro e José Luís de Matos, o primeiro, e de Vergílio Correia, os outros dois, foram publicados em 1993 (Amaro, 1993; Cardoso e Carreira, 1993), tendo, desde logo, ficado evidenciado o carácter orientalizante de que se revestia essa ocupação. Ainda no final da década 90, houve oportunidade de estudar com mais detalhe os espólios recolhidos no Claustro da Sé, tendo-se então analisado o conjunto de forma exaustiva (Arruda, 1999-2000), procedendo-se à classificação tipológica dos fragmentos cerâmicos, apontando-se-lhes cronologias com base nas sequências estratigráficas observadas em outros sítios, quer do vale do Tejo, quer da Andaluzia. Na última década do século 20, as escavações arqueológicas urbanas em Lisboa multiplicaramse e novos dados foram-se somando aos existentes. Infelizmente muitos permanecem inéditos, como são, entre outros, os casos da Casa dos Bicos, da Rua das Pedras Negras e da Praça Nova do Castelo de São Jorge, incluindo estes últimos importantes restos arquitectónicos. Neste grupo de intervenções por publicar incluía-se, até agora, o da Rua dos Correeiros, onde os espólios estavam também claramente associados a um conjunto urbanístico de dimensão considerável, onde se destacavam estruturas habitacionais divididas em várias células, para além de equipamentos de tipo “industrial”. Trata-se, de facto, do mais amplo espaço sidérico até agora escavado na cidade de Lisboa. Graças à Fundação Millennium bcp, pôde ser escavado em extensão e, posteriormente, alvo de restauro, conservação e musealização, incorporando fracção importante do Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros (NARC). |
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